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O Conto de Fadas – Bom para curiosos e educadores!

Símbolos, mitos e arquétipos na estrutura do conto de fadas

A Literatura Fantástica já tem seus pés fincados na cultura geral há bastante tempo, com uma legião fiel de fãs bem sedimentada ao redor do mundo. Em se tratando desse tipo de narrativa, o que distingue grande parte de seus admiradores é a voracidade com a qual consomem o material. Também é comum pesquisarem as fontes e influências de seus autores preferidos. Por isso, O Conto de Fadas, de Nelly Novaes Coelho, pode ser muito interessante para esse público curioso.

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O Conto de Fadas - Nelly Novaes Coelho

O Conto de Fadas

Mesmo servindo bem a esse tipo de leitor, o alvo da professora e pesquisadora é outro. Partindo do pressuposto que os tempos atuais necessitam urgentemente do fantástico e do transcendental, a autora dirige sua argumentação aos educadores. Em tempos imediatistas como os nossos, é difícil não concordar com ela e torcer para que a área pedagógica em peso aceite esta causa, independente do grau do esforço envolvido.

A proposta é traçar um panorama geral sobre as origens mitológicas das histórias que se convencionaram como conto de fadas. O caminho até os nomes que se notabilizaram neste tipo de escrita, como Charles Perrault, Irmãos Grimm e Hans Christian Andersen, é longo. Fontes que datam do Antigo Império Egípcio, As Mil e Uma Noites e até as novelas de cavalaria se juntam no caldeirão que deu origem a uma literatura voltada às crianças, mais ou menos, a partir do século XVII.

Não poderia deixar de citar que, apesar do conteúdo infantil que busca formar valores, o conto de fadas se constitui de arquétipos como qualquer mitologia. Seguindo o raciocínio junguiano, Nelly Novaes Coelho fundamenta sua explicação no conceito do Inconsciente Coletivo, justificando assim similaridades entre épocas e regiões diferentes. Até mesmo o trabalho do antropólogo Câmara Cascudo, estudioso da cultura brasileira, complementa esse arcabouço conceitual.

Evidentemente, o trabalho em mitologia comparada de Joseph Campbell também se faz presente para validar o esforço da autora. Uma iniciativa mais do que bem vinda, é preciso dizer, em um momento que a Educação se encontra em uma crise visível. Como os pais também podem e devem fazer sua parte em casa, aqui temos mais um grupo que se beneficiaria da leitura do livro.

O Conto de Fadas - Nelly Novaes Coelho

Príncipes e princesas, personagens comuns em contos de fadas.

Problemas na floresta

O Conto de Fadas merece ser lido por tudo que já foi citado, fazendo uma boa dupla com Branca de Neve: Os Contos Clássicos. Mesmo assim, é preciso observar que, dependendo da expectativa ou da necessidade, ele pode frustrar algumas pessoas. Quem precisar de textos mais minuciosos e aprofundados deve procurar outros títulos.

No entanto, como já foi dito que existem grupos que se servirão melhor da edição, não é esse seu verdadeiro defeito. Fora do âmbito didático da linha do tempo histórica, a autora inicia sua argumentação com um texto que se rende ao passional. Acabou até mesmo passando para frente um erro crasso comum, atribuindo a Dostoievski a autoria de uma frase famosa.

É um julgamento bastante pessoal até que ponto isso compromete o trabalho. Da minha parte, não é algo que comprometa a iniciativa ou desabone um esforço necessário por um novo paradigma na Educação. Apenas por isso, O Conto de Fadas já merece ser lido e torcemos para que inspire educadores e pais por aí afora.

Além, é claro, de trazer mais conteúdo interessante para os amantes da Literatura Fantástica.

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