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Rambo: Até o Fim – Já tinha acabado faz tempo!

Extremamente genérico, Rambo 5 chega a ser constrangedor

Imagine-se na posição de Sylvester Stallone. Ignorado no meio da década passada e já envelhecido para o tipo de papel que o consagrou, ele deu uma improvável volta por cima com um sexto filme de Rocky, novamente espelhando vida real e ficção. Na onda da ressurreição, veio um quarto Rambo, que, se não foi exatamente um grande filme, não descaracterizou o veterano do Vietnã. Bem, para alguns, esse tipo de vitória não basta e onze anos depois temos Rambo: Até o Fim (Rambo: Last Blood), ou, simplesmente, Rambo 5, espremendo o bagaço até a última gota. Ou não.

Crítica - Rambo 5

Terceiro longa de Adrian Grunberg, este quinto filme tem roteiro do próprio Stallone e Matthew Cirulnick. Porém, toda a premissa parece vinda de qualquer filme de ação genérico. Os cinéfilos mais bem informados sabem que, dos anos 1980 para cá, é uma prática comum reciclar roteiros descartados de uma franquia em outra minimamente similar. Por exemplo, em Força em Alerta 2, Steven Seagal enfrentou terroristas em um trem, reaproveitando um texto originalmente pensado para uma continuação de Duro de Matar. Independente dos bastidores deste novo capítulo, a impressão que ele passa é exatamente essa.

Como vimos em Rambo IV, John Rambo largou a vida nas selvas de um país de situação geopolítica complicada e voltou ao Arizona. Vivendo no rancho de sua família, ele divide o local há anos com uma senhora que cuidou de seu pai e a neta desta, Gabrielle. A menina tem uma história familiar complicada, órfã de mãe e abandonada pelo pai, encontrando no protagonista uma figura paterna forte. Apesar da tranquilidade, John não é exatamente um ser humano em paz consigo mesmo.

Quando Gabrielle decide por si mesma ir ao Mexico para encontrar seu pai, ela acaba raptada por um cartel que comanda uma rede de prostituição. É a deixa para que Rambo libere toda a agressividade reprimida por anos. Trocando o nome e tirando as fotos do passado do personagem que aparecem no início, poderia ser um filme lançado direto em home video e estrelado por Danny Trejo, sem que ninguém achasse algo estranho.

É até irônico observar um detalhe. Depois de um primeiro filme mais crítico e dramático, em 1982, o personagem estabeleceu sua imagem a partir de Rambo II, algo que – bem ou mal – foi mantido até o quarto. Rambo 5 não só o descaracteriza novamente, mas mostra que seu ator principal não tem mais como protagonizar este tipo de aventura. Percebe-se claramente as tentativas da montagem em ocultar a ação dos dublês. Óbvio que ninguém deveria cobrar de Stallone qualquer performance física, mas é muito questionável a disposição dele e dos produtores em insistirem neste tipo de ridículo.

Crítica - Rambo 5

Se abstrair, é possível se divertir?

Claro que filmes como esse sempre contam mais com a curiosidade que geram do que em sua qualidade intrínseca, logo, aos que vão conferir de qualquer forma, uma boa notícia: só tem 92 minutos. Caso fosse um produto que não se levasse muito a sério, mais ou menos como a franquia Os Mercenários, talvez se tornasse mais palatável. O problema é tentar elevar o nível dramático. Sem contar a inexpressividade de seu próprio protagonista, o filme tem uma subtrama inútil inserida por uma personagem idem, interpretada por Paz Vega.

Conforme as expectativas, o grau de violência é alto, mas nada que seja particularmente marcante ou que você não tenha visto em qualquer terror barato. O clímax, filmado em sua maioria em um ambiente escuro, sofre do mesmo problema das cenas anteriores. O jogo de gato e rato no confronto final entre herói e o vilão com seu grupo traz uma edição picotada ao extremo, sem qualquer plano ou enquadramento de destaque que reforce a ação ou envolva o público.

Não podemos responder pelos diretamente envolvidos, mas Rambo: Até o Fim parece ter surgido da pretensão de emular um clima crepuscular à la Logan. Se lembrarmos do espaço entre anúncio da produção e lançamento, é um tempo relativamente curto, o que nunca é um bom sinal. Na via inversa, essa rapidez pode ser usada como argumento contra qualquer intenção mais profunda da obra e sobre a falta de discernimento de Sylvester Stallone.

Mas, deixando especulações de lado, o que importa é o resultado final, não? E, neste caso, ele tem muito, muito pouco a oferecer… além de saudade dos filmes anteriores.

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