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Superman: Lois & Clark – O bom e velho…

Superman: Lois & Clark

Muito provavelmente, se você costuma ler as resenhas de quadrinhos publicadas por aqui, já deve ter esbarrado em alguma reclamação sobre a mania das mega sagas, tanto da Marvel quanto de sua concorrente. No caso da DC, também não é fácil nutrir muita simpatia pelo que se tem visto dela nos últimos anos, mas a gente tenta separar o joio do trigo. Não sobra muita coisa, mas seguimos conferindo o material encadernado que chega até nós e, estatiscamente, sabemos que a imensa maioria em uma enxurrada de produtos congêneres será ruim, inevitavelmente, mas alguma coisa vai se destacar no balaio. Superman: Lois & Clark não vai mudar a vida de ninguém, mas é um desses que se salva, de um jeito ou de outro.

Se você anda completamente desinformado sobre os últimos petardos das grandes editoras, não se deixe enganar pelo título desta série, que automaticamente remete àquele seriado esquecível com Dean Cain e Teri Hatcher. Não existe nenhuma relação conceitual, felizmente, pois a ideia aqui é trazer de volta o Superman de antes dos eventos da saga Ponto de Ignição, que reformulou toda a continuidade da DC, dando origem à fase Novos 52.

Superman: Lois & Clark

O negócio é o seguinte: o Superman “oficial” desde 2011, cujo uniforme não tem a cueca por fora da calça, tem uma personalidade um tanto diferente, pendendo um pouco mais para o durão meio arrogante. Muitos fãs chiaram e a solução foi assumir de vez algo que eles tentam acabar desde a publicação de Crise nas Infinitas Terras, há 30 anos. O Multiverso, com suas diversas versões dos personagens, está aí e serve para dar um “migué” nos leitores que reclamarem que apagaram décadas de seu personagem preferido. Afinal, agora tudo pode ser considerado cânone. Com esse raciocínio, veio a mega saga Convergência, que a Panini publicou esse ano, então reencontramos aquele Superman anterior, para muitos, o único que vale.

Enfim, Convergência colocou Clark, Lois e o filho pequeno deles, Jonathan, no universo dos Novos 52, onde eles optaram por adotar novas identidades e viver em segredo longe de Metropolis, já que essa Terra já tem seu Superman e sua Lois Lane. Barbudo e sempre observando as diferenças existentes entre um universo e outro, como Cyborg estreando direto na Liga da Justiça e a forma como o povo ali trata os heróis, eles tentam levar vidas normais, da melhor forma possível, e criar Jonathan sem revelar a verdade ao menino, por enquanto, pelo menos. As coisas não saem como planejado, é óbvio.

Publicado originalmente a partir de dezembro de 2015, Lois & Clark está aqui encadernado do 01 ao 08, em papel LWC com capa cartonada. São quase 200 páginas ao preço de R$ 25,90. Vale a pena? Até que sim, mas isso também depende do quão saudosista do velho kryptoniano você é. Os roteiros de Dan Jurgens, cujo nome não anima muita gente, têm bons ganchos entre detalhes meio frouxos, mas consegue fazer o contraponto de um herói mais tradicional agindo em um mundo mais cínico.

Superman: Lois & Clark

Aceitamos a facilidade com que o casal se estabeleceu em uma fazenda ali, com o sobrenome White, mas Lois iniciar do nada uma carreira jornalística de sucesso, sendo perseguida pela Intergangue por isso, força um pouco, assim como a explicação para o uniforme preto. Não faz o menor sentido alguém agindo em segredo correr o risco de ser vinculado ao Superman daquele mundo, coisa que, aliás, acontece bem rápido quando ele enfrenta um vilão local perigosíssimo.

Além disso, ainda é preciso lidar com o crescimento de Jonathan, que vai ficando cada vez mais curioso quanto ao comportamento dos pais. É o velho mote de “família unida resiste a qualquer adversidade”, mas, entre bons e divertido momentos de aventura, percebemos que Jurgens erra a mão ao martelar isso. A toda hora somos lembrados que o menino deve ser preservado, que eles estão sozinhos naquele mundo, porém se amam e é isso que importa, que ninguém deve saber quem eles são realmente e outros perigos aqui e ali. Além da Intergangue, o vilão local citado no parágrafo anterior ameaça… Lois e Jonathan. Alguém mais hábil não precisaria disso para enfatizar a importância deles neste momento da vida do velho Homem de Aço.

Superman: Lois & Clark

Felizmente, a arte conta com o talentosíssimo Lee Weeks, cujo traço agrega demais a esse conjunto, trazendo um belo atrativo para os admiradores do personagem e de uma boa narrativa. Dono de um traço reconhecível, o desenhista é a prova viva que o clássico nunca sai de moda, o que cai como uma luva para o espírito desta história. É uma pena que outros artistas assumam a partir da metade do encadernado, ainda mais porque nenhum outro ali é tão com quanto ele. Esse é um fator muito negativo na hora de decidir se vale a compra ou não.

Superman: Lois & Clark termina deixando vontade de ver o que vem depois, o que é muito bom. Tropeça muito, mas caminha para algum lugar, o que também é uma evidente qualidade. Particularmente, curti ver esse Clark em ação, ainda que não tenha nada de memorável ali, o que mostra a força do personagem quando bem caracterizado. Mesmo em  mãos não tão hábeis , como as de Dan Jurgens.

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