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Amazing Grace – Aretha em estado de graça! (FORMIGA NA MOSTRA)

Documentário Amazing Grace recupera as imagens da gravação do álbum gospel da cantora Aretha Franklin

A ideia de registrar um momento único da história da música americana já basta para que surja o interesse do público em conferir o resultado dessa aventura. As sessões lotadas de Amazing Grace, uma das atrações da 43ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, mostram que, mesmo quase 50 anos depois, ainda há interesse sobre o processo criativo de um dos álbuns mais icônicos da carreira da cantora Aretha Franklin.

Crítica de Amazing Grace

Vivendo uma fase incrível de sua carreira, a rainha do soul, que fez o mundo cantar hits como Respect e I say a little prayer, resolve visitar suas origens como artista e gravar um álbum gospel, interpretando hinos que aprendeu ainda na infância durante as idas à igreja com a família. O ano era 1972 e o cineasta Sydney Pollack foi convocado para registrar as duas noites de gravações, que ocorreram em uma igreja batista. Mais que deixar um registro de sua voz em canções importantes para sua formação como artista, Aretha queria um disco ao vivo, com toda a vivacidade que o entusiasmo de uma plateia pode conter.

O disco foi lançado, marcou época e continua um deleite para os ouvidos. Já o documentário musical caiu no ostracismo, segundo dizem, porque a tecnologia da época não conseguiu sincronizar som e imagem porque o calor da hora fez Pollack esquecer de bater a claquete antes das cenas e também por uma briga de direitos de imagem. Curiosidades à parte, esse tempo de espera parece ter trazido amadurecimento e resulta em um documentário delicioso e intrigante na mesma medida.

Crítica de Amazing Grace

Pode cantar, não pode falar

A batalha de reconstruir Amazing Grace coube ao compositor e também diretor Alan Elliot, um dos integrantes da equipe de Pollack durante as duas noites mágicas de gravação do álbum. A opção por seguir uma linha narrativa simples foi certeira, pois coloca o espectador tanto na plateia como nos bastidores, acompanhando os principais momentos de glória das duas apresentações e também alguns preparativos, onde vemos uma Aretha concentrada e um tanto apreensiva sobre o que a aguarda no palco da igreja. A apresentação do músico James Cleveland, uma verdadeira lenda do gospel, deixa claro que a plateia está diante de um espetáculo único ou, nas suas próprias palavras, uma cerimônia religiosa.

E a vontade é louvar Aretha e sua voz e interpretação potentes de pé! Em vários momentos, o calor dos refletores misturasse com a energia dos que lotam a igreja e o suor escorre pelo rosto de Aretha, que parece não se importar e entrar em uma espécie de transe que vai emanando pelo ambiente, fazendo os presentes vibrarem. E nós, em nossas poltronas de cinema, quase esquecemos que estamos diante de um filme, tão viva é a Aretha à nossa frente. Mas, mesmo inebriados com o talento da diva, um porém surge na tela. E incomoda.

C.L. Franklin, pai da cantora, é convidado ao palco e profere um discurso inflamado sobre a filha e seu inegável talento. Há carinho nas palavras do ministro da igreja batista ao lembrar dos ensaios na sala de casa, mas perceber que a história de Aretha é narrada por alguém que não ela mesma faz pensar sobre o porquê dessa “homenagem paterna” no meio das gravações. Ela escuta tudo sem interrupções e segue cantando, para delírio do pai, que ainda força um apreço intenso ao limpar o suor do rosto da filha. Sabendo da vida nada fácil de Aretha, aquele toque parece mais opressor do que cuidadoso. Mas como a música salva, acabamos dando uma trégua e mergulhamos mais uma vez nas interpretações da cantora. Se para falar o que pensa não lhe foi dada a oportunidade, ela grita para o mundo sua potência em versos repletos de esperança até para o mais ateu dos humanos.

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