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A Dama Dourada – Acerto com o passado!

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Entre os inúmeros e terríveis prejuízos à humanidade gerados pelo nazismo está o roubo e perda de muitas obras de arte, que foram tomadas de seus verdadeiros donos durante a Segunda Guerra Mundial e grande parte jamais foi devolvida. A Dama Dourada (Woman in Gold), de Simon Curtis, baseado em uma incrível história real, narra a luta para que algumas dessas obras fossem devolvidas à sua herdeira de direito, uma senhora austríaca judia chamada Maria Altmann, que, para escapar dos nazistas, teve que fugir de sua terra natal para os EUA, e é vivida aqui por Helen Mirren. Porém, mais do que recuperar um patrimônio pertencente à sua família, tratava-se de fazer justiça e acertar minimamente os erros do passado. A história é contada de maneira eficiente, mas o resultado fica um pouco aquém do que poderia ter sido, tendo em vista a grandiosidade da premissa e do fato no qual é baseado.

A Dama Dourada

No filme, após encontrar uma carta de sua falecida irmã falando sobre a herança da família, Maria, há tempos radicada nos EUA, solicita os serviços de um jovem advogado, filho de uma velha amiga, também descendente de uma tradicional família austríaca e que não se encontra em uma boa fase profissional e financeira. O rapaz, meio hesitante no início, topa ajudá-la e eles dão início a uma longa busca pelos direitos dela de reaver as obras de arte de sua família que se encontram num famoso museu de Viena, o Belvedere. Em especial o retrato de uma querida tia de Maria, Adele, feito por um famoso artista da época chamado Klimt. Esse quadro, que ficou conhecido como Woman in Gold (A Dama Dourada do título), vale milhões e tem uma enorme importância cultural para o país, portanto a briga por ele não será nada fácil e nem justa. Mesmo após encontrarem provas que demonstravam que o museu não tinha o direito de reter as obras, os caminhos para os dois são sempre fechados pelas manobras do governo austríaco e dos representantes do museu. Porém, é claro que o obstinado advogado não vai desistir e buscará todos os meios possíveis para levar a luta adiante. Tudo isso é entremeado por belas cenas do passado de Maria e sua família, antes e durante a chegada dos nazistas em Viena.

A Dama Dourada

Os personagens são interessantes e há um bom espaço para o relacionamento entre os dois. Maria é uma senhora franca e bem humorada, sem travas na língua e o jovem advogado, interpretado por Ryan Reynolds, é um tanto inexperiente, mas inteligente e decidido. Os dois vão brigar, se reconciliar, brigar de novo e assim por diante, forjando nisso uma amizade e aliança que será o coração do filme. Helen Mirren está bem e eficiente como sempre e Ryan Reynolds surpreende, numa atuação mais contida, sem suas habituais caras e bocas, e mostra que no papel certo pode se sair bem. Um dos destaques do elenco de suporte é Tatiana Maslany, de Orphan Black, que emociona como a jovem Maria.

A Dama Dourada

Um dos maiores problemas do filme é que algumas situações soam um tanto forçadas e alguns personagens um tanto quanto caricatos, o que prejudica a sensação de veracidade da história. Além disso, a narrativa segue bem a fórmula de dramas de tribunal, não apresentando nenhuma novidade ou surpresa.

A Dama Dourada

Assim, A Dama Dourada acaba sendo um drama eficaz, com uma boa história no centro de tudo, uma bela reconstituição de época para as cenas do passado, um elenco aplicado e alguns bons momentos de emoção, mas que deixa a sensação de que poderia ter ido além e de que a própria história merecia algo mais. Talvez com um pouco mais de ousadia e criatividade, poderia ter sido um filme realmente marcante.

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