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Sete Homens e Um Destino – Não ofende, porém…

Sete Homens e Um Destino

Alguém se anima por um filme que é remake de um remake? Improvável que você não saiba disso, mas, em todo caso, Sete Homens e Um Destino (The Magnificent Seven) é uma refilmagem homônima do clássico western que John Sturges dirigiu em 1960, adaptando a trama de um dos filmes mais famosos – e amados – de Akira Kurosawa: Os Sete Samurais, de 1954. Novamente, temos um vilarejo oprimido e com data marcada para ser barbarizado, no que um dos habitantes resolve aproveitar o tempo restante para contratar pistoleiros que possam defendê-los na hora H.

Se a ambientação de Velho Oeste se mantém, o que muda agora é a motivação da bandidagem, com um rico minerador tentando comprar todas as propriedades a preço de banana. Assegurado por um grupo armado e intimidando a população que resiste em vender a terra, ele promete voltar em pouco tempo e varrer o povo de lá na bala. A recém-enviuvada Emma (Haley Bennet, parecendo Jennifer Lawrence) parte, então, em busca de gente capaz de fazer a diferença.

Sete Homens e Um Destino

O roteiro, co-escrito por Richard Wenk, também responsável pelo remake de Assassino a Preço Fixo e Os Mercenários 2 (não é um currículo muito animador, diga-se de passagem…) e Nic Pizzolatto, arriscando no cinema depois da esplêndida primeira temporada de True Detective, parece se apoiar em um mal-estar dos EUA sob a sombra de Donald Trump. Não apenas pelo capitalismo amoral que move o vilão Bartholomew Bogue (Peter Sarsgaard), mas também pelo grupo multiétnico de heróis liderado pelo Chisolm de Denzel Washington. Além dele, temos um irlandês (Chris Pratt), um cajun (Ethan Hawke), um asiático (Byung-hun Lee), um mexicano (Manuel Garcia-Rulfo), um indígena (Martin Sensmeier) e um montanhês meio louco, sem uma ascendência tão evidente (Vincent D’Onofrio).

A referência a “heróis” e a um “vilão” no parágrafo anterior não é por acaso. Comandado por Antoine Fuqua , do previsível Nocaute, este novo Sete Homens e Um Destino é uma aula absoluta de maniqueísmo e clichês, desprezando qualquer tipo de aprofundamento psicológico que pudesse ser acrescido à nova roupagem do filme. O texto não ajuda, mas o tom da produção já fica claro em seus primeiros minutos.  Na apresentação de Peter Sarsgaard, que atua como se estivesse prestes a ter uma convulsão, já sabemos que Bogue é o cão em pessoa e o personagem é apenas isso mesmo. Do lado dos mocinhos, se o roteiro não tem substância para ninguém entregar uma atuação destacada, o carisma – pelo menos – é garantido na linha de frente, com Denzel e Chris Pratt.

Sete Homens e Um Destino

Bonzinhos, malvados e motivações simplórias e óbvias à parte, falando em nosso protagonista, é complicado aceitar que, mesmo após a Guerra da Secessão, alguém como ele tivesse um cargo de agente da lei oficial. Se você for capaz de relevar isso, além de diversas situações que você já sabe como se resolvem, é bem provável que consiga se divertir um pouco nestas duas horas e doze minutos. É muito para uma história como essa, mas Fuqua consegue se acertar no ritmo, mesmo não entregando nada notável nas sequências de ação. Também percebemos que não há esforço narrativo ou meramente estético nos enquadramentos, nem qualquer  tentativa de criar algum tipo de tensão, mas fica a seu critério julgar se: a) Ele não é capaz mesmo, ou b) Já que a história é tão previsível, por que ele deveria tentar?

Já que é tudo bem comum, a fotografia de Mauro Fiore, colaborador habitual do diretor, nem tinha por onde se destacar. Sem valor narrativo ou personalidade, o trabalho de iluminação e o tom geral das imagens é algo que se vê aos montes na linha de produção hollywoodiana. Na trilha sonora, o último trabalho do falecido James Horner – aqui acompanhado de Simon Franglen – poderia ser algo mais memorável, já que a única música fácil de lembrar é a releitura do tema do filme de 1960, criado por Elmer Bernstein.

Sete Homens e Um Destino

Sete Homens e Um Destino não acrescenta absolutamente nada a nenhum tipo de espectador. Nem por isso chega a ser ruim, só que fica naquela linha cômoda da diversão aceitável, o que  também depende do quanto sua expectativa foi reprimida antes da sessão.  Se o dia for daquele tipo que pede apenas algo passável, este é o filme. Para um remake de um remake, até que está bom.

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