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Superman: Qual é o Preço do Amanhã?

Muitas pessoas falam que não gostam do Superman. “Ah, ele é forte demais”, “tudo é muito fácil pra ele”, “ele é muito coxinha”, entre outras coisas, são os típicos argumentos daqueles que afirmam que o personagem não é interessante. Dentro desse grupo de pessoas, é provável que a maioria nunca tenha lido nenhuma história dele, e se já leu, foram as ruins. A verdade é que o Superman é um herói fascinante e que, quando bem trabalhado, gera arcos fantásticos. Infelizmente, Superman: Qual é o Preço do Amanhã? (What Price Tomorrow?) não faz jus a todo o potencial do último filho de Krypton.

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Publicado originalmente entre 2011 e 2012, este volume inclui as edições de 1 a 6 da revista Superman, dentro da fase Novos 52, com roteiro e esboços de George Pérez e Jesús Merino, além da arte de Nicola Scott e Trevor Scott. A história começa com Kal-El já estabelecido na Terra, tendo sua primeira aparição pública como Superman há cinco anos. Em Metrópolis, existem pessoas que o vêem como herói e outras que sentem-se ameaçadas por sua presença. Não demora muito para que algumas ameaças comecem a surgir. Dessa vez, o escoteiro azul enfrenta estranhas entidades que entoam uma língua desconhecida, mas pronunciam claramente a palavra “Krypton”, dando origem a misteriosa relação entre elas e seu planeta natal.

Superman: Qual é o preço do amanhã

A princípio, parece uma historinha básica e genérica de super-herói, certo? Sim, certo. Pois é exatamente isso. Se a sinopse parece comum e sem surpresas, assim o roteiro também é. Ilustrador e roteirista veterano dos quadrinhos, Pérez está apenas fazendo o feijão com arroz, sem nenhum tipo de tempero.

Tudo é previsível demais e a narrativa não é segura em seu formato. No início, temos um narrador onisciente que simplesmente some para dar lugar ao próprio Superman, que assume a narração que não serve para complementar, gerar introspecção ou dar força à história, mas sim para explicar a trama de maneira infantil. Afinal, as imagens são pensadas somente como uma sucessão de eventos e porradas, ao invés de uma forma inteligente de arte sequencial.

Além dessa previsibilidade e narrativa enfadonha, o último ato da história é quase completamente copiado de outro arco muito famoso do personagem. Não vou revelar aqui de qual se trata para evitar o spoiler óbvio, mas o leitor que se aventurar nesse encadernado perceberá de imediato.

Superman: Qual é o preço do amanhã

Outra coisa que incomoda, pelo menos a mim, é o modo como o personagem é abordado. Esse Superman dos Novos 52 possui uma personalidade mais cínica e seu Clark Kent não possui nenhum tipo de particularidade, de modo que não temos Kal-El agindo na Terra, e sim uma pessoa comum, no pior sentido da palavra, com superpoderes. O ícone que conhecíamos já não existe mais. Importante deixar claro que não sou avesso a mudanças, desde que elas façam sentido. Um Superman com a personalidade de uma pessoa mundana poderia ser muito interessante, só que aqui o aspecto focado é unicamente a ação. Toda a carga filosófica e emocional ,que é intrínseca ao próprio conceito do personagem, aqui é simplesmente ignorada.

Existem momentos em que o texto até tenta colocar um ou outro tipo de questionamento, porém, a iniciativa é totalmente enfadonha. Claro que não se deve colocar toda a culpa em Pérez e sua equipe, pois sabemos da pressão da editora com relação aos prazos e teor da história, além de todos os problemas públicos na nova política da empresa. Mas ainda assim, eles fazem parte disso de uma forma ou de outra.

Superman: Qual é o preço do amanhã

A arte do quadrinho é bem eficaz, mesmo que não usando todo o potencial de sua mídia. Verdade que é totalmente padronizada e não possui aquele estilo próprio que tanto gostamos de notar nos melhores desenhistas de HQ’s, mas pelo menos não agride os olhos do leitor. Novamente, não podemos responsabilizar totalmente os artistas devido a velocidade industrial na qual eles têm de trabalhar, o que acaba deixando tudo com esse aspecto genérico.

No quesito ação, o quadrinho melhora um pouco. A diagramação e os enquadramentos são competentes e imprimem um ritmo dinâmico na hora do embate entre o azulão e seus algozes. Nada de inovador ou com muita personalidade, mas é fluido e rápido. Um elemento que gera bastante interesse é de que cada entidade possui um poder diferente, tornando as batalhas distintas uma das outras. Ainda que suas soluções não sejam lá muito criativas, ainda assim anima um pouco. Vejam bem, eu disse um pouco.

Superman: Qual é o preço do amanhã

Superman: Qual é o Preço do Amanhã? é um encadernado de super-heróis genérico. Se você só procura ação, pode até terminar a leitura saciado. Todavia, se você é o tipo de leitor que busca um roteiro  inteligente e uma arte de mais personalidade, fuja daqui enquanto é tempo.

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