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Missão: Impossível – Nação Secreta – Tem fôlego!

Missão: Impossível – Nação Secreta foi comentado no Formiga na Cabine!

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Você já está de saco cheio de franquias dominando o cinema? Normal, mas enquanto render, o negócio vai continuar, muitas vezes apoiando-se também no potencial mercadológico do ator principal, outro fator que desanima o público a fim de um pouco de ousadia e novidades. Pode-se divagar muito sobre quais as alternativas deste sistema e para onde ele vai, mas enquanto esse pensamento domina, é bem bacana ver produções que, mesmo dentro desta máquina, parecem ser feitas com carinho pelos envolvidos. Mais legal ainda é que estamos falando de um quinto(!) filme da mesma marca, reinventando uma série de TV com quase cinco décadas.

Missão: Impossível – Nação Secreta

Missão: Impossível – Nação Secreta (Mission: Impossible – Rogue Nation), como projeto, já começa bem por um detalhe simples, mas quase sempre perceptível – para o bem ou mal – em outros casos. Tom Cruise, retornando como o superespião Ethan Hunt, demonstra uma disposição real de estar ali, algo que vai além da capacidade interpretativa dele. O fato de também produzir o filme leva isso a outro nível, já que assim pode arriscar-se mais em sequencias sem dublês, algo que até cheira a estratégia de marketing, mas fica o benefício da dúvida para o cara. Continuando a tradição de trazer um diretor diferente a cada filme, que conta com intervalos maiores entre um e outro, comparando com outras cinesséries, Christopher McQuarrie (Jack Reacher, também com Tom Cruise) comanda a nova aventura, roteirizada por ele mesmo a partir de um argumento de Drew Pearce (Homem de Ferro 3).

Missão: Impossível – Nação Secreta

Trama básica. A organização IMF está sob investigação e tem suas atividades suspensas, enquanto Hunt descobre a existência de um grupo denominado O Sindicato, informação que é tida como invenção pelos escalões do departamento de inteligência. Agora como renegado, ele precisa evitar ser pego ou morto, pela própria CIA, enquanto procura descobrir as reais motivações inimigas e provar que o perigo é real. No meio do emaranhado de clichês de espionagem, a beldade da vez é Rebecca Ferguson no papel de Ilsa Faust, agente de comportamento duvidoso a serviço do Sindicato. Para quem viu os anteriores, o elenco de apoio carismático conhecido retorna, com Jeremy Renner, Ving Rhames e Simon Pegg trazendo bons alívios cômicos, mas nunca limitando os personagens a isso apenas. Com seus 131 minutos, este novo Missão: Impossível acaba pecando pela duração, já cansando um pouco lá pelo seu terço final. Entre as sequencias de ação e correria, o excesso de informações acaba deixando alguma confusão sobre o propósito de algumas atitudes. Ainda que falhe nisso, é algo que estraga a experiência?

Missão: Impossível – Nação Secreta

Claro que não! O conjunto se sustenta pela qualidade visual, não só das cenas de ação, que merecem elogio por vários motivos. Um deles é que apesar do escopo de um blockbuster de espionagem, não existe aquele exagero explosivo que vemos a torto e a direito no cinema, com McQuarrie fazendo um belo trabalho na decupagem da correria, que nunca fica confusa para o espectador, e entrega uma boa dose de adrenalina bem distribuída pelo filme inteiro. Entre essas sequencias o recheio também se destaca, afinal o diretor de fotografia é Robert Elswit, parceiro de Paul Thomas Anderson que trabalhou também em O Abutre – além do Missão: Impossível anterior – caprichando nos contrastes de cores e no jogo de claro e escuro.

Missão: Impossível – Nação Secreta

Sempre é melhor analisar cada filme ignorando os anteriores, mas como esquecer o Owen Davian, vilão do terceiro filme, interpretado por Philip Seymour Hoffman? Sean Harris, de Prometheus e Livrai-nos do Mal, faz um bom trabalho aqui com seu Solomon Lane, mas a própria natureza do roteiro já o deixa um pouco apagado na história. Nem chega a ser um ponto negativo, mas, como a própria franquia criou um parâmetro de comparação, vale o comentário. Ao fim, Missão: Impossível – Nação Secreta acerta bem mais do que erra e entrega uma aventura acima da média, provando que não há problema em reciclar clichês, desde que todos os envolvidos sejam competentes e estejam a fim de fazer um bom trabalho. Isso significa que, neste momento, nem importa discutir para onde essa franquia vai ou quanto mais ela ainda pode durar, então – por enquanto – só resta curtir. Divirta-se!

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