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Darth Vader: O Nono Assassino – Para os Fanboys da Força!

Darth Vader: O Nono Assassino

Não adianta. Entra ano, sai ano – e já são quarenta – mas nós simplesmente não conseguimos ter o bastante de Darth Vader. Aquele que é, quiçá, o personagem vilanesco mais carismático e reconhecível da história do cinema simplesmente rouba a cena onde quer que apareça, e parece melhorar mesmo uma história meia-boca só por aparecer. Esse é o caso de mais este gibi do selo Star Wars Legends:  Darth Vader: O Nono Assassino (The Ninth Assassin).

Publicada originalmente pela Dark Horse em 2013, essa aventura do selo Legends, que traz as aventuras do falecido Universo Expandido de Star Wars, nós temos uma aventura que procura dar um pouco de corpo à figura pretensamente bidimensional de Vader. A trama conta a história de um rico comerciante que, ao perder seu filho pelas mãos de Vader, decide se vingar. Sabendo da dificuldade inerente a missão de tentar matar aquele que é um dos seres mais poderosos da galáxia, ele forrageia diversos mundos em busca de alguém a altura da missão. Após o fracasso de oito candidatos, o homem encontra seu potencial vencedor. Implacável e frio, o nono assassino se apresenta como uma verdadeira ameaça ao Lorde Sith.

Darth Vader: O Nono Assassino

Dragado para essa trama de vingança, Vader também é confrontado por uma das muitas forças misteriosas que parecem habitar a galáxia recém-tomada pelo Império – e que poderiam até mesmo representar uma ameaça para o mesmo. A Serpente do Caos faz jus ao nome, e afirma, usando a figura de Vader, que as ideias de luz e trevas da Força são uma mera ilusão, e que o Caos é a único verdadeiro poder reinante do universo.

O volume, lançado pela Panini em capa cartonada, custando um preço razoável de R$ 18,90, reúne o arco fechado com as cinco edições que contam a história. Se pegarmos o encadernado isoladamente, ele em nada impressiona. Os desenhos de Stephen Thompson e Iván Fernandéz não são ruins, mas estão muito longe de impressionar. São, em forma e colorização, genéricos e inexpressivos, como grande parte dos quadrinhos de continuidade. Incidentalmente, ambos os desenhistas fizeram trabalhos anteriores justamente com esse tipo de proposta para as grandes.

Darth Vader: O Nono Assassino

A presença de Tim Siedell também ajuda a pontuar esse tipo de proposta no volume – Siedell é o famoso “roteirista a granel”, aquele cara que sabe fazer um feijão com arroz básico para ser entregue no prazo. Na verdade, Siedell hoje em dia é muito mais conhecido pelo seu perfil do Twitter, considerado um dos “mais interessantes” – o que quer que isso signifique no meio das redes sociais, do que pelo seu talento como escritor. Tão habilidoso ele é em ser ordinário que faz esse tipo de serviço não apenas para HQ’s, mas também para cinema e televisão. E você nunca ouviu falar dele. Não é um bom sinal, certo? Mais ou menos.

Em linhas gerais, a HQ não ofende ninguém. Seria só mais uma historinha de gibi de banca, mais uma historinha no universo de SW. Mas aí tem o protagonista…

A única analogia que este patético resenhista consegue pensar é que Vader é, mais ou menos, como bacon (me desculpem, veganos) – ele simplesmente melhora tudo onde está. Isso serve até mesmo para o próprio universo SW, já que, mesmo sendo bem produzido e criando expectativas nos fãs, o trailer do vindouro Rogue One acabou concentrando debates e atenções sobre a rápida aparição do antigo Jedi nele. E o cara não aparece por mais que alguns segundos! Isso mostra a envergadura que esse gigante da cultura pop ainda possui, e também se reflete em O Nono Assassino, transformando uma história banal e corriqueira em algo que até chama a atenção mesmo que apenas pela curiosidade.

Darth Vader: O Nono Assassino

E mesmo a história em si, apesar de genérica, ainda tem alguns detalhezinhos interessantes. Como dissemos no início da resenha, ela ajuda a dar um pouco mais de corpo para o personagem de Vader, já que, conforme estabelecido pela horrenda “nova-velha” trilogia, a queda de Anakin em Vader acabou sendo um pouco bidimensional demais. Aqui, vemos um pouco das dúvidas de Vader no seu papel não apenas de aprendiz de Palpatine, mas também seu maior emissário e figura que encarna o controle físico do Império sobre a galáxia, papel esse muito bem estabelecido nos episódios 4 e 5.

Também vemos Vader, ao encontrar a Serpente do Caos, confrontando sua existência em relação as figuras de poder que determinaram os rumos de sua vida – explicitamente o Imperador e Obi-Wan. Embora a cena em que isso é mostrado não seja nenhum espetáculo, acaba sendo sempre interessante mergulhar um pouco mais nessa figura inerentemente shakespeariana que acaba sendo Vader. Um personagem tão bom que ajuda até escritores e desenhistas medianos. Ou mesmo diretores e estúdios – não à toa, o Episódio 3 é considerado o menos pior da “nova-velha” trilogia.

Darth Vader: O Nono Assassino

Darth Vader nunca é demais. Ele é uma das poucas figuras em qualquer mídia que dá para a gente pensar em algo do tipo “mais é melhor”. Porque? Bom, o pessoal aqui do Formiga precisaria voltar ao nosso podcast para uma edição só sobre o assunto, porque ele vai muito longe. Vader é um personagem que a muito tempo transcendeu os limites da sua própria obra de origem e agora faz parte do nosso imaginário popular.

Se você, como eu, é tão fã assim de Vader, pode comprar o volume – e junte-se a mim no lado fanboy da Força.

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