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Os Estranhos: Caçada Noturna – Acertos e erros!

Há uma abordagem ligeiramente diferente em Os Estranhos 2

Nos primeiros minutos de Os Estranhos (The Strangers), o diretor e roteirista Bryan Bertino não se apressa nas construções dramática e atmosférica. Ele apresenta os personagens, o conflito que os atormenta e explora pacientemente a tensão originada pela situação principal: mascarados torturando física e psicologicamente um casal de namorados. No entanto, uma vez que essa ameaça se torna clara, o ritmo inicial é substituído por jumpscares, perseguições e recursos que, quando mal empregados, atrapalham a experiência cinematográfica. Por consequência, a atmosfera e o drama iniciais cessam de existir. Já em Os Estranhos: Caçada Noturna (The Strangers: Prey At Night), há algumas ideias distintas, mas elas não são suficientes para evitar os mesmos problemas do filme anterior.

os estranhos

Roteirizado pelo próprio Bertino ao lado de Ben Ketai e dirigido por Johannes Roberts, o longa oscila entre escolhas ousadas e convencionais. Quando há a impressão de que os realizadores evitarão as facilidades estruturais que sabotam a maioria das obras do gênero, surge uma cena que nos faz abandonar a expectativa criada anteriormente. Esse é, aliás, um problema que perpassa a narrativa da metade ao fim. Até os minutos derradeiros, as opções corajosas são antagonizadas por momentos derivativos.

Curiosamente, isso funciona até um certo ponto. No começo, quando há a apresentação dos personagens (uma família cujo rosto mais conhecido é o de Christina Hendricks, de Demônio de Neon), tudo indica que a relação estremecida entre os pais e a filha mais nova (a protagonista interpretada pela jovem Bailee Madison) se estreitará a partir do instante em que eles tiverem de juntar forças para fugir dos assassinos. Porém, depois de um evento ocorrido logo no começo, é evidente que o arco dramático da personagem não se restringirá somente a esse aspecto. Invariavelmente, isso acaba deixando a história imprevisível.

Contudo, essa subversão saudável não é a regra e o que se tem, na maior parte do tempo, é uma variação entre bons e maus momentos. Se uma cena como a da piscina sugere um diretor ciente dos poderes da decupagem e da encenação (o que é corroborado através dos vários planos gerais que exploram a relação dos personagens com o ambiente ao redor), as más decisões que compõem o terceiro ato apontam para um sujeito ansioso apenas por recriar os símbolos visuais do gênero sem que haja uma real compreensão dos seus efeitos e do que eles significam do ponto de vista dramático.

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Uma nostalgia descabida

Inclusive, Os Estranhos: Caçada Noturna é mais uma produção que tenta homenagear clássicos do horror e navegar nessa onda recente de nostalgia pelos anos 1980. No caso dos primeiros, as referências aos filmes de John Carpenter são evidentes (indo das mais explícitas — como Halloween — às menos óbvias — Christine – O Carro Assassino). Já no caso da segunda, o sintetizador usado nos créditos iniciais e o emprego de canções de artistas como Bonnie Tyler e Air Supply têm a clara intenção de recorrer preguiçosamente a um expediente repetido exaustivamente nos dias de hoje.

No entanto, algumas dessas homenagens geram um efeito reverso e servem apenas para nos fazer lembrar de filmes melhores do que aquele que estamos vendo. Em última instância, são resumos perfeitos da esquizofrenia que caracteriza o longa de Johannes Roberts: ideias que vêm de lugares criativos, mas que estão completamente inconscientes das consequências que acarretam. É um filme que dá com uma mão para tirar com a outra.

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