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Curta é interpretação expressionista de Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski!

Animação polonesa presta tributo em grande estilo ao texto seminal de Fiódor Dostoiévski

Nesta sombria e poética animação, o diretor polonês Piotr Dumala oferece uma interpretação altamente pessoal do clássico livro do autor russo Fiódor Dostoiévski – Crime e Castigo. “Meu filme é como um sonho”, disse Dumala, em 2007, quando do lançamento desse curta. “É como se alguém tivesse lido Crime e Castigo, e então tivesse tido um sonho sobre ele“.

A versão de Dumala se passa apenas a noite. A história é contada de maneira expressionista, sem diálogos e com um fluxo alterado de tempo. O romance, complexo e de muitas camadas, é focado em alguns personagens e eventos centrais: na cidade russa de São Petesburgo, um jovem chamado Raskolnikov permanece em seu quarto escuro remoendo o crime sangrento que ele cometeu.

Ele assassinou uma velha senhora para quem ele havia penhorado seu relógio. Quando a irmã mais nova dela entra inesperadamente, ele a mata também. Ele confessa o crime para uma jovem pura chamada Sonya. Uma espécie de sinistro espião chamado Svidrigailov sabe do amor de Raskolnikov por Sonya – também dos seus pecados. O fim de Svidrigaillov – assim como o de Raskolnikov – são emblemáticos, marcando a história da literatura russa e mundial. Confira a versão de Dumala para essa obra-prima de Fiódor Dostoiévski:

Técnica tão bela quanto exótica

Dumala completou sua versão de meia-hora para Crime e Castigo (Zbrodnia i Kara, no original polonês) em 2000, depois de três anos de trabalho. Ele um método único: ele pega um painel de gesso e cobre a superfície com cola. Ele então pinta por cima da cola com uma cor escura, e espera secar. Ele usa uma faca e uma lixa para “esculpir” uma imagem, criando um efeito de eclosão, que dá a imagem um sentimento de textura. Para adicionar escuridão em uma área iluminada, ele adiciona mais tinta com um pincel.

É uma forma de “animação destrutiva”. Cada imagem existe apenas o bastante para ser fotografada, e então pintada novamente, para criar uma sensação de movimento. Uma espécie de stop-motion, mas baseada em artes plásticas. É um processo que às vezes deixa Dumala triste:

“Eu acho que, algumas vezes, quando eu faço um desenho no meu filme, eu quero guardá-lo para mim. Mas eu preciso destruí-lo porque é a técnica que eu estou usando. Eu preciso destruir cada frame para colocar outro em seu lugar, para que haja movimento. Dessa forma, às vezes eu penso que é muito sofrimento, ter que destruir o tempo todo o que eu faço.”

Mas não dá para negar que o resultado final é belíssimo. Além de uma visão única de um dos maiores clássicos de Fiódor Dostoiévski, e da literatura de todos os tempos. Talvez a parte mais interessante seja poder ao menos ter uma ideia do que essa obra apresenta, já que, mesmo sendo um clássico, muitos consideram de difícil leitura, acessível apenas aos mais interessados. Não é bem assim. Vale a leitura. Desafie-se, amigo leitor – assim como Dumala faz, destruindo sua obra para poder criá-la.

E falando em literatura, já conferiu nosso último Formiga na Tela sobre livros? Falamos sobre outro clássico: Drácula!

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