Home > Cinema > Nós – A previsibilidade do suspense!

Nós – A previsibilidade do suspense!

Novo trabalho de Jordan Peele, Nós flerta com o terror

Depois de alcançar o sucesso com o regular Corra!em 2017, o americano Jordan Peele lança seu mais novo trabalho cercado de expectativas dos espectadores e da crítica. Nós (Us) traz novamente Peele também como roteirista e narra a história da família Wilson, que decide passar as férias em uma baía próxima à praia de Santa Cruz, na Califórnia. Toda a paz e serenidade da viagem acabam quando eles começam a ser aterrorizados por um grupo de doppelgängers, criaturas transmorfas que assumem perfeitamente a forma física de qualquer ser humano. 

Crítica de Nós (Jordan Peele)

É um tema bastante atrativo e também recorrente na história do cinema, facilmente passível de cair na mesmice ou  surpreender o espectador com reviravoltas e um clímax bem construído. Nós se encaixa mais na primeira possibilidade. O desenvolvimento da história, a partir da metade da projeção, é fraco e perde-se ao trilhar o caminho da previsibilidade, atestado por um epílogo que quase faz ruir todo o trabalho do diretor. Há também um desnecessário intertítulo no começo do filme, pois o mesmo aparece durante a narrativa e só funciona como repetição para o espectador mais desavisado. Não chega a ser um grande problema, mas incomoda.

Já os primeiros momentos do longa são bem conduzidos por Peele e sua inegável habilidade para o suspense.Porém, nada comparável ao estilo Hitchcockiano,conforme afirmaram alguns críticos na imprensa internacional. É apenas eficiente. O diretor sabe como realizar os movimentos de câmera típicos do gênero e trabalhar em doses homeopáticas o uso do som como instrumento de tensão e provocação, sem soar falso ou prejudicar a narrativa.  É elegante também o recurso da direção de arte para potencializar objetos de cena e estabelecer conexões temporais necessárias ao filme.

Outro destaque vai para a apaixonante trilha sonora, que arrebata ao trazer elementos sombrios e músicas no melhor estilo gangsta rap da Costa Oeste americana, enriquecendo a narrativa e apresentando elementos de tonalidade diegética e extradiegética. É impagável ver uma cena repleta de incertezas embalada por “Fuck tha Police” do grupo N.W.A.

O elenco e a sátira política 

Lupita Nyong’o ( de Pantera Negra) interpreta Adelaide, a matriarca da família Wilson, e também sua cópia, chamada Red. O desempenho da atriz é máximo, criando uma persona emotiva e transtornada psicologicamente para Adelaide e uma algo caricatural, animalesco e sombrio para Red. Já Winston Duke vive Gabe, marido de Adelaide e o personagem mentor das principais gags e tiradas cômicas, outro acerto do diretor.

Crítica de Nós (Jordan Peele)

A sátira é um elemento importante, principalmente pela identidade política e os desdobramentos que ocasionam para a análise crítica. Há uma representação da marginalização e exclusão social, além do reflexo da violência e sua exploração catártica provocada sobre nós e os outros. Talvez Nós seja o próprio espelho da sociedade estadunidense violenta e denunciada por Peele.

Entre altos e baixos, mas na média dentro do gênero, este novo trabalho de Peele é apenas um bom filme que poderia desfrutar melhor desempenho se não fosse usurpado pelo próprio desenvolvimento e o epílogo fraquíssimo.

Já leu essas?
Sam Raimi - Darkman
Sam Raimi e o filme perfeito de super-herói no Formiga na Tela!
Alta Ansiedade - Mel Brooks
Alta Ansiedade, de Mel Brooks, no Formiga na Tela!
Doutor Estranho - Full Moon
Doutor Estranho como você nunca viu no Formiga na Tela!
Django - Sergio Corbucci
Django, o original de Sergio Corbucci, no Formiga na Tela!