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Vingadores: O Último Evento Branco – Editoras atirando a esmo!

Vingadores: O Último Evento Branco

O plano é lançar arcos relativamente interessantes em encadernados bacanas, chamando atenção dos leitores desavisados em busca das aventuras dos maiores heróis da Terra. O encadernado O Último Evento Branco (The Last White Event) é um exemplo de como esse tipo de coisa pode dar errado. Extrair excertos da continuidade e socar dentro de um encadernado com uma embalagem bonita muitas vezes vai esbarrar no problema óbvio de que esses excertos, tirados da continuidade, não fazem o menor sentido.

Se você não acompanha a trajetória dos Vingadores, Novos Vigadores, Illuminatti, Saga Infinito, e uma infinidade de outras coisas que, para obedecer a irritante ideia de um universo indissociável (que é uma perversão da ideia de universo integrado, que é algo muito diferente), permanecem atreladas umas as outras, dificilmente vai entender plenamente o que está acontecendo aqui.

Vingadores: O Último Evento Branco

É muito diferente você pegar arcos de HQ’s solo, que são mais coesos, de pegar arcos de sagas de super-grupos, principalmente quando esses estão diretamente associados aos eventos das irritantes e infindáveis mega-sagas que assombram as HQ’s de super-heróis. E perceba, amigo leitor, que já estamos no terceiro parágrafo, e sequer citamos qualquer mérito ou demérito da HQ em si, pois sendo essa uma crítica, devemos avaliar os pontos fortes e fracos da publicação, e o ponto mais fraco é justamente relativo a decisão editorial da Marvel (já que a Panini apenas lança a versão nacional do encadernado e não tem culpa) de lançar parcialmente um arco que não só não se encerra no volume, mas também é absolutamente fora de contexto.

Sabemos que alguém pode lançar o argumento “é para colecionadores”, mas nós sabemos muito bem que o encadernado é lançado nesse formato para fisgar o precioso dinheiro de alguns amigos leitores desavisados, que vão comprar achando que se trata de uma história com algum sentido em si, e vão encontrar uma parcela de uma história maior, cujo contexto também é ainda maior. Um senhor caça-níquel, visto que esses volumes, apesar do belo tratamento, não são baratos. Bad Marvel, no donut for you.

Vingadores: O Último Evento Branco

Ranhetices à parte, o volume é até difícil de explicar, mas vamos lá. Em histórias prévias, os Vingadores começam a perceber que existem algumas ameaças realmente muito sérias no universo, e não é qualquer formação da equipe que dá conta delas. Eles precisam dos pesos mais pesados. Assim, acabam se aliando até mesmo a figuras de escala cósmica, como Ex Nihilo, Capitã Universo e o misterioso Adão, o Máscara Noturna. Neste volume, é ele próprio quem vai levantar a bola de que algo está muito errado com a estrutura do multiverso, sendo a Terra um ponto convergente desses eventos. Esses fatos levam ao Evento Branco do título. Assim, surge um sistema de defesa planetário, que encarna na figura de um rapaz, Kevin Connor.

Entretanto, o choque da sua transformação, associado ao imenso poder que agora possui, farão com que Connor, agora sob o manto de Estigma, dê muito trabalho aos Vingadores e ao mesmo tempo revelar informações extremamente importantes, não apenas para a sobrevivência da Terra, mas de todo o universo. Nas duas edições que encerram o volume, os Vingadores precisam lidar com as consequências da tentativa de “invasão” de Ex Nihilo à Terra, e também ir até Madripoor, onde o Mestre do Kung-Fu vai descobrir uma trama sinistra envolvendo o Gorgon e a Hidra.

Vingadores: O Último Evento Branco

Sobre o Estigma, uma informação interessante – ele não é o primeiro. Lá no longínquo ano de 1986 o primeiro foi criado, dentro de outro contexto. Mas nós ressaltamos isso para celebrar o talento e o conhecimento de causa de Jonathan Hickman, que assina o arco desse volume. Hickman vem de alguns bons trabalhos na Marvel, particularmente o Quarteto Fantástico, o que o coloca como um dos escritores mais consistentes e sólidos da Casa das Ideias. Se ainda não demonstra genialidade – muito talvez por conta das limitações impostas pela continuidade – ao menos ele não erra a mão, e todas os seus roteiros tem um bom timing, respeitam a história da editora e são, na medida do possível, criativas e instigantes. Aqui, ele tem a companhia do competente Dustin Weaver e do sempre sensacional Mike Deodato nos desenhos. Juntos conseguem transformar o contexto de mega-saga, que não cansamos de reafirmar que já passaram e muito da conta na repetitividade, em algo até interessante e divertido.

Vingadores: O Último Evento Branco

Claro, isso se você conseguir acompanhar todas as 200 publicações que dão contexto a coisa toda. caso contrário, você tem um encadernado que engloba 5 edições que tem pouco sentido isoladas. Mas aí estaríamos voltando ao mesmo ponto em que começamos essa resenha. É muito difícil fugir dessas críticas, mas o que podemos fazer se aparentemente os quadrinhos se tornaram um negócio tão bom e rentável, que as editoras nem ligam muito mais para o que estão lançando, contanto que seja sempre maior?  Lembrando que maior não é necessariamente melhor.

Talvez os leitores de super-heróis – como esse que vos escreve – devessem dar um tempo desse negócio de continuidade. Dar uma refrescada. Senão, vamos acabar repetindo sempre as mesmas chatices, com a mesma intensidade. E, naturalmente, vamos nos tornar tão enfadonhos quanto essas mega-sagas de continuidade que tanto criticamos…

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