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Berserker Unbound – Barbarismo e empatia!

Cenário fantástico com conteúdo humano em Berserker Unbound

É sempre interessante ver um artista conhecido investindo em trabalhos menos comerciais. No caso, o brasileiro Mike Deodato Jr., exclusivo da Marvel durante anos, colocando seu esmero realista a serviço de um roteiro do premiado Jeff Lemire (O Soldador Subaquático, O Ninguém). O resultado é Berserker Unbound, que traz elementos de Espada & Fetiçaria, mas destaca qualidades humanas.

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Resenha de Berserker Unbound

O encadernado de 136 páginas da editora Mino, com capa dura, traz a minissérie em quatro partes lançada nos EUA pela Dark Horse. Já vale a observação que a ideia parece ser os autores tratando esses arcos como temporadas de um seriado de TV, mas não se preocupe. O ciclo se fecha no fim do álbum, só deixando a situação em aberto para continuação. Porém, mesmo que não continue, já terá valido a pena.

Sobre a história, um rei bárbaro de um mundo mágico extradimensional tem sua família morta por um feiticeiro. Tentando sobreviver para buscar vingança, ele se refugia em uma caverna, com uma estranha magia rúnica que o arremessa até nosso mundo. Aqui, uma improvável amizade se forja entre ele e um sem teto que vive em uma área afastada de NY.

Os contratempos do choque cultural extremo se seguem, é claro. Algo que poderia cair em um clichê dos mais batidos, mas Lemire desenvolve seu roteiro com cuidado. Inicialmente, a estranha dupla não se entende, como seria de se esperar, já que o bárbaro não tem a menor ideia de onde está, a linguagem ou como as coisas funcionam. Essa comunicação errática vai, aos poucos, se transformando em um entendimento genuíno que não necessita de palavras.

Sem qualquer apelação piegas, soa muito natural a forma como os dois percebem que existe algo muito além das diferenças evidentes entre eles. E não, não existe nenhum tipo de Deus Ex Machina para conectar o arco de um com o outro. Simplesmente, são condições humanas e reconhecíveis por todos nós, provocando até uma bela reflexão sobre como cada um de nós vê o outro.

Eis a marca de um bom roteirista. A premissa fantástica poderia muito bem suprimir esse conteúdo mais intimista, caso não tivéssemos Jeff Lemire no comando. Ele conseguiu manter o lado violento que essa trama pede, saciando o apetite dos fãs de Conan e cia., mas equilibra esse lado humano muito bem, comprovando mais uma vez seu domínio narrativo.

Resenha de Berserker Unbound

A arte de Deodato é um colírio

Mike Deodato traz mais valor a Berserker Unbound. De fato, a história pede uma arte mais realista. Para quem já conhece seu trabalho, era de se esperar que ele entregasse sequências impressionantes de batalha e magia, mas a HQ não é composta exclusivamente por isso.

Na interação pacífica entre os dois protagonistas, ele entende e transmite de forma soberba as intenções do roteiro. É isso que mantém o ritmo e até nos faz esquecer da violência testemunhada no começo, o que só aumenta a tensão quando os elementos fantásticos precisam retornar. Entre splash pages belíssimas, a narrativa visual de Deodato também é exemplar nos momentos de puro diálogo ou silenciosos. Uma boa demonstração de como se trabalha a passagem de tempo nos Quadrinhos, controlando o ritmo visual em simbiose com o texto.

Como única ressalva, Berserker Unbound resolve sua ameaça imediata de uma forma um tanto simples. Mesmo assim, consegue evitar muitas armadilhas da fórmula com a qual trabalha, o que é louvável. No fim, a dupla Lemire e Deodato comprovam mais uma vez que é possível trabalhar sutilezas em aventuras fantásticas. Jeff Lemire já escreveu coisas bem superiores, mas a barra do autor é alta.

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