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Liga da Justiça: Deuses e Monstros – Valeu, porém…

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

Depois da reformulação editorial da DC Comics, que em 2011 deu origem à fase Novos 52, seguiu-se uma série de decisões questionáveis dentro de uma nova administração. Uma delas dizia respeito ao departamento de animação, até então contando com o respeitadíssimo produtor/diretor Bruce Timm (um cara a quem até dedicamos um artigo e um videocast), que acabou afastado sem muita explicação. A partir de então, as séries e os tradicionais longas, lançados direto em home video, padronizaram-se em um estilo com muito menos personalidade.

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

Em setembro de 2014 foi anunciado um novo trabalho do animador, desta vez em parceria com a produtora de conteúdo online Machinima, empresa que acabou no mesmo barco que a DC, já que foi absorvida pela Warner (leia sobre os projetos em andamento AQUI). A empreitada do veterano envolveu a Liga da Justiça, mas não a tradicional. A proposta do longa Liga da Justiça: Deuses e Monstros (Justice League: Gods and Monsters) é trabalhar com uma equipe de um universo alternativo, focando na Trindade da DC. Aqui o Superman é filho do General Zod, adotado na Terra por imigrantes mexicanos. Batman é Kirk Langstrom – o Morcego Humano do Universo regular da DC – um cientista que sofre uma mutação que o transforma em um vampiro. Completando, a Mulher-Maravilha é Bekka dos Novos Deuses, exilada na Terra após um resultado traumático em seu noivado com Orion.

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

Com Timm como produtor e criador do argumento, gerando um roteiro escrito por Alan Burnett, seu parceiro em Batman – The Animated Series, o longa foi dirigido por Sam Liu, que também já tem muita experiência em animações da DC. Não teria como dar errado, não é? Bem, isso é relativo considerando o grau da sua expectativa, mas alguém conseguiu mesmo frea-la a partir da confirmação dos envolvidos e da websérie que apresentou os personagens?

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

A história apresenta essa Liga mais linha-dura, que não se importa em tirar vidas de inimigos durante suas operações. Pessoas comuns e a imprensa protestam contra sua atuação e a Casa Branca os vê com desconfiança. Entre a primeira sequencia e apresentação dos personagens, vemos outras figuras conhecidas da DC em contextos diferentes, como Steve Trevor, Lex Luthor, Ray Palmer e Will Magnus entre outros. Quando cientistas começam a ser assassinados, as evidências parecem confirmar atentados feitos por cada um dos três membros da Liga da Justiça, o que os coloca agora como alvo de um ataque do governo, a fim de neutraliza-los de uma vez por todas. De cara já sabemos que eles são inocentes, apesar de sua postura agressiva, e que existe algo que precisam descobrir rápido sobre as pessoas em volta. Nada muito complexo e nem esperávamos isso. O que faltou então?

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

Quase tudo de super-heróis consagrados, quando ambientado em realidades paralelas, rende coisas muito interessantes e traz mais liberdade aos criadores. É preciso admitir que, levando em conta apenas o conceito, Deuses e Monstros deixa qualquer fã da DC com água na boca, mas já vimos histórias mais empolgantes em alguns episódios especiais de Superman Animated e Liga da Justiça Sem Limites, e esses não tinham a liberdade das histórias alternativas ou uma duração mais longa. Apesar do padrão elevado da animação e as ótimas cenas de ação – muitas bem violentas – o desenvolvimento dos personagens e dos conflitos do roteiro acabam não fazendo jus a um acontecimento envolvendo Bruce Timm, entregando um trabalho que pouco se destaca em uma carreira como a dele, que se mantém notável por toda sua contribuição.

Liga da Justiça: Deuses e Monstros

Nada disso significa que alguém deveria deixar de comprar Liga da Justiça: Deuses e Monstros, mas apenas que um universo tão legal poderia ser melhor aproveitado. Fica para a próxima! De qualquer forma, aqui se estabelece mais um cenário para outros escritores e artistas brincarem à vontade, até mesmo em quadrinhos derivados, mas veremos novamente essas versões animadas de Superman, Batman e Mulher-Maravilha em ação, já que uma segunda temporada da websérie foi prometida para 2016. Talvez venham acompanhados de outros heróis clássicos repaginados para esta realidade… Ou encontrem os originais… Não importa qual a situação ficcional, mas como Bruce Timm ainda tem (muito) crédito na praça, vamos ver o que ele ainda tem para nos mostrar.

Mas é bom controlar a expectativa!

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