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Terrace House – A subversão dos reality shows!

Terrace House é um reality show bonito de se ver

Terrace House é um reality show onde três homens e três mulheres dividem uma bela casa com dois carros e nenhum roteiro. Originalmente exibido pela Fuji Television por 8 temporadas, entre 2012 e 2015, o programa foi comprado pela Netflix (responsável pela adaptação de Castlevania) em 2015, onde teve uma temporada chamada Boys & Girls in the City, em Tokyo, um spin-off no Havaí com Aloha State. Atualmente, está sendo gravada a temporada Open New Doors, em Nagano.

terrace house

Os participantes ficam na Casa durante um período total de um ano, podendo ou não completar este ano no programa. Quando um participante acredita que já atingiu seu objetivo, ele pode escolher sair da Casa dando seu lugar para outro competidor do mesmo sexo.

Esse é o diferencial de Terrace House em relação aos demais reality shows, ele não possui uma competição ou prêmios; as pessoas que ingressam na casa vão com um objetivo claro para suas vidas. Ao retirar os prêmios e o confinamento do programa, nós podemos ver como as pessoas são em seu cotidiano, sem precisar mentir ou criarem brigas para agradar a audiência. Não espere encontrar aqui o típico momento “Não estou aqui para fazer amigos”, pois será em vão.

Mesmo com dramas esporádicos, as pessoas conseguem conviver juntas

A rotina dos participantes não é alterada – eles continuam trabalhando ou estudando, são livres para abandonar o show quando quiserem. Não obstante, podem assistir os episódios de Terrace House que são exibidos semanalmente e saber como estão se saindo, podendo assim resolver os próprios problemas com a consciência de tudo que acontece.

Os participantes tem em média 18 a 30 anos, e buscam por algo em suas vidas amorosas ou profissionais. Durante a temporada do Aloha State, a Casa recebeu intercambistas, jovens buscando por empregos de meio período e moradores locais que queriam ter novas experiências. Todos com suas próprias personalidades e manias, mas que conseguem viver um com o outro, a dinâmica entre os participantes lembram facilmente um filme do Kore-eda ou Jim Jarmusch que focam nos personagens e diálogos.

But I’ve been stealing time/thinking if I tried/everything would turn out right… Quando a música toca, o coração aquece

Terrace House é dividido em dois atos: o reality onde vemos o dia a dia dos participantes, e uma parte dedicada aos comentaristas que estão assistindo o episódio junto com o público.

Os comentaristas do programa quebram o distanciamento entre o público e o programa, nos dando a ilusão de estarmos vendo a série com alguém, mesmo se estivermos sozinhos. Formado por seis comentaristas, três homens e três mulheres, ele apresentam o programa e passam como foi a repercussão logo no início do episódio. Eles voltam a fazer seus comentários durante o programa quando ocorre um evento importante entre os participantes, dando suas opiniões sinceras e pessoais a respeito do que acontece dentro da Casa.

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O programa se foca nas interações simples e cotidianas!

Nenhum momento é desperdiçado nos 30 e poucos minutos de programa

Terrace House é um programa conceitual, que utiliza a metalinguagem ao incluir os comentaristas como audiência, e abandona o emprego do “confessionário”, nos fazendo questionar o que os participantes estão pensando. O programa nos obriga a pensar e a nos importar com as pessoas na Casa, e não com “personagens” criados para o espectador.

A montagem e fotografia são bem pensadas – indiferente de onde os participantes estão dentro da casa, nós podemos vê-los sem suas imagens se sobreporem. Utilizam a aplicação de closes e wide shots para exaltar as atividades corriqueiras, como cozinhar ou simplesmente conversar, dando significado às ações. O som também é usado com cuidado nos detalhes, como nos passos, no cozimento, nas folhas – criando uma sensação de bem-estar aos que assistem.

Inicialmente, a cultura e educação japonesa podem causar um estranhamento – não temos artimanhas ou vilões dentro da Casa que extrapolam as regras para conseguirem seus objetivos. Não há sentido de isso acontecer quando as pessoas estão cuidando das suas próprias vidas. Nos momentos onde há algum desentendimento entre os participantes, eles buscam resolver o drama de forma adulta, diretamente com a pessoa, através de conversa.

Terrace House mostra justamente a subversão da mitologia dos reality, que forçam os participantes a mostrarem seus piores lados. Aqui, existe um tipo de união, onde um ajuda o outro a vencer seus obstáculos. A irmandade é criada na hora das apresentações, onde o mais velho da casa puxa para si o posto de “irmão mais velho”, e se ocupa em dar conselhos aos mais novos. A idade é respeitada de tal forma que, quando há um relacionamento entre participantes de idades diferentes, o mais novo acaba tratando o mais velho sempre de forma polida.

Sem jogos de poder ou falsidade, são pessoas comuns com vidas comuns

Após grande destaque, Terrace House ganhou, como dissemos, um spin-off no Havaí, onde a casa recebeu um total de 16 participantes, e contou com a visita da lendária Seina Shimabukuro, a participante mais famosa do programa, e moradora da Casa na primeira temporada. Seina virou uma lenda entre os participantes e público levando a todos, especialmente os comentaristas, à loucura quando bateu na porta da casa para uma noite de bebida, conversa e muito abraços.

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Seina Shimabukuro!

Terrace House é um reality da vida real onde as pessoas genuinamente riem e choram; tem sonhos e esperanças que os fazem amadurecer e vencer seus medos. Assimilamos os participantes como pessoas reais, e não assistimos para ver quem vai dormir com quem – e sim quem vai conseguir um emprego. Ficamos felizes quando o esportista da Casa supera o trauma que teve por conta de um acidente, nos emocionamos ao saber que o pai de um dos participantes conseguiu criar os filhos sozinho e abrir seu próprio negócio com muito esforço. São pessoas comuns, com as quais todos nós podemos nos identificar.

Algo simples pode ser grandioso, e Terrace House mostra que não é necessário criar uma espécie de “aprisionamento” para saber como os seres humanos são, pois é quando pensamos que não estamos sendo vistos que deixamos nossas nossas máscaras caírem. A originalidade do programa está nos detalhes: em conseguir captar em cada gesto e olhar, e transpor essa coleção de observações em um programa de sucesso.

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