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A Ovelha Negra – Entre Irmãos!

A Ovelha Negra

Um concurso para eleger o melhor carneiro da região. Uma antiga briga entre dois irmãos que são vizinhos e não se falam há 40 anos. Uma infecção que põe em risco o sustento de todo um vale. Essas são as inusitadas peças que colocam esse interessante e surpreendente filme islandês, escrito e dirigido por Grímur Hákonarson, em movimento. Indicado da Islândia ao Oscar, A Ovelha Negra (Hrútar) acabou ficando fora da disputa, mas já é uma vitória conseguir um lançamento e visibilidade mundial, feito incomum para um filme dessa nacionalidade. Por vezes engraçado, às vezes triste e sensível, o filme é – no mínimo – uma experiência diferente, que usa de um cenário remoto e um drama aparentemente regional e específico para falar de temas universais.

A Ovelha Negra

O filme acompanha Gummi (Sigurdur Sigurjónsson), um criador de ovinos que tem em seu rebanho, especialmente em seu carneiro premiado, o objeto de sua afeição. Ele tem como seu vizinho o irmão Kiddi (Theódór Júlíusson), com quem não fala há 40 anos e que também tem sua vida pautada na criação do gado. Os dois mantém uma disputa silenciosa para ver quem tem o melhor carneiro da região e depois de Kiddi vencer um concurso, Gummi acaba descobrindo que o animal vencedor está infectado com uma terrível e contagiosa doença, que pode causar uma epidemia generalizada no vale, obrigando os criadores a abater seus rebanhos. Isso obviamente vai gerar uma comoção na região, visto que o gado é o principal meio de subsistência lá e vai agravar ainda mais a desavença entre os irmãos, obrigando-os a voltarem a se comunicar, mesmo que seja para insultar ou ameaçar o outro.

A Ovelha Negra

A fotografia faz um belo trabalho, aproveitando os cenários bucólicos e usando belos planos abertos que passam a sensação de solidão e isolamento dos personagens. As atuações são naturalistas e impecáveis, também nos ajudando a imergir na história e no drama daquelas pessoas, que por mais comuns e simplórias que possam parecer, são tão humanos em suas qualidades e defeitos que acabamos nos identificando e nos importando com eles. Além disso, até mesmo pela economia nos diálogos e o modo como a narrativa se desenrola, há uma certa sensação de mistério que paira sempre no ar. Isso é um dos maiores trunfos do filme, pois seu ritmo lento e personagens lacônicos fazem com que nem sempre seja fácil assisti-lo, mas a sensação de que há algo mais na história, de que algum evento maior irá acontecer, mantém o nosso interesse na trama.

A Ovelha Negra

Outra coisa interessante na obra é como a relação entre as pessoas é quase sempre fria – até hostil – e praticamente as únicas demonstrações de afeto que ocorrem são dos irmãos para com os animais, seja o cachorro de Kiddi ou os ovinos que eles criam. Há um carinho e um cuidado genuíno para com os bichos e é isso que move os personagens, para o melhor ou para o pior.

Assim, A Ovelha Negra é um filme diferente e surpreendente, no mínimo. Vencedor do prêmio Un Certain Regard no festival de Cannes do ano passado, não é entretenimento fácil e exige um tanto de paciência, que será recompensada com um belo e emocionante desfecho que fica com você após a sessão.

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