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Love Kills – Narrativa visual primorosa!

Danilo Beyruth com uma trama vampiresca em Love Kills

Com seu nome já consolidado entre os grandes quadrinistas brasileiros em atividade, Danilo Beyruth (Samurai Shirô, Astronauta) já tem a atenção do público quando lança um novo trabalho. Capaz de criar cenas de ação cinematográficas – na falta de um termo melhor – e desenvolver passagens mais lentas, ele sempre garante o espetáculo.  Em Love Kills, é exatamente essa sua habilidade narrativa que brilha mais. Muito mais, na verdade.

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Resenha de Love Kills - DarkSide

O álbum publicado pela DarkSide tem mais de 200 páginas, desenrolando uma trama com vampiros vivendo em São Paulo. Helena é uma vampira secular, levando sua existência noturna na metrópole. Conseguir alimento pelas casas noturnas e bares por onde ela passa não é nada difícil, graças aos seus poderes de hipnose, e assim ela segue, confortável na condição de predadora.

Detalhes em aberto do seu passado retornam, com um grupo inimigo de vampiros sendo apenas um destes problemas, mas as coisas ainda se complicam mais. Marcus é um jovem humano que acaba arrastado para esse mundo completamente por acaso, criando um curioso vínculo com Helena. Não é preciso que você saiba muito mais sobre essa história, pois ela é apenas um acessório para a criatividade visual do autor.

Não espere um roteiro muito bem elaborado. A própria premissa de vampiros estilosos em meio a um cenário urbano já não empolga muito hoje em dia, com o desenvolvimento de Helena e Marcus patinando em atitudes questionáveis. Por “questionável”, digamos que Marcus faz algumas escolhas, em momentos de virada, que não convencem quando confrontadas com as motivações.

Love Kills parece elaborado como uma história maior e até precisaria de uma continuação, apesar do “FIM” em seu último quadrinho. Existem pontos deixados em aberto na mitologia apresentada por Danilo Beyruth, onde leitores aficionados por criaturas da noite encontrarão diversas referências a obras consagradas envolvendo vampiros. Embora o arcabouço conceitual já soe um pouco batido, não deixa de ser agradável perceber as influências.

Destacando essas características da trama geral, é preciso observar que esse roteiro foi absurdamente valorizado pela arte. Essa é mais uma prova do que uma narrativa visual pode fazer por qualquer texto, justificando e muito a aquisição desse material por qualquer fã de Quadrinhos.

Resenha de Love Kills - DarkSide

Impossível parar de ler

Parece até contraditório, depois dos apontamentos sobre o roteiro, dizer que Love Kills tem um ritmo que leva a leitura do começo ao fim de forma bastante dinâmica.  A verdade é que é não são raros os exemplos em que uma narrativa visual potente consegue compensar um roteiro não tão bom, mas este é um caso especial.

A estrutura visual e diagramação em geral estão muito acima do texto. Tão acima que não só fazem a experiência valer muito a pena, como também estimulam uma releitura até como estudo deste poder da narrativa visual. Danilo Beyruth exercitou fantasticamente sua destreza no jogo de luz e sombra, com composições que funcionam individualmente e em conjunto.

No claro e escuro da noite paulistana, ele investe em massas pesadas de preto, que lembram o mestre Julio Shimamoto. Em outros momentos, as hachuras fortes remetem ao trabalho de Charles Burns, criando belas imagens que servem bem ao clima gótico proposto e tem sacadas visuais muito espertas. Na hora da ação, ele também não decepciona.

Love Kills é uma história movimentada. Nas sequências dos confrontos, o autor capricha bastante nos ângulos, grafismos e outros truques próprios da linguagem para passar movimento. E consegue, criando cenas que pulsam de verdade com um senso de urgência física. Um trabalho visual refinado, por alguém que sabia bem o que buscava neste sentido.

Ainda que o roteiro não tenha o brilhantismo da arte, a segunda eleva o nível do conjunto de uma forma absurda. É fato que muitos fãs de histórias de vampiros comprarão Love Kills justamente por causa da temática, mas os interessados no potencial narrativo dos quadrinhos é que tem muito mais a ganhar neste passeio.

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