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Entre Facas e Segredos – Para sempre preso à 2019!

Inspirado no estilo “quem matou?”, Entre Facas e Segredos é divertido, porém datado

Entre facas e segredos (Knives Out) é escrito e dirigido por Rian Johnson, cuja filmografia inclui os bons A Ponta de um Crime (2005) e Looper (2012) e o “ame ou odeie” Star Wars: Os Últimos Jedi. Na trama, o famoso autor de livros de mistério Harlan Thrombey (Christopher Plummer, de Todo o Dinheiro do Mundo) comete suicídio no dia do seu aniversário de oitenta e cinco anos. Ou será que foi um assassinado?

Crítica de Entre Facas e Segredos

A família de Thrombey é apresentada logo no início do filme, com uma série de entrevistas com o detetive local, Elliot (Lakeith Stanfield), e seu assistente Wagner (Noah Segan). Logo descobrimos que um carismático investigador particular foi contratado anonimamente para investigar a morte do patriarca. Seguindo a tradição do Sherlock Holmes de Sir Arthur Conan Doyle, do Hercule Poirot de Agatha Christie ou do Columbo de Richard Levinson e William Link, Rian Johnson cria um personagem inesquecível: o carismático detetive Benoit Blanc, interpretado por Daniel Craig.

Ele é o ponto alto do filme, com seu charme sulista e charuto gigante, sentado enigmaticamente no meio de uma sala ou surgindo das sombras para conversar sobre livros que não leu, mas ouviu falar. Craig se diverte no papel, sua atuação é uma mistura de James Bond com o Joe Bang de Logan Lucky. Um equilíbrio interessante e bem-humorado. Entregando uma atuação com intenção oposta, com escolhas dramáticas e clássicas, está Ana de Armas (de Wasp Network), interpretando a enfermeira/cuidadora Marta Cabrera. Marta é uma imigrante do Brasil, Uruguai ou Colômbia, dependendo do narrador. Ela não consegue mentir sem vomitar, algo que acontece repetidas vezes durante o filme, servindo como uma bússola moral da história. “A heroína com o coração de ouro” trabalhando em um ninho de serpentes. Marta é uma pessoa boa sendo forçada a fazer coisas ruins. 

Crítica de Entre Facas e Segredos

James Bond, Capitão América, General Zod e Yoda entram em um bar

A família Thrombey é composta por um elenco caprichado. Linda (Jamie Lee Curtis, de Halloween) é a filha mais velha, casada com Richard (Don Johnson). Eles tem um filho, Ransom, interpretado por Chris Evans (de Capitão América: Guerra Civil) .O outro filho é Walt (Michael Shannon), que administra a editora do pai, casado com Joni (a sempre incrível Toni Collette). Ainda têm os filhos Meg (Katherine Langford) e Jacob (Jaeden Martell), mas a única função deste último parece ser uma sátira de Milo Yiannopoulos, e alguém para que Meg crie algum vínculo emocional com a família. O longa ainda tem pontas de Frank Oz, como um advogado, e o icônico M. Emmet Walsh como o responsável pela segurança da casa, se gabando por ter gravado as imagens em fita na velocidade SSLP. 

Os Thrombeys têm discussões políticas sobre as atitudes do presidente Trump em junho de 2019,sobre questões ligadas à imigração, tema abordado diversas vezes pela personagem de Marta, que luta para se manter acima dos segredos e obstáculos que enfrenta. Caso o espectador não acompanhe de perto a política americana, não poderá ter um aproveitamento completo do contexto social, limitando o filme a um público muito menor que a recente refilmagem de O Assassinato no Expresso do Oriente.

Crítica de Entre Facas e Segredos

Entre Facas e Segredos teria funcionado muito melhor como um filme de época, principalmente para a estrutura do crime e da solução não dependerem da tecnologia. É uma produção difícil de resenhar sem spoilers, então resta dizer que a complicada trama tem inovações suficientes no gênero para deixar o espectador intrigado com o seu desenvolvimento, que é feito com paciência e atenção aos detalhes. Uma importante peça do quebra-cabeças é dada logo no final do primeiro ato, criando uma estrutura narrativa que aparenta ser inovadora. O humor está presente e não parece forçado, e a direção permite que todo o elenco tenha seu momento, embora muitos personagens sejam pouco aproveitados.

Os setores técnicos entregam qualidade, o que se espera de uma produção de 40 milhões de dólares com poucas locações. Esse tipo de filme, com um elenco amplo e uma história complexa, é cada vez mais rara em Hollywood, o que ajuda a criar uma sensação de nostalgia, de se estar assistindo a um filme de outra época. As duas horas e dez minutos do filme passam voando, mas a decisão de colocar assuntos políticos específicos de 2019 fada um longa acima da média ser datado e esquecível. Se quiser assistir a um filme norte-americano de suspense policial com comédia, talvez seja mais recomendado assistir Clue, de 1985, dirigido por Jonathan Lynn.

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