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HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações

Um texto valioso para qualquer admirador das HQ’s

A História das Histórias em Quadrinhos é tão rica quanto sua produção ao longo dos tempos, evidentemente. Desfiar esse rosário através dos séculos é um trabalho complicado para pesquisadores, na mesma proporção em que a descoberta dos leitores é gratificante. Por isso, quem tiver interesse genuíno no tema, não deve deixar de ler HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações, escrito por alguém que entende do assunto: Rogério de Campos, criador da Editora Veneta (Do Inferno, Ayako).

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Lançado exclusivamente no formato digital pela Edições Sesc SP, o livro faz parte da coleção Deslocamentos. Com um preço acessível para os usuários de Kindle, leitores de todas as idades podem saber muito mais sobre os primórdios de uma arte que é muito mais do que juntar imagem e texto. E bota “primórdios” nisso, já que Campos volta até bem antes do começo do século XX, passando por contadores de histórias itinerantes na Índia e na China, que utilizavam imagens impressas e, de certa forma, também prenunciavam outra forma de arte com maior aceitação: o Cinema.

Passando pelos trabalhos do pintor inglês William Hogarth e do artista gráfico suíço Rodolphe Töpffer, este último reconhecido como precursor do que hoje chamamos de HQ, o autor resume rapidamente – pelo espaço e pela proposta – tópicos bem melhor aprofundados em seu livro Imageria. Neste sentido, quem já leu ou tem em casa esse volume robusto, talvez não se interesse por HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações. Porém, pelos tópicos que envolvem a produção na segunda metade do século passado, a pequena edição digital vale a pena. Mesmo que não tome mais do que três horas de leitura no total.

Sendo assim, direto ao que interessa, se você ainda não tem Imageria, mas gostaria de comprar em algum momento, pode antes investir um valor baixíssimo neste livro em formato digital e não vai se arrepender. Apesar do espaço limitado, Rogério de Campos faz um passeio pela produção de Quadrinhos no mundo todo, abordando as origens e peculiaridades artísticas e comerciais de cada um, assim como suas publicações mais importantes. São informações úteis não apenas para quem busca detalhes editoriais, mas também descobrir autores-chave de cada movimento.

É um texto para se ler com um bloco de anotações à mão, tamanha riqueza de eventos e características descritas ali, assim como as comparações entre elas. Leitores podem se familiarizar com os marcos de cada cena específica de cada país, assim como seus personagens dentro e fora das páginas. Em todos os sentidos, uma aula até para qualquer um que já se considere mais versado no assunto, com a vantagem de ter sido recém-lançado e, exatamente por isso, conter reflexões bem atuais.

HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações

O suíço Rodolphe Töpffer, no século XIX, desbravou uma fronteira importante em direção às HQ’s.

Poucas ressalvas em um conteúdo de valor

Com tantos elogios até aqui, é de se estranhar que exista algo a criticar em HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações. Na verdade, é algo relativo, mas com potencial um tanto explosivo nestes tempos de polarização. A propensão de Rogério de Campos ao debate político, em alguns momentos, trai uma certa má vontade do autor sobre determinados tipos de produção ou abordagens. Em outros, essas opiniões parecem simplesmente encaixadas à força ali.

Com isso, e um uso excessivo de primeira pessoa que quebra a fluência do texto, temos poucas ressalvas que podem, e devem, ser deixadas de lado por qualquer pessoa que deseje se aprofundar no mundo dos Quadrinhos.  Independente de alinhar-se ou não com essas ideias, é fundamental que a força motriz por trás dessa leitura seja descobrir mais sobre um tipo de manifestação artística tão cara a todos nós. Se este é o seu caso, ótimo.

Como conjunto, HQ: Uma pequena história dos quadrinhos para uso das novas gerações pode ter suas falhas ocasionais e não ganhar a nota máxima. Porém, acerta em cheio na disseminação do conhecimento. Para nós, já está ótimo!

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