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Dragonero: O Caçador de Dragões – Fantasia à italiana!

Fumetti com magia, aventura e – claro – dragões!

Além do best-seller Tex, a Bonelli tem um prestígio enorme entre o público brasileiro. Alguns personagens mais do que outros, é verdade, mas a marca e o padrão de qualidade da editora italiana chegaram aqui para ficar. Com um catálogo bastante variado, passando pelo tradicional western, ficção científica (Nathan Never foi incluído na nossa lista de HQ’s Cyberpunk) e histórias detetivescas (como Julia) entre outros gêneros, chegou o momento do título de Fantasia deles tentar a sorte por aqui. Graças à Mythos, Dragonero: O Caçador de Dragões chega agora em nossas terras.

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Resenha de Dragonero: O Caçador de Dragões

Já beneficiado pelo apelo que essas histórias carregam naturalmente, além do sucesso de Game of Thrones neste momento específico, Dragonero é famoso na Europa e tem potencial no Brasil. Surgida em 2007 e tornando-se mensal em 2013, a série já ganhou especiais e rendeu spin-offs em sua terra natal. Com roteiro elaborado pelos criadores, Luca Enoch e Stefano Vietti, a aventura de estreia tem desenhos de Giuseppe Matteoni. A premissa básica não surpreende em nada, mas diverte e não decepciona os adoradores do gênero.

A trama apresenta aos poucos seis personagens que se unem para deter um mal ancestral, contido pelo feitiço chamado Antiga Interdição, que, misteriosamente, começa a libertar-se. Além do império de Erondar, existe a Terra dos Dragões, cuja fronteira é a barreira do Valo, onde a vigilância é constante. A descoberta do perigo faz com que o mago Alben junte-se a Myrva, oficial imperial e parte da guilda dos Tecnocratas. Ele também é acompanhado por uma guarda-costas, a monja guerreira Ecuba.

Aquele a quem cabe o papel de protagonista, Ian Aranill, é chamado logo depois. Ex-oficial imperial, ele tem seu passado revelado aos poucos para os leitores. Além de um combatente de valor, sua presença tem um propósito maior em todo cenário. Com ele, segue o orc Gmor, amigo e companheiro de longa data. O último elemento do grupo é a elfa Sera, fundamental para o plano de Alben para recriar a Interdição.

Quem pensou em RPG está completamente certo. Dragonero não nega essa pegada e abraça com dignidade esse tom aventuresco juvenil. Em termos de ambientação, ainda traz alguns detalhes interessantes que enriquecem seu universo. Myrva, por exemplo, com seu vestuário e armas de fogo, equipamento justificado pela existência dos Tecnocratas, confere um ar steampunk que se mescla de forma orgânica ao clima de Fantasia tradicional. Aliás, essa construção de lógica interna permite a apresentação de outros artefatos mais “modernos”, não limitados apenas a ela, mas claramente comuns na formação daquele mundo.

Resenha de Dragonero: O Caçador de Dragões

Pecadilhos no roteiro e uma arte que é um colírio

Sobre a construção narrativa em geral, existem incômodos a observar. Embora bem fundamentado e com ação bem distribuída por quase 300 páginas que não perdem o ritmo, o roteiro de Enoch e Vietti traz falas que pecam pela obviedade. Mais de uma vez, vemos os personagens afirmando algo que a própria cena já mostra. Tal redundância pode até irritar leitores mais exigentes, um defeito que seria menos gritante em uma HQ mais rebuscada conceitualmente.

Não que este comentário sobre a proposta geral seja propriamente uma queixa, mas é sempre necessário perceber quais as ambições de cada obra. Dragonero não busca inovar no formato ou gênero, o que é uma via de duas mãos. O caráter descompromissado e o foco na aventura se mostram boas recompensas no final, mas, exatamente por isso, não vai marcar a vida de ninguém. No entanto, abre portas para jovens leitores fanáticos por dragões conhecerem mais dentro do segmento.

Por outro lado, o fator que pesa bastante é a arte de Giuseppe Matteoni. Artista que carrega e honra o DNA da escola italiana, ele resolve belamente todos os desafios de retratar esse mundo fantástico. Em se tratando de edições em formato menor do que o tradicional americano, o qual o brasileiro já se acostumou, é uma proeza que ele consiga manter tudo absolutamente  inteligível para quem acompanha as páginas.  As ilustrações, compostas por traços em sua maior parte, mantém a narrativa limpa e as imagens claras, apesar da quantidade enorme de detalhes.

Existem momentos de alto contraste onde massas de preto chamam atenção, mas há uma fundamental sensibilidade no uso destas. Quando luz e sombra são mais marcadas, essas cenas não destoam do conjunto da edição, mas o arsenal de Matteoni ainda vai além. O uso de hachuras em alguns painéis lembra algo do sci fi francês, mas sem entrar em conflito com o ambiente. As texturas também são um ponto a ser comentado, lembrando o grande Arthur Adams, cuja arte é especialmente lembrada por este detalhe.

Mais uma opção de destaque para os leitores brasileiros, admiradores da Bonelli, de Quadrinhos europeus em geral ou fãs de Fantasia, Dragonero: O Caçador de Dragões ainda tem um bônus. Estas 292 páginas da edição de lançamento contém uma HISTÓRIA COMPLETA. Se esse era o seu medo, como o de muita gente, pode relaxar. Caminhar junto a esses carismáticos arquétipos aventureiros, acompanhando-os até o fim da jornada, pode ser bem gratificante.

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