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Ouija: Origem do Mal – Mais do mesmo… de novo!

Ouija: Origem do Mal

Entre as décadas de 1960 e 70, uma família vive em uma casa mal-assombrada e a filha mais nova é possuída por um espírito maligno. Não, amigo leitor, essa não é a sinopse do ótimo Invocação do Mal 2, mas sim de Ouija: Origem do Mal (Ouija: Origin of Evil), continuação do sucesso de 2014, que trazia o subtítulo O Jogo dos Espíritos. Não posso falar do primeiro, porque não cheguei a ver, mas esse filme não atiçou a minha curiosidade para conferi-lo  ou acompanhar outros da “franquia”.

No parágrafo anterior dei uma sinopse bem geral, mas vamos aprofundar: em 1965, em Los Angeles, Alice Reaser (Elizabeth Reaser) é uma viúva que dá golpes em seus clientes, fingindo se comunicar com espíritos dos entes queridos. Suas filhas, a adolescente Lina (Annalise Basso) e a pequena Doris (Lulu Wilson), acabam participando dos golpes. Um dia, Lina diz propõe à sua mãe que compre um tabuleiro Ouija para melhorar a sua performance durante os golpes. Quando Doris começa a usar o tabuleiro para tentar conversar com o pai, um espírito maligno acaba possuindo o corpo da pobre menina.

O filme não só reutiliza características do sucesso recente de James Wan, mas de outros tantos filmes sobre espíritos e possessão, tornando-se um longa repetitivo e previsível. Todos os clichês do gênero estão ali: a casa assustadora; relação familiar complicada; Doris é meiga e inocente e se torna o oposto quando possuída; tem o padre (Henry Thomas) que é o amigo da família e vai tentar salvar o dia; entre outras características já vistas e revistas em outras obras. Se não bastasse essa repetição de fórmula, o longa apresenta personagens unidimensionais e burros, relações mal desenvolvidas e uma lógica interna que não faz sentido. É só prestar atenção após o último susto do longa (achou mesmo que esse clichê não entraria na lista?), que mesmo sendo uma cena bem feita, dentro da própria lógica dada pelo filme não faz nenhum sentido. A questão não é apenas dele não ser um roteiro que não tenta inovar em nada, mas ser ineficiente também em sua zona de conforto.

Ouija: Origem do Mal

Já a direção de Mike Flanagan tem ideias boas, porém pecando na execução. A ideia de fazer esteticamente como um filme da época em que a história se passa é muito interessante. Todos os cuidados estão ali: o zoom na lente; câmera no tripé criando uma imagem estática; fotografia granulada; iluminação com sombras nos rostos dos atores; transições em fade de um plano para outro, nesse ponto a equipe acerta. Pena que a proposta vai para o espaço quando são inseridos os péssimos efeitos especiais que mostram os espíritos malignos. Além de serem risíveis, o visual dos espíritos é genérico ao extremo. Parecem os Dementadores de Harry Potter, só que com os olhos amarelos. O mesmo pode se dizer de Doris quando está possuída. Além de o efeito ser ruim, a menina faz as mesmas coisas que outras possuídas fizeram: voz demoníaca; anda nas paredes; olhos brancos; a boca se abre até a altura do umbigo, ou seja, mais do mesmo.

Além desse tropeço, Flanagan erra no principal: causar medo. O diretor consegue em algumas cenas criar tensão, mas prefere apelar na maioria das vezes para o susto fácil. E para piorar, eles são extremamente previsíveis. Enquanto ele está construindo o suspense dá para notar onde será e como será o susto. Em um filme de terror, o errar nisso tira boa parte da diversão do público. Em Ouija: Origem do Mal é fácil tomar susto, mas dificilmente alguém sairá realmente assustado.

Ouija: Origem do Mal

O elenco acaba sofrendo com a fraca direção de Flanagan e com o roteiro, também de co-autoria dele. Os mais velhos estão péssimos. Elizabeth Reaser não consegue convencer como mãe ou esposa e não tem nenhuma química com Henry Thomas. Thomas até se esforça para que seu padre Tom tenha uma presença, mas é muito prejudicado pelo texto. As meninas são as que se destacam, o que não significa que fazem trabalhos excepcionais. Annalise Basso consegue criar camadas para Lina, não a deixando apenas como uma adolescente idiota. A atriz consegue mostrar o amadurecimento e as dificuldades das situações que ela enfrenta. Já a pequena Lulu Wilson tem presença e carisma, mas na maioria do tempo só fica mudando de expressão de bonitinha para assustadora, sem nenhum tipo de crescimento dramático. É um dos casos em que não foi melhor por conta do que havia em torno dela.

Ouija: Origem do Mal acaba se tornando um filme genérico em seu gênero. Não muda nada e tampouco adiciona algo ao gênero. É só um longa repetitivo e formulaico. Quem já viu pelo menos dois filmes de possessão vai prever – e acertar – seu final em pouco tempo. Quer ver algo assustador e com espíritos? Fique com Invocação do Mal 2, que pelo menos é bem desenvolvido e é realmente assustador, mesmo com uma história semelhante.

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