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Me Leve Quando Sair – Memórias na ponta do lápis!

Jéssica Groke estreia nos quadrinhos com um belo traço e muito afeto

Quem nunca pensou em escrever um quadrinho? Talvez depois de ler essa frase, o prezado leitor comece a pensar. Diante de boas histórias, sempre é possível ser pego por uma vontade de criar. Mas onde buscar inspiração? Primeiro o final e depois o começo? Uma trama linear ou brincar com o tempo? Escolhas, ah, essas coisinhas difíceis de serem tomadas. No fim das contas, talvez a gente mesmo seja a melhor opção. E foi nas próprias lembranças que a mineira radicada em São Paulo Jéssica Groke encontrou a motivação para o seu primeiro quadrinho, o delicado Me Leve Quando Sair.

Resenha de Me Leve Quando Sair, de Jessica Groke

Lançado de forma independente (ele pode ser adquirido na loja do site da autora) durante o Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte, a HQ nem parece ser de uma estreante na Nona Arte. O traço de Jéssica, que utiliza lápis grafite neste primeiro trabalho, mais que um estilo, é uma forma de nos aproximar da história que ela pretende contar. Mas, afinal, qual é a trama? Simples: a viagem da própria Jéssica junto com o irmão para a cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, antes dele partir para uma longa viagem. Ou seja, não é uma ficção? Sim e não.

(Curte Quadrinho Nacional? Confira também as resenhas de O Martírio de Joana Dark Side e Hinário Nacional)

A opção por não usar requadro, que a quadrinista afirmou em entrevistas ser uma limitação sua, em Me Leve Quando Sair consegue o feito de ser uma dádiva. Por se valer da própria memória, aliada com objetos repletos de significados, aqueles que nossas mães guardam em caixinhas dentro dos armários, a autora consegue simular o fluxo do pensamento. Ninguém é tão organizado ao ponto de lembrar de momentos com tantos detalhes ou mesmo na ordem exata em que aconteceram. Se o prezado leitor for assim, informo que está perdendo uma saudável forma de diversão. Ao seguirmos as lembranças de Jéssica, há o risco de perdermos alguns segundos nas nossas próprias imagens do passado. As linhas feitas em grafite fazem pensar no que desenhamos na infância e de como encarávamos o mundo e as pessoas.

Resenha de Me Leve Quando Sair, de Jessica Groke

Detalhes íntimos e intimistas

Pessoas. É disso que é feito o quadrinho de Jéssica. Motivada pela notícia de que seu irmão, Lucas, iria morar fora do Brasil, ela pegou a lembrança mais forte que tinha da presença dele e fez um quadrinho. Podia ter guardado para si ou entrega-lo para Lucas como presente de despedida. Mas teve uma coragem tão grande que resolveu entregar ao mundo algo íntimo, daqueles que a gente não comenta com qualquer um por aí. E essa intimidade pode ser sentida nos poucos diálogos de Me Leve Quando Sair. Frases curtas, à primeira vista nada importantes, mas que um novo olhar pela página, de peito aberto e coração desapertado, livre da frieza da pura análise da forma, permite ao leitor perceber que são esses detalhes que fazem a grandeza da HQ.

Jéssica Groke é uma das artistas envolvidas no projeto Tabu, iniciativa da Editora Mino que reúne mais três quadrinistas mulheres criando histórias envolvendo temas que ainda são controversos nos nossos tempos (e que foi tema de uma live no nosso canal durante o MinoDay). Se a delicadeza e o humor sutil presentes em Me Leve Quando Sair continuarem como o norte de Jéssica, podemos esperar mais uma obra que vale a pena ter na estante. A chegarmos a última página da obra, fica aquele pensamento nas muitas meninas que estão gastando neurônios diante de folhas em branco neste momento, esperando a tal grande ideia para criarem um quadrinho. Grandes ideias estão na nossa frente, às vezes escondidas nas mais banais das atitudes, como sentir saudade de um irmão que ainda nem partiu.

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