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Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa – Longe do objetivo!

Margot Robbie brilha apesar de poucos recursos em Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa

Dirigido por Cathy Yan (seu primeiro filme de estúdio após Dead Pigs), Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn)é o oitavo filme do Universo Estendido DC e também o primeiro a receber uma censura 18 anos nos EUA (o que significa 16 anos no Brasil). Após tomar um pé na bunda do Coringa, Arlequina (Margot Robbie, de Era Uma Vez…em Hollywood) está sem proteção e exposta à todos que têm “uma queixa” contra ela, por ações que variam de ossos quebrados a homicídios.

Crítica de Aves de Rapina

O roteiro de Christina Hodson é extremamente simples: um diamante foi roubado por uma criança, Cassandra Cain (Ella Jay Basco), e o item está sendo procurado por Roman Sionis, o Máscara Negra (Ewan Mcgregor, de Doutor Sono). Arlequina será morta por ele, agora que não tem mais a proteção de Coringa, mas se oferece para recuperar o item em troca de… bem, nada. Roman avisa que a matará assim que ela devolver o item a ele.

A essa história são adicionadas algumas camadas para dar a impressão de complexidade: o diamante tem impresso em sua estrutura os códigos de contas bancárias com muito dinheiro, Cassandra engoliu o diamante e Arlequina fica esbarrando em uma policial, uma assassina e uma cantora. O roteiro é complicado e recheado de flashbacks, intermissões, interrupções, rebobinadas e quebras de cena que fazem parecer estarmos sempre nos quinze minuto iniciais de filme, nunca decolando completamente.

Aves de Rapina tenta ser Deadpool, com piadas rápidas e quebras de quarta parede, e Arlequina é uma boa opção para entregar esse comportamento, mas o roteiro nunca a deixa brilhar por completo pela necessidade de apresentar quatro personagens novas. Continuando o estilo de cortes rápidos, diálogo expositivo, música alta e figurinos brilhantes e coloridos de seu antecessor, a sequência inclui diversas referências a desenhos animados, uma hiena de computação digital e muitas lutas acrobáticas.

Crítica de Aves de Rapina

Batman mata, Arlequina não

Arlequina ataca policiais com cartucho bean bag e bombas de glitter, mostrando que os criadores não sabem direito o que fazer com a personagem. Ela é uma mulher abusada, buscando independência após um relacionamento tóxico? Uma assassina? Mercenária? Não se sabe se é uma supervilã, uma heroína ou uma anti-heroína, apoiando-se na sua loucura como base da personagem. Isso não é necessariamente ruim, se ela tivesse muitas coisas para fazer e uma história interessante a seguir, mas isso não acontece.

A protagonista está bêbada e é salva de homens maus pela intervenção de Dinah Lance, a Canária Negra (Jurnee Smollett-Bell) que, graças à intervenção, é recrutada para trabalhar como motorista para Roman. Também, finalmente, foi das HQs para as telas, Victor Zsaz (Chris Messina), que é um prazer ver no cinema, ainda mais pareado com Roman Sionis. Mas, infelizmente, as duas personagens são terrivelmente subutilizadas, principalmente para um universo estendido.

Renee Montoya (Rosie Perez) é uma detetive que teve sua promoção roubada por um colega homem e está de olho no movimento referente ao diamante. Helena Bertinelli, a Caçadora, (Mary Elizabeth Winstead) teve sua família morta na sua frente pelo chefe da máfia atual e está em busca de vingança. Essas diferentes histórias se juntam em um final compartilhado, embora não merecido.

Margot Robbie domina novamente

Margot Robbie controla as suas expressões faciais com a habilidade de Jim Carrey e revela instintos em cena primorosos, criando uma persona viciante de assistir. Ex-psiquiatra, Arlequina tem praticamente um superpoder de interpretar os desafios psicológicos das pessoas instantaneamente, mas também é extremamente ágil e eficiente em trucidar uma barragem interminável de capangas mal-intencionados, uma espécie de John Wick circense. Sob a narração constante da protagonista, são apresentados uma dezena de personagens, entre eles as titulares Aves de Rapina que, como previsto pelo trailer, tem pouquíssima participação. Não é à toa: Margot Robbie foi a melhor parte de Esquadrão Suicida e é a melhor parte de Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa.

Crítica de Aves de Rapina

Os criadores tomaram a decisão acertada de evitar o caminho escolhido para Mulher-Gato, colocando uma mulher como vilã principal.  Porém, ao fazê-lo, o filme sente a necessidade de reforçar seu “girl power” mostrando o quanto ruins os homens são com as mulheres, como a constrangedora cena em que Sionis obrigar uma moça a tirar a roupa e dançar na mesa de seu clube, em um momento tão sem utilidade e sentido que deveria ter ficado na ilha de edição.

Nem tudo está perdido. Os trinta minutos iniciais são incríveis, com uma cena muito bem dirigida da investigação da cena de um crime que mistura efeitos especiais e storytelling como poucos filmes já fizeram. Tem outra, memorável, em que Arlequina foge com um recém adquirido (e apetitoso) sanduíche-de-ovo-pós-bebedeira que é um equilíbrio ótimo de humor e ação, além de mostrar o potencial que a personagem tinha no filme.

Algumas cenas de ação são bem realizadas, com sacadas interessantes e criativas, como a perseguição de patins que parece um cruzamento de De volta para o futuro 2 e Indiana Jones e a Última Cruzada. É um prazer ver mais da geografia fantástica de Gotham, como o Amusement Mile e o Founders Pier, evitando o estranhamento geográfico de Coringa de parecer ambientado em uma cidade “normal”.

Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa é barulhento, colorido, frenético e se destaca de Mulher-Maravilha e Capitã Marvel por suas piadas de vômito pós-bebedeira, escumadeira para filtrar cocô e uso de cocaína para bater em capangas. Com tanta originalidade, é decepcionante pensar no que o filme poderia ter sido. Até a hiena do trailer, Bruce, é subaproveitada, aparecendo em somente três cenas e sem função alguma na história. Mais um filme da DC em que apostamos que a sequência será melhor.

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