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TRUE DETECTIVE terminou… Será que é tudo isso mesmo? Sim!

A série americana da HBO, True Detective, com a dupla Matthew McConaughey e Woody Harrelson, teve seu fim neste último final de semana. Oito episódios, no total, que mais parecem um longo filme dividido do que propriamente uma série. Há rumores frequentes sobre a segunda temporada já, com a troca da dupla principal.

A dupla

A dupla

Há anos que as séries vêm roubando, dos cinéfilos em geral, o espaço que eles dedicam aos filmes. Meu caso. Sempre procurei me dedicar muito mais aos filmes em meus horários vagos. Acontece que a qualidade e o investimento nos seriados mudaram vertiginosamente, nos últimos tempos, e grandes nomes do mundo do cinema aderiram a este mercado, com maior presença. Diretores, produtores e atores não consideram mais um retrocesso suas participações exclusivas em séries. Aliás, muitos aliam ambos os formatos. Assim sendo, o público fiel do cinema foi atraído.

Agora, chegamos a outro ponto. As mensagens contundentes dos seriados. É só ver o que foi feito recentemente. O politicamente incorreto parece estar muito mais evidente em séries do que propriamente nos filmes. O que dizer de Breaking Bad e House of Cards, por exemplo? No primeiro, 5 temporadas de um professor de química e pai de família que se torna um traficante de drogas, com influência e dedicação invejáveis! O segundo já deixa claro no primeiro episódio o belo tapa na cara da Casa Branca. E agora True Detective, que traz outro conceito, mas também de conteúdo questionador.

O virada dos seriados

Seriados em alta com o público cinéfilo

Sem ser efetivamente político, mas com politicagem, o seriado faz uma desconstrução do típico policial americano, através de uma dupla que passa longe do tipo good cop, bad cop das produções de cinema. Aqui a definição está mais para bad cop, bad cop. Comportamento fora do padrão, clima sombrio e relações humanas conturbadas, sem sentimentalismo, fazem parte do argumento e permeiam a trama do início ao fim. E qual o segredo para esse sucesso que fez e está fazendo?

Para quem ainda não tem familiaridade com a história, o foco está em dois policiais que investigam uma mulher encontrada morta com uma coroa de espinhos na cabeça. Ritual simbólico ou assassinatos em série são algumas hipóteses levadas em consideração. A trama é contada em diferentes períodos. A época do próprio crime (meados dos anos 90), anos depois quando o caso já havia sido solucionado, e mais recentemente, ao retomarem o caso. Sinopse simples, direta e preguiçosa, mas é o suficiente. Segue o trailer:

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Como acontece em Twin Peaks, a antiga série de David Lynch, o crime é somente o ponto de partida da trama. É muito mais um estudo de comportamento do que qualquer outra coisa.

É fácil mencionar que os envolvidos são de primeira linha, mas o produto oferece muito mais. Em primeiro lugar, aquela velha fórmula de mudar o caminho de acordo com a audiência, manobra comum em novelas brasileiras e em boa parte dos seriados que vemos por aí, não existe. Os oito episódios foram escritos e validados antes da exibição e todos são dirigidos pelo mesmo diretor, Cary Fukunaga, além de escritos pela mesma pessoa, Nic Pizzolatto, o criador da série. Não que essa inflexibilidade seja a chave da questão, mas certamente aprimora o resultado. Sobre a atuação do elenco, vou deixar de lado porque meus elogios não seriam suficientes. Essa parte eu pulo.

Como forma de ambientar o espectador à trama, Pizzolatto e Fukunaga deixam os 3 primeiros episódios mais carregados que o restante. Uma espécie de introdução lenta ao mundo sombrio da dupla principal, até a ação ser mais vibrante a partir do quarto episódio. Assim, até o final, não faltará fôlego para a série finalizar bem. E o episódio final? Sinceramente, prefiro não comentar nesse momento para evitar alguns spoilers. O que posso afirmar é que, por tudo o que você assistiu desde o primeiro episódio, naturalmente sua expectativa será alta para o fechamento. Assim, é possível que você ache o final abaixo do esperado ou modesto…

O que não é spoiler, e vale mencionar, é o fato do diretor já ter adiantado antes mesmo do capítulo final, que não seria a favor daqueles twists comuns de séries policiais. Ou seja, não espere por uma revelação a lá Scooby-Doo. E realmente não havia necessidade para isso.

Olha ele aí. E o culpado é...

Olha ele aí. E o culpado é…

Bom, chega de palavras e vamos à sua ação. Se você não acompanhou o seriado, pode procurar uma forma de começar a assistir desde o início. Não tenho certeza de onde estará disponível no momento, sei somente sobre o Now da NET e as reprises na HBO. A questão é, procure um jeito e aproveite. Fique à vontade para contar depois o que achou também!

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  • Realmente a série parece um longa que foi dividido em episódios. Tenho curtido muito mais as séries do que os filmes, justamente por serem politicamente incorreto.
    Hug

    • Paulo Marques

      Isso mesmo Márcia, a impressão que fica é de um longa dividido. E com uma dose de ousadia que as vezes falta no cinema não é? Abs