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James Bond Vol. 1 – VARGR | 007 na visão de Warren Ellis!

007 em uma aventura das mais violentas

O espião mais famoso da ficção, James Bond, nosso querido 007, não é um novato quando se fala em Quadrinhos. Dr. No, o filme que apresentou o personagem ao mundo em 1962, teve uma adaptação em HQ no ano seguinte no Reino Unido, publicada pouco depois pela DC nos EUA, em uma edição da Showcase. Em 1989, Mike Grell adaptou Permissão Para Matar para a Eclipse Comics, engatando, em seguida, a primeira história original do agente nesta mídia, batizada como Permission To Die.

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Durante a década seguinte, Bond ganhou mais aventuras impressas passando pela Dark Horse e chegando à Dynamite em 2014. Com o britânico Warren Ellis nos roteiros, a minissérie VARGR inaugurou essa nova fase, publicada no Brasil em um encadernado de capa dura da Mythos. Os fãs da criação de Ian Fleming vão comprar de qualquer jeito, assim como o público cativo de Ellis. Porém, deixando de lado qualquer fanatismo, temos aqui uma obra descartável dentro de uma carreira que já se convencionou como irregular faz tempo.

Seguindo a tradicional estrutura dos filmes, onde a abertura traz uma sequência de ação, encontramos 007 em uma perseguição de vingança pela morte do colega 008. A partir de então, o MI6 passa a agenda do falecido agente para Bond, que precisará viajar para Berlim e investigar o que parece ser um grande caso de tráfico de drogas. Evidente que existe algo muito pior por trás, com um vilão excêntrico com passado misterioso e que pretende um genocídio em larga escala. Aumentando os problemas do protagonista, capangas com próteses biônicas farão de tudo para proteger os interesses de seu empregador.

Bastante simples a premissa, como esperado em qualquer aventura do espião. Nenhum problema com isso, já que o que realmente conta é a condução narrativa. O primeiro problema é que Warren Ellis não parece ter se esforçado muito, focando suas preocupações apenas na quantidade de violência gráfica presente na história. O pano de fundo mais cruel que ele escolheu para ambientar esta trama, envolvendo até campos de concentração na Sérvia dos anos 1990, é interessante, mas são ideias desperdiçadas no fim das contas. Como em seu romance Máquina de Armas, Ellis começa promissor e perde o gás bem rápido.

A seu favor, digamos que sua composição de 007 vai agradar aqueles que preferem o assassino frio ao britânico fleumático e conquistador. Neste ponto, o roteirista sabia bem onde estava mirando e acertou o alvo, definindo seu James Bond de acordo com a orientação que os filmes com Daniel Craig* já apresentaram. Cabe aí uma reflexão do que ainda é cabível na concepção do personagem, independente da mídia, e quais os caminhos para os criadores que trabalharem com ele. Mas esse é outro assunto, então voltemos à HQ.

*(Leia também a crítica de 007 contra Spectre)

Resenha de James Bond Vol. 1 – VARGR da Mythos

Uma arte que não dá conta do recado

Com Jason Masters responsável pelos desenhos, VARGR perdeu uma excelente oportunidade de salvar-se pela competência gráfica. Talvez prejudicado por um prazo apertado, o artista peca nos cenários, que sempre se destacaram no mundo de James Bond, entregando composições com poucos detalhes, quase nada convincentes exatamente por isso. Ainda pior é prestar atenção à expressão corporal e facial dos personagens, que mantém a história morna até mesmo nas sequências de ação extrema. É difícil comprar qualquer tipo de dramaticidade quando ninguém parece estar sentindo dor ou empregando algum esforço físico ou mental.

Se as figuras e cenários são falhas isoladas, a liga que poderia trazer alguma substância ao conjunto também se mostra desleixada. A narrativa visual não emprega qualquer recurso para valorizar a HQ, perdendo a chance de usar enquadramentos mais arrojados e, por isso, banalizando os momentos com maior potencial de empolgação. Se já tínhamos pessoas batendo ou matando outras com a mesma expressão de alguém passando manteiga no pão, os ângulos e a decupagem destas cenas jogam tudo na vala do insosso.

Também temos trechos problemáticos para uma mídia visual. Em determinado momento, a personagem Dharma fica de costas para 007, mas o desenhista os enquadra individualmente. O resultado soa absolutamente estranho, pois o agente precisa VERBALIZAR o movimento dela para que o leitor entenda as posições de ambos dentro do cenário. Aliás, essa nem é a única cena em que a compreensão dos espaços físicos e sua relação com os personagens são prejudicadas.

Resenha de James Bond Vol. 1 – VARGR da Mythos

Firulas visuais que não acrescentam nada

James Bond vai voltar

James Bond Vol. 1 – VARGR não chega a ser um desastre completo, mas pode provocar a indagação se alguém leria até o fim, caso não se tratasse de uma HQ com um personagem já consagrado. O mundo da espionagem já teve momentos bem melhores nos Quadrinhos, mas isso deve importar pouco para os bondmaníacos que, com certeza, vão esperar ansiosamente a continuação. “Ah, mas a história não acaba?”

VARGR se fecha, mas tem um final relativo, já que esta minissérie se desdobra para outra chamada EIDOLON, ainda inédita por aqui. O problema é que o arco seguinte traz a mesma dupla criativa…

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