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Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas – O melhor!

Novo local, novos personagens e a mesma história em Hotel Transilvânia 3

O primeiro Hotel Transilvânia (2012) era, antes de tudo, sobre o relacionamento entre pai e filha. Acompanhamos a vida solitária de Drácula. Dedicado ao seu hotel, família e amigos, ele deixou de lado sua vida amorosa, já que o “tcham” acontece só uma vez na vida. O “tcham” aqui se trata do amor à primeira vista. Após a morte de sua esposa, quando sua filha Mavis ainda era criança, o conde resolve criar o hotel como um refúgio de férias e segurança para todos os monstros, sem tempo para um envolvimento romântico.

Crítica de Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas

Logo no início de Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas (Hotel Transylvania 3: Summer Vacation), somos transportados ao passado, onde vemos Drac e seus amigos lidarem com o caçador de monstros Van Helsing. Ali mesmo mesmo ele já demonstra o desejo de um local seguro para todos os monstros. Voltando ao presente, Drac está trabalhando sem parar no hotel, junto com sua filha e genro.

Ao ver seu pai cansado, Mavis tem a ideia de tirar férias relaxantes a bordo do Cruzeiro Monstro, com todos os seus amigos. Apesar da relutância em tirar férias em um “hotel, só que na água”, Drácula aceita e assim começa um novo capítulo em sua vida.

O novo filme retoma a dinâmica entre pai e filha quase que da mesma forma que o primeiro, mas com a diferença que agora é Mavis quem se torna super protetora do coração de seu pai. Uma reação normal que traz empatia pela personagem, pois apesar dos filhos amarem seus pais e desejarem o melhor para eles, ainda existe o medo de perdê-los ou de vê-los machucados. Infelizmente, o roteiro foca nesta parte um pouco tarde demais.

Vemos um pouco de desenvolvimento nos melhores amigos do conde, que antes não passavam de figurantes com nomes. Frank, Murray, Wayne e Griffin fazem de tudo para que Drácula volte a sair e a se divertir. Uma das cenas memoráveis, ao menos para os pais que levam seus filhos ao cinema, é a cena de quando Wayne e Wanda, o casal de lobisomens, descobrem que há uma creche no navio e não entendem porque que alguém cuidaria de graça de crianças.

Crítica de Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas

Enquanto a turma do Drácula ganha um pouco mais de destaque, Johnny, o genro, some quase completamente da história, não fazendo nada de interessante ou importante até a batalha final entre Drácula e Van Helsing. O personagem gosmento Blobby tem mais ações e acaba até conseguindo a atenção do espectador em alguns trechos, dada a falta de Johnny ou de Dennis em tela. Dennis, o neto, que já cresceu um pouco do segundo filme até aqui, tem seus momentos em tela, junto da amiga Winnie e seu cachorro Puppy / Bob.

O embate entre modernidade e os mais velhos, usados até a exaustão em Hotel Transilvânia 2, continua na primeira parte deste novo filme. A diferença é que aqui o roteiro consegue tirar algumas risadas brincando com a moda da vida real dos assistentes pessoais virtuais, como Siri e Alexa, que nunca entendem o que tentamos pesquisar.

A escolha dos roteiristas e a parte técnica fazem a diferença em Hotel Transilvânia 3

O roteiro desta nova aventura é assinada pelo diretor Genndy Tartakovsky (do memorável Clone Wars e recém saído da 5° temporada de Samurai Jack ) e Michael McCullers, já conhecido por seu trabalho em O Poderoso Chefinho. Os dois corrigiram a falha dos dois filmes anteriores, trazendo entretenimento para os pais e responsáveis que estão assistindo ao filme. Tiradas rápidas que passam despercebidas pelas crianças, piadas com tentáculos, avião ou até mesmo com dardos tranquilizantes garantem algumas risadas, assim como piadas de “tiozão”. Mesmo assim, não podemos esquecer que se trata de um filme de Adam Sandler (a voz original de Drácula) e seus amigos, então se prepare para a piada escatológica obrigatória de seus filmes.

Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas demonstrou evolução técnica também. Belos cenários, enquadramentos que valorizam cada cena e luz e sombra conferindo maior profundidade ao cenário. A física aplicada à animação, como em casos em que algo pesado cai na água, é convincente e traz mais prazer para o espectador que repara nestes detalhes.

Um fato interessante a notar é que o tempo passou para os personagens também. Vemos Mavis com a cintura maior, típico das mães que ainda não voltaram ao corpo antes da gravidez, e Drácula com mais rugas ao lado dos olhos.

Crítica de Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas

Temos a entrada de dois novos personagens. Um deles é o já citado Van Helsing, o eterno inimigo dos monstros, e sua bisneta Ericka, que carrega em si uma dualidade. Afinal, o que nos difere dos monstros? Vale lembrar que a dicotomia do bem e do mal já foi discutida no filme anterior pelo pequeno Dennis, que se pergunta se ser monstro é bom ou mau. Desta vez, Ericka é quem traz o questionamento, desenvolvido até o final.  Aceitação, amor e desapego são mostrados de forma sutil, por baixo de um filme mediano.

Porém, conforme o filme vai se aproximando de seu desenrolar, somos lembrados que se trata de uma animação dirigida ao público infantil. O filme acaba por seguir a fórmula de seus antecessores e resolve os problemas de forma rápida, fácil e previsível, não exigindo muito do espectador que será obrigado a passar horas com uma música chiclete na cabeça.

No final, Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas é um bom filme para passar a tarde. Visivelmente melhor que os anteriores, mas ainda assim com os problemas usuais, o filme cumpre bem seu papel primordial de divertir as crianças.

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