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O Vendedor de Sonhos – Tire o “H” e descubra o que ele realmente vende!

O Vendedor de Sonhos

O Vendedor de Sonhos

Há obras que tem uma mensagem muito bonita e positiva, funcionando muito bem como produtos cinematográficos. Exemplo: 127 Horas, de Danny Boyle, uma história comovente que tem uma ótima mensagem e convence como Cinema, já que o diretor pensou em todas as camadas da narrativa para contar essa história. Pois bem, o nacional O Vendedor de Sonhos falha justamente como filme. Por mais que as mensagens sejam bonitas (apesar de piegas e óbvias), Jayme Monjardim comprova que não entende direito a linguagem do cinema.

Baseado no livro de Augusto Cury, o longa se passa em São Paulo e conta a história de Júlio César (Dan Stulbach), um renomado psicólogo que quer se matar jogando-se da janela do seu escritório. Durante o ato, o psicólogo é parado pelo “Vendedor de Sonhos” (César Troncoso), um mendigo que tenta mostrar às pessoas o lado bom da vida, criticando o capitalismo e lembrando da bondade e da humildade do ser humano. Júlio acaba desistindo de suicidar-se e decide seguir o “Mestre”, que está se tornando famoso por suas mensagens, enquanto o seu misterioso passado é revelado.

O Vendedor de Sonhos

Não nego que o argumento tem pontos interessantes a se explorar, mas o roteiro de L. G. Bayão prefere tomar decisões óbvias e clichês, com o objetivo de forçar o espectador a chorar e acaba falhando nesse sentido. Além dos furos de lógica (Como um mendigo passa por toda a polícia para falar com um suicida?), o roteiro peca ao criar personagens que variam entre o unidimensional, o desinteressante e o caricato. O único personagem realmente interessante é o “Mestre”. Uma pena que mesmo que o mesmo é sabotado com diálogos óbvios e superficiais. Não há um motivo para chamá-lo por esse título, pois seus discursos são: sempre valorize família; não fique refém da tecnologia; trate o amigo como irmão; não deixe a sociedade te destruir, etc… Ou seja, a única coisa que ele ensina, já está em livros fajutos de autoajuda.

Se o o nosso “Vendedor” é o único personagem interessante, César Troncoso se mostra como o único ator está realmente bem no papel. O uruguaio já tinha mostrado em Faroeste Caboclo e O Banheiro do Papa que era um grande talento. Em O Vendedor de Sonhos, Troncoso consegue ir além e transmitir toda a bondade e sabedoria do personagem através do olhar. Além de ter uma grande presença de cena e carisma, ele é quem segura um pouco o longa. Dizer que ele é o único à vontade no papel e não é exagero, pois o resto do elenco, composto por ótimos atores, se mostra perdido por conta do roteiro e da direção. Dan Stulbach fica o filme inteiro com a mesma expressão vazia e sem graça, que mais irrita o expectador; Leonardo Medeiros se mostra extramente caricato como o “vilão” da trama, fazendo caras e bocas maléficas; e Thiago Medeiros falha completamente tentando ser o alívio cômico do filme, fazendo um personagem caricato, sem graça e inútil.

O Vendedor de Sonhos

Já que mencionei a direção de Jayme Monjardim, isso merece ser discutido por mostrar que o cineasta entende bem da linguagem televisiva, mas a de cinema ainda lhe é desconhecida. O cineasta só utiliza closes no rosto dos atores na maior parte do tempo, cortando para outro close, criando uma coleção de cabeças falantes. Essa é uma técnica que pode funcionar em novela, mas no cinema não cola. Outro truque que o cineasta tira direto das telenovelas: quando os personagens vão chorar, o diretor fecha a câmera no rosto dos atores e aumenta o som da trilha sonora, rezando para que haja alguma reação no espectador, o que não há. Além de Monjardim abusar dessas técnicas televisivas, exibe decisões estéticas que são, no mínimo, questionáveis. Os planos são feios e deselegantes, sem ajudar em nada a contar a história. E pior, o diretor não consegue aproveitar o espaço que a cidade de São Paulo lhe dá para transmitir seu recado. Uma metrópole como a capital paulista daria uma imensa força para o filme, mas parece que ela é só usada como local onde os acontecimentos se desenrolam. Em uma palavra, a direção de Jayme Monjardim é perdida.

Enfim, não há muito a acrescentar sobre esse O Vendedor de Sonhos. Tem poucas coisas interessantes, sendo a melhor a atuação de César Troncoso, mas – no fim – se mostra como algo óbvio e bobo. Só um filme medíocre de autoajuda.

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