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O Grito – Sem sustos e sem novidades!

Dirigido por Nicolas Pesce, O Grito é um jumpscare genérico com imagens mórbidas que elimina qualquer alegria da sala de cinema

O que começou com dois curtas-metragens dirigidos por Takashi Shimizu em 1998, se tornou a franquia O Grito, que já conta com nove filmes japoneses e quatro americanos. Um dos mais recentes é um crossover com a franquia O Chamado, Sadako vs. Kayako, de 2016. Na nova iteração, a premissa continua a mesma e é mostrada através de um texto na tela nos mal-executados 10 minutos iniciais: quando alguém morre sob o domínio de extrema raiva ou tristeza, uma maldição é criada no local da morte. Aqueles que o encontram acabam morrendo e a maldição renasce repetidamente, passando de vítima para vítima.

Crítica de O Grito

Contado em ordem não-linear, O Grito acompanha as histórias de quatro núcleos de personagens, começando com Fiona (Tara Westwood) que traz a maldição do Japão para os Estados Unidos, levando-a a assassinar o marido e a filha.  A casa onde ocorreram os assassinatos foi vendida pelos corretores de imóveis Peter (John Cho) e Nina (Betty Gilpin) que acabaram de descobrir que o bebê que estão para ter irá nascer com uma doença genética rara chamada adrenoleucodistrofia (ADL). Peter precisa de algumas assinaturas e visita a casa sem saber o que o espera.

Os próximos moradores são William (Frankie Faison) e sua esposa Faith (Lin Shaye). Eles são casados há cinquenta anos e Faith tem uma doença terminal. William chama a assistente de suicídio Lorna (Jacki Weaver) para ajudá-lo a colocar fim ao sofrimento de Faith. Lorna rapidamente avalia que Faith não está em condições mentais para tomar a decisão consciente de terminar a própria vida, mas oferece ficar alguns dias para ajudar com o cuidado dela. Por fim, temos os dois detetives, Muldoon e Goodman. Muldoon acabou de perder o marido para o câncer e está se esforçando para criar seu filho sozinha. Já Goodman ainda não se recuperou da perda de seu parceiro anterior Wilson (William Sadler) para uma aparente loucura.

Os detetives são o ponto alto da narrativa quando passam a investigar um acidente de carro com o corpo de uma mulher que está ligado de alguma forma à casa no 44 Rayburn Drive, onde Goodman trabalhou numa investigação, o mesmo caso que levou seu parceiro ao hospital psiquiátrico.

Crítica de O Grito

Mais do mesmo

O roteirista e diretor Nicolas Pesce parece ser um criador talentoso, mas O Grito é repleto de jumpscares que não assustam, rostos monstruosos que aceleram em direção à câmera e fantasmas que aparecem quando se desliga a luz. Todas as cenas previsíveis estão presentes: mão no cabelo dentro do chuveiro, uma banheira cheia de água suja, tentativa de afogamento na pia, cobertas sendo puxadas de noite, uma menina arrepiante, automutilação, nariz escorrendo sangue, luzes piscantes e muitos, muitos vultos.

Cada cena parece seguir uma fórmula: personagem em atividade mundana (de preferência dentro de um banheiro) ouve um barulho. Ao investigar o barulho, público identifica entidade sobrenatural, mas o personagem não a vê. Personagem investiga mais até que toma um susto. Repita até personagem morrer de maneira brutal. O que salva é a montagem, que ajuda muito a manter o interesse na história, já que a ordem não-linear ajuda a mascarar a repetição que ocorre em cada cena.

Quando consegue abrir mão dos clichês e não está no meio de um monólogo de diálogo expositivo, o filme têm alguns conceitos que ainda conseguem chamar a atenção, como o arco do personagem do detetive Wilson, que tem um confronto interessante com Muldoon no hospital psiquiátrico. Uma sequência na sala de evidências da delegacia também cria forte tensão, embora com um final previsível.

Crítica de O Grito

O elenco de O Grito é excelente e cumpre sua parte, desde os olhos tristes e expressivos de Andrea Riseborough (de Mandy) ao choro culpado de Betty Gilpin ao perceber que seu bebê nascerá com ADL por conta dos seus genes. Masas interpretações não são o suficiente para dar vida aos 94 minutos de filme. É uma pena que a história não tenha juntado todos os arcos para um final mais coeso, ao invés de deixar cada ciclo se encerrar sem consequências para o arco geral. Mesmo a interessante ideia de usar a maldição em benefício próprio de uma das personagens é abandonada.

A cinematografia é bem realizada tecnicamente, mas a decisão de encher a maioria dos frames com imagens sujas e feias deixa um ranço extra para a obra, uma fascinação mórbida e sádica em ver as personagens sofrerem sem algum sentido ou esperança. Não há luz ou alegria na vida de ninguém, então não é tão trágico quando sofrem ainda mais. Mesmo nos filmes mais pesados do gênero tem algum elemento que aproxima o espectador das personagens, ou faça torcer por elas. Torcer que escapem, que sobrevivam, que o martírio que estão sofrendo seja justificado de alguma forma. Do mesmo jeito que se assiste esperando que a refilmagem seja justificada de alguma forma.

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