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Não Era Você Que Eu Esperava – Amor e aceitação!

A jornada de aceitação em Não Era Você Que Eu Esperava

Fabien Toulmé é um francês casado com uma brasileira, que, durante a gestação de sua segunda filha, decide voltar para França. Seu grande temor é que a criança venha ter algum tipo de deficiência. Embora todos os exames indiquem um quadro normal, ele mantém alguma desconfiança, que logo se confirma e o coloca numa jornada de aceitação e auto-descoberta. Essa experiência deu origem a Não Era Você Que Eu Esperava (Ce n’est pas toi que j’attendais), trabalho autobiográfico de Toulmé, lançado originalmente em 2014 e publicado no Brasil pela Nemo.

(Acesse outras resenhas de HQ’s da Nemo: A Gigantesca Barba do Mal, Uma Metamorfose Iraniana, Paciência e Desconstruindo Una)

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Resenha de Não Era Você Que Eu Esperava

Não Era Você Que Eu Esperava

A título de esclarecimento, estima-se que, no Brasil, haja uma criança com Síndrome de Down para cada 700 nascimentos. Essa é uma condição genética em que dos 23 pares de cromossomos que normalmente possuímos (sendo um do pai e um da mãe), há um “trio” de cromossomos no par genético 21. Motivo pelo qual muitos chamam essa condição (que não é uma doença) de trissomia, ou trissomia 21. Este aspecto afeta o desenvolvimento e determina algumas características físicas e mentais.

A forma que Fabien encontrou para lidar com a realidade da Sindrome de Down e sua aceitação pelo diferente, através de sua própria filha, foi a criação da HQ. O estilo do autor é descompromissado, sem preocupar-se com realismo visual ou detalhismo, mas fiel ao compromisso de contar essa história. O traço, apesar de cartunesco, é belíssimo e serve para manter a leveza em um assunto delicado. Além disso, cada fase desta narrativa tem uma cor diferente, contribuindo com o traço para uma experiência bem agradável, determinando o tom que aquele momento precisa passar.

Resenha de Não Era Você Que Eu Esperava

A força dessa história é notável. O autor tenta, de todas as formas, ser o mais honesto possível, reconhecendo sua total aversão à Síndrome de Down e o quanto isso foi horrível para ele. Relata suas experiências com o bullying escolar, sua percepção sobre outras crianças portadoras da condição e sua total desolação. Houve também uma rejeição à sua própria filha no momento em que soube o que haveria pela frente. Por fim, acompanhamos a mudança de suas reações diante da ignorância e o preconceito daqueles que o cercam.

O conteúdo de Não Era Você Que Eu Esperava teve um apelo particular. Sou pai de uma criança portadora de autismo, que, embora não afete características físicas, compromete a cognição, a recepção das informações, interpretação do ambiente e interação com os demais. O tratamento e a dificuldade dos pais também é muito parecida, assim como os medos e frustrações. No meu caso, foi realmente difícil perceber meu filho não jogaria videogame comigo ou que não compartilharíamos do mesmo entusiasmo pelo Batman. Felizmente, ao contrário de muitos autistas, ele consegue demonstrar carinho e o faz de uma forma única. Assim como Toulmé, eu comemoro as pequenas vitórias do pequeno no dia-a-dia.

Outro ponto sensível, que não esperaríamos encontrar na realidade francesa, é a dificuldade com o tratamento. A ineficiência médica é um fator bem mais abrangente para aproximar o leitor brasileiro deste relato. Uma realidade comum por aqui, mas bastante agravada para quem cuida de crianças com necessidades especiais, lidando com burocracias de planos de saúde, alternativas caras demais e outros males.

Resenha de Não Era Você Que Eu Esperava

Uma história humana e obrigatória

Lamento se tomei tempo demais com algo tão pessoal, mas, quando uma obra gera tamanha identificação, é difícil evitar. Confesso que terminei a HQ de Fabien Toulmé em lágrimas. Não é apenas muito interessante e esclarecedora, mas também necessária. É um relato de como o amor se constrói e como as dificuldades podem ser superadas. Não Era Você Que Eu Esperava é uma ótima leitura e um excelente presente para aquela família que enfrenta uma situação parecida.  Até mesmo para alguém que quiser saber mais sobre a Síndrome de Down e estiver disposto a rever alguns preconceitos.

Só para finalizar, 21 de Março é o Dia internacional da Sindrome de Down. É uma data de conscientização das capacidades destas crianças e da importância de lutarmos por direitos iguais, bem-estar e inclusão social. Um filho especial pode não ser aquilo que nós esperamos ou desejamos, mas, ao compreendermos a situação, nos sentimos muito felizes e gratos por receber tal presente.

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