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Catacumba #3 – Antiquário dos Horrores

Uma loja de antiguidades é um cenário perfeito para narrativas de terror, não? O roteirista e ilustrador Kiko Garcia concorda, afinal, escolheu um local como esse para ambientar o terceiro número de sua HQ independente, Catacumba, seguindo a pegada dos anteriores. Continua o formato de contos curtos inspirados em lendas urbanas, “causos” que o pessoal mais velho conta e – claro – a influência dos filmes assistidos durante a vida. Aliás, se ainda não conhecia o trabalho dele, dê uma olhada na resenha das edições anteriores.

Catacumba 3

Contando com um mestre de cerimônias conduzindo as histórias, o dono do antiquário, que giram em torno de algum objeto específico do estabelecimento, a HQ tem aquele tom nostálgico dos quadrinhos de terror antigos. Dependendo da sua idade, talvez você perceba que também lembra uma velha série de TV canadense, exibida no fim da década de 1980, cuja temática era similar. Sexta Feira 13 – O Legado (Friday The 13th – The Series, nada a ver com Jason, além do nome) teve episódios lançados em VHS no Brasil e chegou a ser exibida pela Globo, com o nome de A Loja do Terror.

Mantendo o acabamento gráfico bacana dos dois primeiros números, com capa colorida especial e miolo couché que  valorizam o conjunto, Catacumba #3 traz os segmentos O Anel da Falecida, A Pele que Habitei e Marionete. No primeiro, aquela conhecida dinâmica da ganância que motiva um assassinato toma um rumo inesperado. Os fãs mais devotos de filmes de terror encontrarão aqui uma homenagem explícita a um certo personagem do cinema, cuja identidade não revelaremos, mas adiantamos que o mesmo apareceu em mais duas continuações.

A segunda história envolve amores passados e atuais, imortalizados em tatuagens. Claro que não poderiam faltar assassinatos brutais e vingança. No terceiro conto, o mais interessante deles, um boneco macabro é o instrumento de vingança de um homem ressentido,  ex artesão que fazia brinquedos,  culminando em um acontecimento bizarro. A simplicidade destas tramas pode incomodar alguns leitores, mas é um traço claramente intencional deste trabalho.

Catacumba 3

Dando a deixa para o bem sacado desfecho da edição, como de praxe, voltamos ao nosso mestre de cerimônias ao final. Kiko fecha essa rodada de histórias com uma jogada metalinguística interessante, surpreendendo o leitor de uma forma positiva, mas sem abrir mão de recursos que sempre agradam quem realmente gosta de terror.

O estilo bem característico e reconhecível do artista se mantém, com suas figuras estilizadas e em alto contraste, que mostram a influência de artistas brasileiros do passado que atuaram neste gênero, comparação que fiz no texto dos anteriores. Trabalhando bem com os enquadramentos, ele consegue manter o dinamismo e a leitura flui bem, porém, algumas páginas mais carregadas tem sua narrativa visual um pouco prejudicada. Mesmo assim, o saldo final é positivo e vale a leitura.

Interessou? Conheça mais sobre trabalho de Kiko Garcia no site do artista.  Catacumba #3 pode ser adquirido pela Ugra Press, juntamente com seus dois números anteriores, e é mais uma iniciativa dentro do nosso mercado de HQ’s que merece ser prestigiada.

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