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OLDBOY (2013) – Inútil! (Estreia em 05/06/2014)

Ahhh, as malditas refilmagens… Alguém me corrija se eu estiver falando besteira, mas a preguiça mental hollywoodiana por trás da ideia de refilmar um sucesso, estrangeiro ou não, decorre do raciocínio que o filme é uma espécie de marca, e como tal, atrairá os fãs do original, correto? Dou o braço a torcer que, comercialmente falando, isso é bem compreensível, desde que a proposta seja tomar o conceito principal e desenvolve-lo por outro caminho, senão o pagante se sentirá roubado por já saber tudo que acontecerá, então ele descerá a lenha no filme, muito dinheiro irá para o ralo e Hollywood dirá que foi azar. Algumas dão certo, claro, mas é o caso aqui? O título já entregou minha opinião, mas continue lendo.

Quando a “vítima” da refilmagem já é uma adaptação de outra mídia, pode-se optar por retrabalhar esse material e assim trazer algo que pareça novo. O ótimo Oldboy original, dirigido por Chan-Wook Park em 2003, foi adaptado do mangá homônimo, e fora do evento-chave que move a história, tomava uma caminho bem diferente de sua fonte. Quando começaram a falar sobre uma versão norte-americana do aclamado filme sul-coreano, rumores diziam que seria uma nova adaptação do mangá, que, diga-se de passagem, é bem ruim em termos de construção de personagens e estica sua trama de uma forma que lembra novela da Globo. Sua adaptação para o cinema, em 2003, não só lapidou monstruosamente o roteiro, como fez o favor de torna-lo famoso fora do Japão. Depois do barulho em torno do anúncio do novo filme, mais temores no ar. Steven Spielberg e Will Smith foram citados como envolvidos, houve aquela rodada de boatos e, felizmente, nada disso se concretizou. Quem assumiu a bronca da nova versão foi o inesperado Spike Lee, e ficou claro que o objetivo da produção era seguir mesmo o filme ao invés do mangá.

Joe Ducett (Josh Brolin) é um publicitário alcóolatra e canalha, que na noite do aniversário de três anos da filha, é sequestrado e mantido preso em um quarto de hotel, de localização desconhecida. Sem saber o motivo de seu encarceramento, passa vinte anos nesta situação, onde pela TV descobre que foi implicado no estupro e assassinato de sua ex-esposa. Sendo libertado de repente, é obrigado pelo seu desconhecido raptor (Sharlto Copley) a descobrir o motivo por trás de tudo, com limite de tempo. Caso se recuse ou falhe, sua filha será assassinada. Correndo contra o tempo, ele é ajudado pela enfermeira Marie (Elizabeth Olsen), que entra na trama por acidente, e Chucky (Michael Imperioli), seu colega de escola. Se você viu o original, percebeu que está quase igual, mas o problema é que ao assistir esta refilmagem, conforme eu comentei no primeiro parágrafo, você já saberá exatamente o desfecho, exceto por um ou outro detalhe modificado de leve. Pode haver algum interesse por não acreditar que a cara-de-pau dos realizadores foi tão longe assim, mas quando você confirma que foi mesmo, já é tarde demais e você perdeu 104 minutos da sua vida.

O terno preto e o martelo estão lá. Já a densidade psicológica...

O terno preto e o martelo estão lá. Já a densidade psicológica…

 “Mas e eu, que não vi o original?”  Você fica menos frustrado, admito, mas agora é preciso entrar nos méritos desta obra como se ela fosse única, e mesmo assim o cenário não é tão animador. A apresentação do personagem principal exagera na carga da amoralidade etílica, caindo na caricatura unidimensional pura e simples. Esse detalhe faz o cativeiro de Joe perder o impacto, já que não há nenhum grau de empatia entre o público e ele, nem o aprofundamento psicológico que a história necessita. Não culpo Josh Brolin, ou qualquer um do elenco, por desempenhos abaixo da média, pois parece claro que não foram ajudados por um diretor ou um roteirista inspirado. O roteiro força situações – fundamentais para a trama – que não convencem em momento algum, o que nos faz esperar que alguma explicação brote na tela antes do fim, o que não acontece.

A construção visual do filme também vai no tranco. Recriando uma sequencia de luta icônica do original, Spike Lee nos dá a impressão que não estava enxergando bem naquele dia, pois a cena é completamente insossa, os inimigos parecem errar de propósito e em momento algum sentimos que Joe corre algum perigo. Para não dizer que é tudo descartável, a fotografia combina com o clima proposto e o bom gosto dá as caras em alguns momentos pontuais, com alguns movimentos elegantes de câmera e transições de cena interessantes. Pena que isso se destaca pouco, pois colocar Samuel L. Jackson como um personagem que tem uma pilha de “motherfucker” em suas falas, já demonstra como a equipe tinha vontade de ser criativa. Chegando ao final, na condição de espectador recém-apresentado ao universo de Oldboy, é provável que você realmente se surpreenda com a explicação de tudo, mas não é o bastante para justificar como todo resto foi elaborado.

Sharlto Copley, o vilãozinho excêntrico!

Sharlto Copley, o vilãozinho excêntrico!

Em algum momento, alguém vai dizer que não se pode comparar o Oldboy de Spike Lee com o de Chan-Wook Park. É possível mesmo ignorar o original quando uma refilmagem tenta imitar ao invés de entender? Como deixar de observar aquilo que funcionava muito bem em um, se fracassa miseravelmente no outro? Melhor assumir logo que a culpa é dos produtores, não de quem esperava assistir a um filme melhor. Esse é o tipo de produção que ao naufragar nas bilheterias, como aconteceu mesmo, nos sentimos tentados a dizer: “Bem-feito!”

P.S.: Mais uma vez lembrando-me do filme de 2003, fiquei na dúvida se o novo também dá uma explicação para o título. Como não o verei novamente, se alguém puder me responder, agradeço!

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