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Será que 2015 começa bem para o cinema? Tente WHIPLASH… (Estreia 08 de Janeiro)

There are no two words in the English language more harmful than ‘good job’.” Ou seja, “Não existem duas palavras mais prejudiciais, para se dizer a alguém, do que ‘bom trabalho’” (tradução com um pequenino ajuste para ficar mais claro o significado!).

Esta é uma simples frase, porém marcante, pronunciada pelo exigente e temido professor de música Terence Fletcher (personagem de J K Simmons), quase ao final de Whiplash – Em Busca da Perfeição. O que isso nos diz ou desvenda sobre sua personalidade e sobre este filme? O que Fletcher busca?

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Perto de completar 30 anos (vejam só!), o diretor quase debutante Damien Chazelle parece ser daqueles novos talentos que aparecem no cinema para ficar. Dito isso, e sem rodeios neste início de resenha, Whiplash merece facilmente todo o respeito e elogio que vem recebendo pelo mundo e, ao que tudo indica, este rapaz atrás das câmeras, que também assina o roteiro, tem potencial (só vamos ter cuidado para não pressionar demais o jovem!). Este seu drama/musical vem arrebatando prêmios pelos festivais que passa e teve enorme repercussão no Festival americano de Sundance no ano passado, uma das premiações independentes mais reconhecidas do cinema.

A trama tem o ponto de partida em Andrew Neiman (Miles Teller), que é um dedicado e talentoso baterista de jazz. Ele é aluno de uma conceituada escola de música onde Terence Fletcher (J K Simmons), um professor de métodos rígidos e nada comuns, é o mais respeitado instrutor. Acontece que estar no “time” de Fletcher não é para qualquer um, pois ele é exigente e conhecido por extrair o máximo de seus alunos, mesmo através de um formato de ensino questionável e intimidador. Devido ao talento notório de Andrew, que ambiciosamente quer ser um músico perfeito e estar entre os maiores do jazz, como Charlie Parker ou Buddy Rich, a tão sonhada chance de ser um pupilo do renomado e temido Terence Fletcher aparece. Nasce aí o cerne de toda a história, o relacionamento incomum e turbulento entre os dois.

Concordo que o conto manjado de professor que descobre um aluno de grande potencial e o leva aos seus limites, para que seja alguém importante, é casual e bem familiar. Porém, fique tranquilo que Damien Chazelle te levará para um caminho completamente diferente do que você possa imaginar…

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Em princípio, o que há para dizer sobre as atuações de J K Simmons e Miles Teller, o professor e o aluno? Primeira consideração: por mais que exista na trama um elenco secundário, nada irá tirar sua atenção sobre esta dupla. Não pela incompetência dos coadjuvantes, e sim pelo que os dois personagens representam e o nível de atuação exercido por estes atores. O pai de Andrew, interpretado por Paul Reiser da série Mad About You, e sua aspirante a namorada, se tornam meros figurantes pelo trabalho que este par principal realiza. Auxiliado pela bela construção dos personagens feita por Chazelle, Andrew e Fletcher nunca são previsíveis em suas condutas e os dois atores têm uma química invejável na tela. Por mais que as atitudes de um ou outro possam até soar desproporcionais ou inverossímeis, ao final você entenderá que suas ações se encaixam bem no contexto.

Comentário extra! É impressionante como você estará incerto sobre o comportamento de Fletcher durante toda a duração do filme. O anjo e o diabo nunca andaram tão juntos…

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Além de diversas cenas memoráveis entre os dois, o diretor Chazelle não para por aí. A revelação ao público da personalidade introspectiva, excêntrica e prepotente de Andrew, através dos diálogos na mesa de jantar com seu pai, seu tio e primos, é um espetáculo à parte. Atitude arrogante, mas sincera e estranhamente atraente aos nossos olhos e ouvidos (se esse comentário de alguma forma fizer sentido!).

A narrativa também é caprichada. O desenvolvimento da trama cresce de uma forma tão natural que o extasiante clímax é um simples complemento já esperado de um conjunto tão apurado e bem equilibrado. Quando você poderia imaginar que um solo de bateria traria tanta tensão em uma sala de cinema? E a minuciosa edição das cenas finais? Desfecho brilhante! Enfim, é um trabalho inspirado, detalhista e sentimental, mesmo sendo anti-romântico. Realização de gente grande e de um novo diretor que mostra domínio de todos os componentes do filme.

Como uma apresentação de uma banda bem orquestrada, se você procurar uma falha aqui ou lá, poderá até encontrar, mas os erros se tornam imperceptíveis para quem ao final do show estiver “dançando conforme a música”, como poderá ser o seu caso.

2015 começa com o pé direito no cinema…

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