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Sinfonia da Necrópole – Vida, morte e música!

Sinfonia da Necrópole

O novo filme de Juliana Rojas, Sinfonia da Necrópole, é um filme ousado, no que isso tem de bom e ruim. É uma comédia musical que se passa em um cemitério de São Paulo, com uma história de romance que o permeia, tornando-o – de certa forma – único em nossa filmografia. Porém, essa mistura inusitada acaba gerando mais estranheza do que algo harmonicamente original. O filme experimenta bastante e tem diferentes tons e camadas, o que é bastante positivo, mas elas parecem um tanto descoladas umas das outras e não chegam a se integrar num todo.

Sinfonia da Necrópole

Na trama, Deodato (Eduardo Gomes) é um aprendiz de coveiro sensível que não se sente confortável desempenhando seu trabalho. Tem grande dificuldade para lidar com os mortos, o que o torna quase inapto ao serviço, causando-lhe problemas com o patrão e seus colegas. Quando o cemitério tem suas vagas quase esgotadas e precisa encontrar um novo espaço para outros túmulos, Jaqueline (Luciana Paes), uma especialista do serviço funerário vem fazer esse trabalho e Deodato é designado para ser seu auxiliar. É claro que ele se apaixona por ela, mas a visão diferente que os dois têm do trabalho vai dificultar o relacionamento.

É uma história interessante e que aborda diversos temas, como a relação entre vida e morte, o medo da vida, o medo da morte, a busca por identidade e por se encontrar em algo que lhe faça sentido, a paixão, a ética profissional. Infelizmente, tudo isso fica um pouco perdido em meio ao formato e à falta de um foco narrativo mais definido, deixando a impressão de que poderia ser mais bem desenvolvido.

Sinfonia da Necrópole

Alguns números musicais são divertidos e bem executados, com algumas soluções visuais e sonoras bem criativas que acrescentam ao resultado, mas outros nem sempre agregam muito ao filme. O elenco em geral está bem, segurando os números musicais com bastante eficiência e desenvoltura. Uma ou outra atuação parece exagerada demais, caindo num humor meio pastelão, mas parece que era essa mesma a intenção.

Obviamente, Juliana Rojas é uma diretora que tem muito a dizer e seu interesse é fazer isso de maneira diferente, saindo do tradicional. Depois do interessante Trabalhar Cansa (2011), que dirigiu ao lado do habitual parceiro Marco Dutra, ela muda totalmente de tom aqui e, apesar de manter uma pequena ligação com o macabro, faz um filme muito mais leve e cômico, mostrando versatilidade.

Sinfonia da Necrópole

Enfim, Sinfonia da Necrópole é uma obra inovadora em nosso cenário cinematográfico, mas com certeza não é para todos e provavelmente vai polarizar opiniões. Por sua natureza peculiar, é meio que um filme “ame ou odeie”. Aqueles que conseguirem embarcar nessa viagem incomum possivelmente considerarão essa uma bela obra. Os que não conseguirem, terão certa dificuldade para acompanhar os 85 minutos do filme. No final, como em toda obra ousada, caberá a cada espectador decidir se a experiência lhe foi válida ou não.

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