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Holocausto Brasileiro – O horror, o horror!

Holocausto Brasileiro

Em 20 de novembro de 2016, às 21:00, a HBO lançará, no canal MAX, o bom documentário Holocausto Brasileiro, que retrata o Hospital Colônia de Barbacena, onde estima-se que cerca de 60 mil pacientes morreram em seu período de funcionamento. O prefácio do livro, que serviu de base à produção, fala que “o repórter luta contra o esquecimento”. Essa parece ser a melhor definição desse trabalho de Daniela Arbex. A jornalista mineira é engajada em apresentar as histórias de pessoas que não estariam em capas de jornais. Quando lançou seu livro homônimo, em 2013, ela trouxe a luz uma história real e esquecida do passado brasileiro e foi convidada pela emissora a transformar seu trabalho em audiovisual.

A comparação com o Holocausto da Segunda Guerra foi feita, inicialmente, pelo médico italiano Franco Basaglia, que, após uma visita ao instituto, observou a semelhança com um campo de concentração. Ele não estava exagerando. Era um cenário de “guerra”. Esse sentimento pode ser reconhecido também a partir das fotos e registros cinematográficos feitos à época e que também estão no documentário, ajudando a mostrar o contexto daquele cenário de tragédia.

Holocausto Brasileiro

Daniela Arbex na TV Cultura!

Mas, apesar de toda a comoção que o tema possa gerar, o documentário, dirigido por Armando Mendz e a própria escritora, não busca ser melodramático. A montagem, que durou um ano e meio, foi feita por Fábio Cabral e tem um tom mais jornalístico, com certo afastamento do drama. Produzido por Roberto Rios e Maria Angela de Jesus, da HBO Latin America, apresenta não apenas o fato, mas tenta revelar o contexto em que as pessoas envolvidas viviam, em uma época que os fatores históricos e culturais davam respaldo ao que hoje é interpretado como barbárie.

A autora, que deu uma coletiva ao final da apresentação, não aponta culpados. Ao invés disso, o documentário convida-nos a uma reflexão sobre o papel da sociedade, da época e a atual, na desumanização dos pacientes, no descaso com aquelas pessoas que, muitas vezes não tinham uma doença neurológica, mas que, aos olhos da maioria daquela época, tinham algo pior: eram indesejadas. Epilépticos, alcóolatras, homossexuais, prostitutas, moças grávidas de seus patrões e crianças rejeitadas pelos pais por não serem perfeitas, entre outras pessoas em condições desfavoráveis.

Holocausto Brasileiro

Condições desumanas para os internos!

Através de relatos de ex-funcionários, ex-pacientes (chamados de sobreviventes no documentário, o que faz todo o sentido), familiares e pessoas que documentaram aquele momento, temos a noção de que aquele depósito de pessoas descartadas era a forma com que a sociedade brasileira da época tratava com seus “dejetos humanos”. Varrendo os para baixo do tapete da história. Longe dos olhos, longe do coração.

Analisando superficialmente o contexto atual, podemos achar que houve um avanço no tratamento dado aos pacientes psiquiátricos, porém ainda existe uma névoa que os esconde da maioria da sociedade. A vergonha de lidar com essas pessoas ainda está presente, quando na realidade deveríamos lidar com a vergonha de ter essa mancha em nossa história. É preciso que esses assuntos sejam levantados de tempos em tempos, como fez a revista O Cruzeiro, em 1961, ou a HBO, nos dias de hoje, para que não voltemos a esquecer. Ou a cometer os mesmos erros.

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