Stephen Hawking resume sua pesquisa sobre Buracos Negros em duas palestras!
Para alguns, inclusive eu, o aspecto mais fascinante da ciência é que, por mais que revele os segredos da natureza micro e macro, sempre conseguimos nos surpreender. E toda vez que o ser humano cogita ter alcançado as bordas do conhecimento, eis que o horizonte mostra novos e infindáveis caminhos, provando quão pequeno é o homem perante o universo e paradoxalmente quão fascinante é nossa capacidade de, aos poucos, compreender mais e mais sobre ele.

Buracos Negros é a transcrição de duas palestras da BBC ministradas por Stephen Hawking sobre o tema.
Obviamente este texto não é uma análise. Está mais para uma recomendação de leitura. Provavelmente, você é fascinado por literatura, em especial a ficção-científica. Afinal, o próprio nome deste site faz referência ao conto homônimo de Philip K. Dick, que é um clássico do gênero (falando nisso, já leu nossas análises de Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas? e Valis?). Tendo isso em mente, o leitor mais “sério” de sci-fi sempre mergulha mais fundo nos conceitos filosóficos e científicos utilizados em sua obras favoritas. Por isso, é importante que, mesmo sem um conhecimento acadêmico avançado, ele tenha à sua disposição uma literatura de qualidade e elucidativa para uma maior compreensão da base que é usada na ficção, independente da mesma não ser muito acurada cientificamente.
Promovida pela rede de televisão britânica BBC e transmitida pela rádio BBC 4 em 2016, Stephen Hawking, um dos físicos teóricos mais famosos da atualidade, participou da série de palestras BBC Reith Lectures, em que a cada ano uma figura proeminente em sua área é convidada a discorrer sobre temas relevantes. E é claro que Hawking iria falar sobre Buracos Negros, assunto que é destaque em suas pesquisas por décadas. O livro Buracos Negros – Palestras da BBC Reith Lectures (Black Holes: The BBC Reith Lectures) é a transcrição dessas palestras dadas em janeiro e fevereiro do ano passado, publicado pela editora Intrínseca.
(Aproveitando que o assunto é Stephen Hawking, que tal também dar uma olhada nesta animação explicando a famosa “Teoria de Tudo”?)
Afinal, o que sabemos sobre buracos negros?
Nas palestras, intituladas “Buracos Negros não tem cabelo?“ (Do Black Holes Have No Hair?) e “Buracos Negros Não São Tão Negros Assim“ (Black Holes Ain’t as Black as They are Painted), Hawking apresenta de maneira bem resumida e didática toda a linha do tempo da pesquisa sobre Buracos Negros, desde sua concepção hipotética inicial até as teorias mais recentes como a radiação Hawking e a ideia matemática da supertradução, que tem como objetivo explicar o mecanismo pelo qual a informação é devolvida por um Buraco Negro. Segundo essa teoria, a informação ficaria de alguma forma impressa no horizonte de eventos. No aguardo para evoluções dessa pesquisa.
A temática de Buracos Negros tem fascinado cientistas e escritores durante anos, e pelo visto continuará fazendo. Prato cheio para histórias de ficção-científica, esse ralo espacial se encontra nos limites da física como conhecemos atualmente.

Stephen Hawking, um dos principais pesquisadores de buracos negros, em sua juventude.
Mesmo que você não seja um pós-doutorado em exatas, não se preocupe. É claro que a leitura exige o mínimo de conhecimento sobre astronomia e física, mas nada que já não seja familiar para um leitor de ficção-científica mais ligado na ciência real. A linguagem que Hawking usa é didática e bem humorada, aproximando o leitor do assunto ao invés de afastá-lo. Se você já leu Uma Breve História do Tempo e/ou O Universo Numa Casca de Noz, dois dos livros mais famosos do professor, verá que a linguagem aqui é muito mais acessível. Para ajudar, a edição traz algumas notas explicativas feitas por David Shukman, editor de ciências da BBC News.
Seja como fonte de conhecimento ou até mesmo de ideias para roteiros ficcionais, Buracos Negros – Palestras da BBC Reith Lectures é uma leitura rápida, didática e agradável. É possível terminar a leitura em pouquíssimo tempo (mesmo!), mas seu conteúdo vai perturbar a mente dos mais inquietos durante muito tempo – até a entropia, talvez?