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A Festa – Uma comédia dramática, política e intrigante!

O teatro filmado no filme A Festa

Uma comédia dramática pincelada por bons momentos de humor negro. Essa é a melhor definição para o filme A Festa (The Party). Escrito e dirigido por Sally Potter (Porque Choram os Homens e Yes), o filme nos leva à casa de Janet (Kristin Scott Thomas, de O Destino de Uma Nação e Tomb Raider: A Origem), política de esquerda idealista. Após ter vencido as eleições para o cargo que tanto desejava, a de ministra da saúde britânica, decide dar uma festa aos amigos mais íntimos. Enquanto os convidados chegam pouco a pouco, Bill (Timothy Spall, visto recentemente na série Philip K. Dick’s Electric Dreams), o marido e professor universitário aposentado, fica sentado em sua poltrona ouvindo música e completamente estático. O que seria uma simples comemoração acaba se tornando um caos por completo, quando Bill revela a todos um importante e chocante segredo.

Crítica do filme A Festa

Com ares de teatro, já que há apenas a casa de Janet e Bill como cenário, Potter desenvolve uma trama intrigante sobre preconceitos, infidelidade, amor, obsessão, política e intelectualidade britânica. “O teatro filmado”, por assim dizer, é atraente e se encaixa perfeitamente na maneira como a diretora conduz sua narrativa para estabelecer o jogo e intriga entre os personagens. Remete diretamente à recente e belíssima obra de Roman Polaski, Deus da Carnificina. A estética em questão aqui, diferente da obra de Polanski, é desconstruída com o uso de diversos primeiríssimos planos para aumentar ainda mais os efeitos de desconfortos dos personagens, como também a imersão no íntimo sensorial de cada um deles.

Integralmente em preto e branco, o trabalho fotográfico do excelente Aleksei Rodionov está impecável. Além dos primeiríssimos planos, há o uso da profundidade de campo para mostrar personagens em múltiplas situações, como também, em sua maioria, enquadramentos abertos que são usados para manter todos os personagens em ação na tela. Mesmo utilizando-se desse recurso, consegue ainda manter a essência do enclausuramento a partir da primeira grande revelação de um dos personagens da trama.

Construção e desconstrução

É exatamente esse o cume da narrativa montada por Potter em A Festa. A construção e desconstrução dos personagens em através de revelações e intrigas, o que o aproxima da obra dinamarquesa Festa de Família, de Thomas Vinterberg (A Comunidade). Patrícia Clarkson (da série Maze Runner) é a ativista política e sarcástica April, que a todo momento critica e ironiza a conduta e comportamento de seu marido “hippie”, Gottfried (Bruno Ganz, de Asas do Desejo). Martha (Cherry Jones, da série 24 Horas) é homossexual e companheira de partido de Janet, que acaba tendo problemas com a namorada Jinny (Emily Mortimer, de A Livraria), ao descobrir que a inseminação artificial levou à gravidez de trigêmeos. Por último, o economista Tom (Cillian Murphy, de Dunkirk), que chega à festa psicologicamente alterado, também prestes a revelar um importante segredo.

Crítica do filme A Festa

Mergulhando o espectador em diversos momentos de tensão, mas sempre trabalhando o potencial do humor, Potter nos entrega uma obra intrigante e chocante, apesar de sua curtíssima duração de 71 minutos, gracas às resoluções que se apresentam. Também, é claro, se aprofunda em assuntos pessoais e políticos de cada um dos integrantes da trama.

Este é aquele tipo de obra cinematográfica onde o importante é a maneira como construções ou desconstruções dos personagens  transformam o enredo, e não o contrário. Com prólogo e epílogo idênticos e intrigantes, o filme A Festa foi uma aposta vencedora de Sally Potter, entregando ao seu público a medida certa entre tragédia e comédia.

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