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Carlos Patati – Uma conversa virou tributo!

Nessa breve entrevista, Carlos Patati conta um pouco sobre a história dos super-heróis no Brasil

Já faz alguns meses que uma das figuras mais icônicas do mundo dos quadrinhos nacionais morreu, mas o sintoma da procrastinação impediu este que vos escreve de postar esta merecida homenagem. Carlos Patati figura entre os grandes nomes das HQs nacionais. E não me refiro apenas aos mais conhecidos das linhas infanto-juvenil, como Maurício de Souza e Ziraldo, ou das tirinhas como Angeli e Laerte, mas ao panteão de autores de HQs autorais, como os ganhadores do Eisner Fábio Moon e Gabriel Ba (Umbrella Academy, Daytripper, o fanzine 10 Pãezinhos entre outros) ou Marcelo Quintanilha (Talco de VidroTungstênio Hinário Nacional). Faleceu no dia 15 de junho deste ano, de parada cardíaca, embora já estivesse lutando contra a diabetes havia um bom tempo.

Eu tinha acabado de entrar pela janela no curso de roteiro da PUC-Rio pra assistir aulas como ouvinte, e uma amiga me chamou pra escrever o roteiro de um curta que queria fazer. Ela havia feito parte de algumas produções, e estava tentada a convencer o Luciano Szafir(!) a atuar. E no quesito seteunzisse (lábia, em carioquês), ela era perfeita. Com ator escalado, precisávamos de um CNPJ pra registrar a produção. Minha amiga disse que iria usar o registro de um conhecido roteirista.

Cantarolando a música “Patati, Patatá”, eu entrava na residência de Carlos Eugênio Baptista, sua identidade secreta. Bate-papo, troca de figurinhas, ele me mostra o seu Almanaque dos Quadrinhos – 100 anos de Uma Mídia Popular, da Ediouro, escrito em parceria com Flávio Braga. Pergunto se posso acender um cigarro. “Você ainda fuma, rapaz?”, pergunta, enquanto eu percebo uma cicatriz de traqueostomia. E assim eu conhecia o Patati.

carlos patati

Que ganhou o prêmio de melhor livro de não-ficção para jovens, concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Porrada!

Antropofágico, criou com Allan Alex o taxista Nonô Jacaré, um anti-herói que, nas páginas de Brasilian Heavy Metal e Coleção Assombração extraiu o que há de noir na malandragem carioca. Nonô Jacaré fez sua primeira corrida nos anos 1980, na revista Porrada! Special, da editora Vidente. Adicionadas no Facebook e um copo d’água mais tarde, ele me conta que pretende quadrinizar Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo, embora seu último projeto tenha sido Couro de Gato – Uma História do Samba (Veneta), com João Sánchez. Mas o que Patati gostava mesmo era de ficção científica e terror. Começou nas revistas Spektro e Pesadelo, da editora Vecchi em 1979.

carlos patati

Porrada!

Três anos após esse encontro, tive o prazer de convidá-lo para a realização deste pequeno documentário. “Só vou falar mal desses personagens, hein?”, brincou, ao saber quais seriam os heróis ufanistas presentes na pauta. “Pode falar o que quiser!”, respondi. E ele deu a ideia de incluir as duas anti-heroínas vampiras, Mirza e Naiara, no final. Foi tão solícito que até chegou um dia antes!

Pois bem, caras Formigas, Chamada Geral, originalmente o título de uma coleção comemorativa de 25 anos da extinta editora EBAL, é também o nome deste minidocumentário expositivo, participativo e performático, com a entrevista e excelentes tiradas do “Alan Moore” carioca. Como ele mesmo diria, EPARREI!

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