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O Homem Invisível – Dormindo com o inimigo (invisível)!

Escrito e dirigido por Leigh Whannell, O Homem Invisível entrega uma releitura do clássico de H.G. Wells

Tanto Drácula – A História nunca contada quanto A Múmia, os dois filmes que deram origem ao Dark Universe, o novo universo cinematográfico dos monstros da Universal, foram relativamente bem de bilheteria. Reza a lenda, porém, que depois do fracasso de crítica do filme com Tom Cruise o futuro das personagens ficou incerto e o Dark Universe foi cancelado antes que pudesse, de fato, decolar. Johnny Depp não iria mais interpretar o Homem Invisível ou Javier Bardem o monstro de Frankenstein. Outro rumo foi tomado, planejando filmes com histórias independentes. O primeiro deles, O Homem Invisível (The Invisible Man), com outra equipe criativa. Para escrever e dirigir a produção, foi contratado Leigh Whannell, que havia acabado de lançar seu segundo filme, o surpreendente Upgrade: Atualização, criando um interessante equilíbrio de ficção científica com terror e ação.

Crítica de O Homem Invisível

Com somente um breve easter egg do filme de 1933, a nova versão se distancia da história de H. G. Wells. Não é mais sobre um inventor que lida com ter se tornado invisível, mas sobre uma mulher vítima de abuso. Cecila Kass (Elisabeth Moss) está envolvida em um relacionamento abusivo com um cientista que é “líder mundial em óptica”, o violento e controlador Adrien Griffin (Oliver Jackson-Cohen). Em uma cena tensa e construída com maestria, Cecilia escapa durante a noite de uma mansão à beira-mar com ajuda de sua irmã (Harriet Dyer) e depois fica hospedada na casa de um amigo de infância, o policial James (Aldis Hodge), junto com sua filha adolescente, Sydney (Storm Reid).

Algumas semanas depois, Cecilia recebe uma notícia chocante: Griffin cometeu suicídio e deixou a ela cinco milhões de dólares, a serem pagos mensalmente em depósitos de cem mil. Pequenos detalhes começam a atrapalhar a vida de Cecilia. Ela começa a se sentir observada, uma panela pega fogo na cozinha, ela esquece amostras de seu trabalho para uma entrevista de emprego.  Cada vez mais isolada e assustada, Cecilia começa a confrontar a sua sanidade quando percebe que seus novos problemas não são tão aleatórios quanto parecem e ela começa desesperadamente a tentar provar que está sendo perseguida por alguém que não pode ser visto.

Subjetivas

Por ser invisível, o terror é representado por subjetivas, desde o “terror não visto” da dinâmica do abuso, passando pelo “acho que tem algo ali” do gênero de terror que o roteirista conhece bem (e que se torna repetitivo), até o “atirar desesperadamente no nada até acertar algo”, que se faz necessário para um vilão desse tipo e para incluir um pouco de ação no longa. Quando os truques de filmagem de Whannell começam a ser usados, como uma cena em que Cecilia luta com seu agressor invisível na cozinha ou durante um ataque a um hospício, a fluência em dirigir ação se torna aparente, com sequências complexas e memoráveis, que complementam e justificam o terror de outras cenas.

Crítica de O Homem Invisível

Elisabeth Moss está excelente no papel principal, sua perturbação é crível, seu arco de personagem saindo da condição de vítima é feito com paciência e tensão. O resto do elenco é esquecível, servindo mais para permitir que Moss tenha seu momento ao sol. Como na maioria das recentes produções da Blumhouse, existem diversos tópicos da moda que podem ser encontrados no roteiro de O Homem Invisível, deixados intencionalmente de maneira vaga, como o movimento #metoo, masculinidade tóxica, patriarcado e privilégio branco. A produtora se capitalizou muito com Corra!, mostrando o auge de seu cinismo de óbvias manifestações políticas com a refilmagem de Black Christmas, parte do novo fetiche de Hollywood de fingir que está na posição de dar lições de moral ao mundo.

Felizmente, O Homem Invisível permite aproveitar o filme sem ser uma aula de estudos de gênero e diversidade, se limitando a ter como vilões os homens brancos héteros que flertam na entrevista de emprego ou estupram e batem em mulheres, crianças e homens negros de maneira invisível e violenta. O que acaba incomodando são dois buracos enormes no roteiro, desde “como ele sabia que ela estava no restaurante?” até “ele não estaria com o ferimento de ter sido esfaqueado?”, que depois que se percebe o deixa questionando o resto. Mas há um elogio a se fazer para o final, que apesar de não ser sutil, evita segurar a mão do espectador, podendo até gerar um dos famosos “explicando o final de O Homem Invisível para espectadores desatentos.

Com orçamento de nove milhões de dólares, O Homem Invisível certamente não terá problemas em recuperar seu investimento, embora não se possa prever como será a resposta da crítica. Não que deva fazer diferença, teremos filmes dos Transformers até a extinção da humanidade, não importa o quanto a crítica os desabone. Já existem outras interações em desenvolvimento para o Universo-Não-expandido dos monstros da Universal, como Dark Army, filme de Paul Feig, provavelmente numa pegada similar a Deu a Louca nos Monstros (1987). Também foi anunciado um filme sobre Renfield, produzido pelo Robert Kirkman (The Walking Dead), um Frankenstein dirigido por James Wan e… A Mulher Invisível, dirigido, produzido e interpretado por Elizabeth Banks. Talvez demore um pouco mais do que o esperado consolidar a franquia, afinal.

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