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Mágico Vento Deluxe 3 – Weird West no seu melhor!

O oeste e seus mistérios estão na sua melhor forma em Mágico Vento Deluxe 3 

O amigo leitor vai ter que perdoar esse resenhista, pois eeste texto pode ser bem tendencioso. Existem poucos subgêneros extremamente específicos tão interessantes quanto o chamado weird west, e poucos personagens incríveis dentro dele quanto o xamã sioux Mágico Vento. No arco intitulado Faca Comprida, terceiro publicado pela linha deluxe da Mythos *, talvez tenhamos alguns do melhores tropos  que nos ajudam a identificá-lo.

(Clique na imagem para comprar)Resenha Mágico Vento Deluxe 3

(*Confira também as resenhas de Dragonero: O Caçador de DragõesElric: O Trono de Rubi !)

Isso porque Mágico Vento é um personagem relativamente recente. Criado por Gianfranco Manfredi, o “alter-ego”, por assim dizer, de Ned Ellis representou um sopro de renovação do western dentro da Bonelli em 97, quando seu grande carro-chefe, Tex, estava prestes a se tornar já um quinquagenário. Não obstante, ainda ofereceu ao público o personagem mais constante do weird west. Existe algo tão interessante quanto elementos de horror, sobrenatural e ficção jogados sobre o Velho Oeste? É como se o período gritasse por algo assim!

Deixando de lado elucubrações de um fanboy empolgado, Faca Comprida encerra uma história completa dentro de si, apresentando a busca por vingança de Mágico Vento contra Louis Beaumont, um ex-oficial confederado. Sem entrar em spoilers, Beaumont realizou um tipo de acordo com uma entidade ofídia vodu e, dotado de poderes obscuros, decide ir à caça de indígenas e opositores. No meio dessa matança, uma das vítimas é justamente Cavalo Manco, pai espiritual de Ellis, que não apenas é morto como tem sua cabeça subtraída por Beaumont. Dessa forma, Mágico Vento e seu parceiro, o jornalista Willy Richards – chamado de Poe devido à sua semelhança com um certo Edgar – vão atrás do confederado vodu, para eliminar a terrível ameaça e dar paz ao falecido xamã sioux.

Chega a ser impressionante como o ritmo da aventura é bem dosado. São 204 páginas que simplesmente voam na frente do leitor. Manfredi não apenas oferece uma reconstrução consistente do período pós-Guerra da Secessão americana, com referências históricas e culturais muito bem posicionadas, que dão vida à trama, como também insere os elementos fantásticos e sobrenaturais de forma bastante orgânica. O weird west não é necessariamente um gênero difícil de ser trabalhado – e muito menos novo – mas pode ser complicado levá-lo a sério, principalmente nos quadrinhos. Jonah Hex perambula por aí desde 72 para nos lembrar disso.

No caso do protagonista de Manfredi é diferente. O sobrenatural aqui tem uma função, e é quase um personagem em si. O fantástico é quase sempre uma desculpa para enaltecer as melhores – ou piores – características dos participantes da história, como a boa fantasia deve ser. Nós sabemos que certos seres, como o próprio Mágico Vento, possuem habilidades surpreendentes, mas isso de forma alguma é o foco da trama. As interações entre os personagens, assim como suas características intrínsecas, é que realmente fazem com que a HQ conquiste o leitor. Mais do que poderes mágicos, as motivações emocionais – seja a gratidão de Ellis ou o racismo e a ignorância de Beaumont – é que tornam os personagens de Mágico Vento tão relacionáveis.

Resenha Mágico Vento Deluxe 3

Arte de alto padrão

A arte de Bruno Ramella e Giuseppe Barbati é um show à parte. Muita gente critica a Bonelli – talvez com alguma razão – pelo excesso de homogeneização dos desenhos de seus personagens, visando manter um padrão. Mas fato é que isso não necessariamente significa (sempre) perda de identidade, assim como também é fato que esse padrão é muito alto. A dupla tem traço firme e uma composição de cena densa. Cada quadro de Mágico Vento, independente do momento em questão, parece carregar um certo tom lúgubre, supra-terreno, que reflete com precisão o tom e a natureza do protagonista do título. Recheada de cores pastéis e cinzentas, o trio reconstrói um faroeste assustador não pelo que ele tem, mas pelo que ele não tem – o tipo do vazio que draga o espírito e desmotiva ações altruístas. O que, claro, destaca ainda mais o heroísmo e incorruptibilidade de Ned Ellis.

Como dissemos, Faca Comprida é o terceiro volume na linha de luxo da Mythos, que republica as histórias de Mágico Vento. Manfredi encerrou o título em 2010 na Itália, após 131 edições, o que de certa forma é um alívio para quem quer ver tudo o que o personagem pode oferecer, sem ir à falência. Além disso, há também o fato de que, mais ou menos a partir do arco deste volume, Manfredi começa a se sentir mais seguro quanto aos rumos do personagem, então a tendência – para quem ainda não leu – é encontrar histórias cada vez mais consistentes.

Se você é fã de faroeste, horror, fantasia ou todos juntos ao mesmo tempo, Mágico Vento é um tiro certeiro.

PS: Sério, por que weird west ainda não é um trend? É simplesmente do cacete!

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