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Dylan: A Biografia – O homem paradoxo desvendado!

Escrita por Howard Sounes, Dylan: A Biografia mostra o paradoxo da vida e da arte do compositor

Quando, em 2016, o cantor e compositor Bob Dylan foi agraciado com o Nobel de Literatura, uma turma de chatos reclamou que, com tantos escritores talentosos, o prêmio fosse parar nas mão de um músico. Se você reforçar esse coro, vai ganhar mais um motivo para ler Dylan: A Biografia, do jornalista Howard Sounes. Lançado por aqui em 2002, o livro faz mais do que contar a trajetória do jovem Robert Allen Zimmerman e seu violão pelas estradas dos Estados Unidos e, depois, do mundo, já ostentando o nome em homenagem ao poeta Dylan Thomas. O paradoxo de sua alma está em suas letras e elas transformam vidas tanto quando romances de centenas de páginas. São elas que guiam Sounes em sua busca para responder a pergunta aparentemente simples de “quem é Bob Dylan?”.

Compre clicando na imagem abaixo!Resenha da biografia de Bob Dylan

A experiência do autor com grandes reportagens sobre casos repletos de reviravoltas, que mais parecem saídos da cabeça de um roteirista, ajuda na construção de uma prosa que une informação e toques de poesia. Somos conduzidos pelas curvas acentuadas das descobertas e loucuras que guiaram a vida e a carreira de Dylan de uma forma leve e inteligente. No fim do prólogo, já estamos contando os minutos para a próxima aventura de um homem que não se contentou com as conquistas reais e criou para si uma série de acontecimentos insólitos. Sim, Dylan é um mentiroso e Sounes não faz rodeios para apresentar a versão verdadeira e a inventada de passagens da vida do cantor americano.

A chegada em Greenwich Village, o charme genuíno sendo aperfeiçoado a cada apresentação e entrevista, os amores, as brigas e as parcerias que renderam discos e, é claro, histórias, não escapam do olhar jornalístico do autor, sempre revisitando momentos marcantes para conceituar canções e álbuns, que ganham novo significado para os fãs. Uma ótima pedida é organizar uma trilha sonora a partir das indicações do livro. Cada parágrafo torna-se ainda mais delicioso de ler.

O homem e o mito

Nessa jordana de revelação de quem é Bob Dylan, Sounes buscou amigos, familiares e parceiros para traduzir por meio de lembranças o homem por trás da máscara. Sim, Dylan veste seus muitos personagens sem nenhuma cerimônia. Quem assistiu o documentário que Martin Scorsese dirigiu para a plataforma Netflix, Rolling Thunder Revue: A Bob Dylan Story, sobre uma das turnês mais criativas do músico, ao lado de nomes como Joan Baez e Allen Ginsberg, sabe que isso foi levado a pé da letra em mais de uma ocasião. Dylan pintava o rosto e usava máscaras em determinadas canções do show, tudo em nome da atmosfera, no palco e na plateia.

Resenha da biografia de Bob Dylan

Atmosfera. Aí está algo que parece guiar toda a trajetória de Dylan. Mesmo que a biografia siga uma linha cronológica e seja coesa em sua linguagem, é possível detectar um clima específico em cada uma das fases da carreira do homem, que impregna também o modo de escrever de Sounes. Quer exemplo melhor do poder das mil faces de Bob Dylan? Tanto que, além dessa biografia, o único trabalho que conseguiu chegar próximo de um retrato fiel, tanto do homem como do mito, foi o que se arriscou a entrar na brincadeira das muitas vidas inventadas do Sr. Dylan: o ótimo Não Estou Lá (2007), de Todd Haynes (do lindíssimo Carol), onde nomes como Christian Bale e Cate Blanchett fazem mais que interpretar as personas que o cantor já teve, mas refletir em cenas os elementos que guiam suas canções, desde a fase folk até a estranha conversão ao cristianismo na década de 80, sem esquecer dos muitos amores. As mulheres, aliás, são um capítulo à parte, com muitas apaixonadas por Bob Dylan, mas que acabaram tendo que lidar com as neuroses e paradoxos de Robert Allen Zimmerman.

Dylan: A Biografia é uma leitura obrigatória não apenas para quem sabe de cor as canções de Dylan, mas especialmente para quem tem certa antipatia por sua obra e não entende como, mesmo com mais de 70 anos, ele continua fazendo a cabeça de pessoas de diferentes países e idades com seus retratos únicos das dores e delícias desse mundo louco. Se a leitura da última página não fizer o prezado leitor ir atrás de tudo que esse homem já produziu, esta que vos escreve aceita reclamações. Ao som de Like a Rolling Stone, se possível.

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