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Um homem Comum – O vilão necessário!

Ben Kingsley é um criminoso de guerra em Um Homem Comum

Um Homem Comum (An Ordinary Man) chega às telas brasileiras com algumas curiosidades. A coprodução entre Sérvia e Estados Unidos recebeu o mesmo título em português de um filme de 2012, A Common Man, dirigido por Chandran Rutnam. Outra coincidência é que ambos são protagonizados por Sir Ben Kingsley. 

Crítica Um Homem Comum

Na trama, um famoso criminoso de guerra do leste europeu é deslocado para um novo esconderijo e conta com a ajuda de sua jovem empregada, Tanja (Hera Hilmar),para não ser levado à julgamento. O problema é que o homem sem nome não quer manter-se escondido, já que é conhecido como “O General”, visto por muitos no país como um herói nacional. Aliás, este é o segundo personagem do gênero que o britânico Ben Kingsley interpreta esse ano. A plataforma Netflix lançou recentemente Operação Final, onde o ator dá vida a Adolf Eichmann, o agente nazista que foi capturado na Argentina e julgado em Israel.

O diretor de Um Homem Comum, Brad Silberling, atualmente é mais conhecido por seu trabalho como produtor de séries de TV, como Jane, The Virgin, Dinastia e a nova versão de Charmed, mas já tem 30 anos de carreira e filmes como Desventuras em Série e Vida Que Segue no currículo. Com toda essa experiência, é de se esperar que ele apresente sua competência nas telas. O filme tem uma atmosfera de cinema europeu, com valorização da atuação, momentos de silêncio bem escolhidos, uma mise-en-scène elaborada e um final inesperado. Destaque para a bela trilha sonora diegética.

Crítica Um Homem Comum

De herói à vilão

Apesar das boas escolhas, a influência da linguagem televisiva é aparente no trabalho de Silberling, principalmente nos momentos em que o diretor usa movimentos de câmera sem um propósito narrativo.Ele também assina o roteiro do filme, que é muito competente, apresentando todas as nuances, diferenças e motivações do protagonista e também de Tanja. O problema está na forma excessivamente expositiva dos diálogos que, apesar de bem escritos, são muito numerosos. Isso deixa o filme cansativo e lento.

Ben Kingsley incorpora toda a arrogância necessária ao personagem mas, em determinados momentos, lembra muito o Frank Underwood de Kevin Spacey na série House Of Cards. Até a voz ficou muito semelhante. Já Hera Hilmar entrega uma atuação titubeante. O peso de carregar quase o filme todo junto com Kingsley parece afetar a confiança da atriz. O elenco é bastante reduzido, com nomes pouco conhecidos como Peter Serafinowicz (o motorista Miro, preste atenção nele) e conta até com o filho de Ben Kingsley, Edmund Kingsley, numa rápida aparição.

Um Homem comum é um filme reflexivo que aborda bem o interior de um homem que tem convicções políticas, mas que só queria ser invisível. Ele não aponta o dedo ou faz juízo de valor mas consegue debater muito bem como um herói pode virar um vilão, quando a guerra não é mais necessária.

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