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Darth Plagueis – Primórdios não primordiais!

Darth Plagueis - Aleph

Quando se fala em Star Wars, tudo se torna “Hype”. Desde que George Lucas descobriu o potencial comercial da franquia, todos os passos são pensados nesse sentido. Agora a Disney, nova dona da franquia, tenta seguir o mesmo caminho, com alguma competência a mais, porém com o mesmo objetivo: lucro.

Em 2005, foi lançado nos cinemas Star Wars Episódio III – A vingança dos Sith. Esse episódio, conclusão da trilogia que veio mostrar a transformação de Anakin em Darth Vader, trouxe também novos caminhos para expandir as histórias sobre o grande universo de SW. Quem assistiu deve lembrar-se de uma passagem importante do filme, onde Palpatine/Darth Sidious conta a história de seu mestre e sua capacidade única de manipular a morte. O futuro mestre de Anakin usa essa história para impressionar o jovem, assustado pela premonição da morte de sua amada, e para tentá-lo a se juntar ao lado negro da força.

“A história que vou lhe contar jamais seria contada por um Jedi. É sobre Darth Plagueis, O Sábio, um Sith tão poderoso que podia dominar os midi-chlorians e criar vida, para impedir a morte de seus parentes. Ele ficou tão forte que só tinha medo de uma coisa: perder seu poder,o que logo acabou acontecendo. Ele foi morto por seu aprendiz, enquanto dormia. É uma ironia, ele podia salvar pessoas da morte, mas não podia salvar a si mesmo.”

Darth Plagueis - Aleph

Em Episódio III, Palpatine fala de Darth Plagueis para Anakin!

Nesse pequeno trecho do passado, já entendemos que Darth Plagueis, mestre Sith de Palpatine, é um personagem interessante, com um drama pessoal curioso e que foi morto pelo próprio pupilo. Por ser uma informação dada no filme, não faria sentido, portanto, que essa morte fosse o grande desfecho de um livro baseado na relação entre os dois. O livro inicia justamente nessa cena.

Darth Plagueis (idem), escrito pelo vencedor do prêmio da NY Times, James Luceno, veterano em livros da franquia como A Nova Ordem Jedi, Darth Maul e outros, normalmente best sellers. Particularmente, não me atrai a forma de escrever, reta e sem grandes artifícios literários, do escritor. Acho que por costume de livros como os de seu contemporâneo George R.R. Martin, apenas um ano mais novo, me sinto pouco incentivado pela forma muito direta de Luceno. Suas cenas são sempre “preparação e entrega”, sem muitas reviravoltas. Ou seja, o que a cena promete, ela entrega, exatamente como foi prometido, sem nenhuma surpresa ou saída criativa. Depois de um tempo fica enjoativo.

Mas o livro, que narra em 3 grandes capítulos a saga do Mestre Sith e sua busca para vencer a morte, dá algumas respostas para buracos deixados pelas outras histórias contadas no antigo Universo Expandido de SW. Sua narrativa inicia cerca de 64 anos antes da Batalha de Yavin (apresentada no episódio IV) e termina contemporânea com os eventos finais do episódio I – A ameaça Fantasma, apresentando nesse intervalo tanto o personagem título quanto seu discípulo em seus arcos de busca de poder.

Darth Plagueis - Aleph

James Luceno

O livro teve seu lançamento originalmente programado para 2008, ainda na esteira da trilogia de Anakin (Episódios I, II e III) e por conta disso ele ainda está bastante ligado àqueles conceitos polêmicos como, o principal entre eles, os midi-chlorians. O problema maior é que ele foi engavetado nessa época e resgatado 4 anos mais tarde (e lançado no Brasil em 2015 pela Aleph), momento em que essas ideias já estão defasadas e, para os fãs da saga, irritantes, já que a explicação sobre as formas de vida microscópicas que geram a “Força”, é um dos fatores menos apreciados da trilogia (junto com o personagem Jar Jar Binks). Por conta disso, a obra acaba soando datada, apesar do enredo em si narrado de forma competente, sem ressalvas. Infelizmente, existe uma exagerada citação de referências de outras obras, já vista em outros exemplares do UE, coisa que torna o livro pouco funcional sozinho.

Darth Plagueis é uma leitura para fãs que já conhecem bem o universo e querem mais. Pode até expandir a experiência do cinema – ainda que a Disney já tenha criado a linha canônica da saga e englobado os anteriores no selo Legends  – e ser tão lucrativo quanto os outros livros escritos por Luceno, mas nem por isso ele chega a ser essencial.

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