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Sétimo – Um ótimo vilão sedento por sangue!

Sétimo

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Depois de mais de quinhentos anos de confinamento, o vampiro Sétimo, último a ser despertado dos sete que chegaram à costa brasileira, se vê em um novo mundo. Sedento por sangue fresco e tomado por um sentimento de vingança, ele fará do Brasil seu novo e nefasto lar.

Sétimo é a continuação imediata de Os Sete e o foco é justamente no vampiro cujo nome dá título à obra. Obviamente este texto contém potenciais spoilers do livro anterior.

André Vianco conseguiu um verdadeiro marco na literatura fantástica nacional. Sem se preocupar com os preconceitos, o autor colocou paisagens nacionais dentro de um cenário de fantasia que não deixa nada a dever para obras semelhantes estrangeiras. Em Sétimo, Vianco eleva ainda mais essa barra, com mais personagens, elementos místicos, caçadores e subtramas que tornam a narrativa ágil e fascinante.

Imaginem que uma pessoa do século VI seja transportada para o século XVI. Por mais que mil anos tenham se passado, nosso viajante do tempo não notaria grandes mudanças a ponto de não conseguir viver nesse período. Agora, vamos imaginar uma pessoa do final do século XIX transportada para os anos 1980. Menos de cem anos teriam se passado, mas o mundo mudou de forma muito acelerada nesse intervalo de tempo, de modo que nosso segundo viajante teria mais dificuldades de se adaptar a esse novo ambiente do que o primeiro.

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André Vianco

Em Sétimo, temos um ser do século XV acordando no início do século XXI. O mundo mudou, a organização social é outra e os próprios costumes e crenças são diferentes daquelas em que o vampiro cresceu. Todavia, será mesmo que uma criatura com poderes sobre-humanos lutará para se adaptar aos novos tempos? Ou será que não adaptaria os novos tempos a ela?

Esse choque de períodos, já presente em Os Sete, continua sendo um fator importante em Sétimo, com a diferença que o último vampiro acordado é o mais violento e sanguinário de todos, encarando as mudanças de forma mais agressiva e conturbada. Vianco consegue descrever essas partes com sabedoria, dosando muito bem a descrição com o prosseguimento da trama principal, na qual o personagem título procura montar um exército de vampiros para dominar o território.

Sétimo é um vilão clássico. Cruel, sanguinário, inteligente, adaptável e cativante. É fácil gostar de odiar esse personagem, algo cada vez mais difícil de se conseguir hoje em dia. Os heróis da trama acabam ofuscados pela personalidade do vampiro, mas isso não chega a ser uma falha, pois a trama é sobre o vilão e sua maldade.

A história é mais megalomaníaca que a antecessora, algo que possibilita ao mesmo tempo coisas incríveis e outras mais exageradas. Dependendo do gosto particular do leitor, alguns acontecimentos podem soar forçados demais. Algumas motivações de determinados personagens também podem parecer um pouco rasas e o desenvolvimento de alguns poderia ser mais explorado para justificar sua importância e presença na narrativa. Mas, mesmo com esses pontos razoavelmente negativos, a agilidade e fluidez da escrita tornam a leitura extremamente agradável e divertida.

Sétimo é uma continuação que eleva a história em vários níveis. É maior, mais ambicioso, mais dinâmico e mais imersivo. Possui algumas falhas que vão incomodar menos ou mais de acordo com o gosto pessoal de cada leitor, mas nada que atrapalhe a narrativa de maneira agressiva. André Vianco merece nossa admiração, não só pela qualidade de suas histórias, como também pela sua própria trajetória árdua entre a escrita e a publicação.

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