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Sing: Quem Canta Seus Males Espanta – Não ofende ninguém!

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Sing: Quem Canta seus Males Espanta

O mercado brasileiro tem a prática comum de incluir subtítulos em alguns nomes de filmes. No caso de Sing: Quem Canta seus Males Espanta (Sing) isso é muito apropriado, visto que a animação é basicamente um conjunto de histórias sobre animais antropomórficos que vivem vidas urbanas complicadas – ou simplesmente entediantes – e veem na música uma oportunidade de transcender isso. No geral não é uma grande trama, ou mesmo original – se fosse um live-action, seria outra daquelas bobagens de superação e aceitação estilo A Escolha Perfeita. Mas, sendo estrelado por animais fofinhos, a gente deixa passar por conta dos inúmeros chistes não reproduzíveis por humanos, que são até bastante risíveis. Sob efeito dessa fofice, se pode dizer até mesmo que existe ali no meio uma espécie de mistura de Os Produtores com Zootopia.

Algo que contribui para o filme ser relativamente bem sucedido em sua proposta é o elenco de intérpretes originais. Matthew McConaughey dubla Buster Moon, um empresário artístico com um inabalável otimismo que, devido aos seus inúmeros e frequentes fracassos, se acostumou com a picaretagem para fazer seu combalido teatro seguir em frente. Para tentar levantar um dinheiro, ele decide realizar uma espécie de show de calouros. No entanto, um erro de digitação cometido por sua senil secretária, Miss Crawly (Garth Jennings), acaba tornando um prêmio de mil dólares em um de cem mil. Isso, obviamente, chama a atenção da cidade toda, o que obriga um incauto Moon a realizar uma audição preliminar.

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Dali saem os outros protagonistas – Rosita (Reese Whiterspoon), uma porca dona de casa que quer um tempo para si longe de seu marido e filhos; Mike, um rato-Sinatra emulado por Seth MacFarlane, que é só um pouco mais tolerável e simpático do que seu dublador humano; Ash, com a voz de Scarlett Johansson, é um porco-espinho com muito talento eclipsada pelo seu namorado ególatra, que não tem nenhum; Johnny (Taron Egerton), um gorila criminoso, mas que quer ser um cantor apenas; e Meena (Tory Kelly), uma elefanta com problemas de auto-estima.

Todos eles juntos vão cair no engodo de Moon, até que o descobrem, mas decidem superar pela força da amizade e todos vivem felizes para sempre. Se você realmente acha que isso é um spoiler, então realmente muita coisa deve te surpreender, amigo leitor, porque Sing não esconde absolutamente nenhum tipo de surpresa ou propõe grandes plot-twists em momento algum. Isso pode fazer pensar que se trata de uma animação exclusivamente para crianças. Não necessariamente. A Illumination, produtora da animação, também é responsável por Meu Malvado Favorito, grande sucesso que, a despeito do sucesso fez entre um público mais velho, se caracteriza por um humor infantil e pueril, mas não bobo. São piadas simples, que muitas vezes apelam a uma simplicidade inerente que faz rir. Não tem nada de brilhante, mas nem toda animação precisa ser uma obra-prima. Às vezes, como é o caso aqui, pode apenas divertir.

Não que dê para relevar tudo. A animação ainda tem muitos poréns. Embora também voltada para um público mais infantil, Meu Malvado Favorito tinha como trunfo para o público adulto o humor nonsense, que é caracteristicamente mais abrangente. Já Sing não conta com iss  e os pais que acompanham os pimpolhos, se não estiverem muito dispostos, provavelmente só vão querer dormir enquanto o filme passa. Não obstante, algo que poderia ser outro trunfo da animação também é desperdiçado: as músicas.

Por dois motivos: primeiro, embora se proponha ser “diversificada”, o escopo musical do longa abrange um espectro pop-rock bem rasteiro, com tranqueiras estilo Kate Perry, as mesmas músicas dos mesmos artistas, como My Way do Sinatra ou Under pressure do Queen, ou então músicas que ninguém aguenta mais ouvir em filme nenhum, como Hallelujah – esta última, aliás, comemora aqui seu quinquagésimo bilionésimo cover usado em uma cena dramática. Parabéns pela originalidade todos os envolvidos.

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Não estamos caindo em contradição; afinal dissemos que filmes não tem sempre a obrigação de surpreender. Mas é uma imensa oportunidade perdida de apresentar para a criançada artistas diferentes, com muito mais talento, por exemplo, do que uma Kate Perry ou Ariana Grande, só para citar alguns exemplos da baixa barra musical do filme. Incidentalmente, neste mesmo tópico, o segundo motivo – seus intérpretes acabam não tendo a oportunidade de fazer mais do que as canções permitem, o que é um desperdício de talento, dado o ótimo elenco do filme acostumado aos microfones, como Johansson ou MacFarlane.

No entanto, nada disso deveria impedir você de assistir Sing: Quem Canta seus Males Espanta. Caso não tenha nada mais complexo para ver, não estiver com vontade de algo assim, ou simplesmente quiser um programa mais família, é a escolha ideal. Desligue seu cinismo adulto natural e curta algo com mais tranquilidade.

É como quando você vai ao karaokê , mas aqui, ao menos, você vai ouvir pessoas cantado direito.

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