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Amnésia – Um nome que faz jus ao filme!

Amnésia

A culpa alemã é um tema que já foi levado ao cinema várias vezes. Dos mais recentes, podemos lembrar de A Vida dos Outros, O Grupo Baader Meinhoff, A Queda – As últimas Horas de Hitler – e até o novo 13 Minutos –  entre outros longas que mostram uma triste situação que a Alemanha amargaria por 40 anos, do Nazismo ao Muro de Berlim. Amnésia (Idem) é mais um longa que fala sobre essa culpa, porém é bem inferior aos outros exemplares citados.

A história se passa em Ibiza, logo após a queda do Muro de Berlim. Jo (Max Riemelt) é um jovem DJ alemão que está de férias na ilha e acaba conhecendo sua vizinha, uma senhora chamada Martha (Marthe Keller). Ambos se dão muito bem, mas o jovem percebe que a nova amiga tem ascendência alemã e, por algum motivo, se recusa a falar alemão, insistindo para que suas conversas sejam em inglês. Pouco a pouco, segredos são revelados e ambos serão confrontados pela história do país natal.

Amnésia

O roteiro tem pontos interessantes e muito bem desenvolvidos. A culpa e a vergonha alemã são levantadas de maneira pontual, fazendo o espectador sentir um pouco da culpa dos personagens. O longa levanta a questão de como os jovens naquela época, como o próprio Jo, recebem as verdadeiras histórias do passado da sua nação. Em certo momento, tudo isso é confrontado em uma grande cena com o lendário ator Bruno Ganz. A narrativa é bem conduzida, pois o casal protagonista é bem desenvolvido e crível. Ainda assim, o texto erra em alguns núcleos desnecessários que não vão à lugar algum, como no caso dos corretores que querem vender a casa de Martha, criando uma situação à la Aquarius. Mas, mesmo escrito por quatro pessoas (geralmente, um mau sinal), o roteiro de Amnésia é – pelo menos – eficaz na sua proposta.

Já a execução do longa é a pior parte, pois beira ao amadorismo. Nem parece que é dirigido pelo veterano Barbet Schroeder (Mulher Solteira, Procura, Medidas Desesperadas e O Reverso da Fortuna, que lhe rendeu uma indicação ao Oscar, entre outros), mas por um aluno no segundo ano na escola de cinema. Schroeder aparenta não saber o que fazer com uma câmera, pois está sempre em movimento. Não sabe o que filmar ou como filmar, pois as maiorias dos planos mais abertos acabam soando como cartões postais para mostrar como Ibiza é linda. Ainda por cima, utiliza um zoom deselegante e feio, que não serve para nada em termos de narrativa, assim como os péssimos cortes bruscos de uma cena para outra. O diretor acaba utilizando pouco da sua mise-en-scène, a disposição do elementos em cena, deixando um visual pobre e desinteressante. Vindo de um diretor com experiência como Schroeder, o que ele realiza aqui é um trabalho assustador.

Amnésia

O elenco se segura muito bem. Max Riemelt e Marthe Keller mostram uma ótima química, além de conseguirem criar camadas a mais para os seus personagens, principalmente Keller, que transforma Martha em uma personagem muito forte e que não deixa de maneira exposta as suas dores. Mas o grande destaque vai para Bruno Ganz, que faz a cena mais forte do longa e que expõe todas as dores do seu personagem, provando mais uma vez que é um dos grandes atores da Alemanha. No geral, todos fazem bem o seu papel.

Amnésia tem bons atores e uma proposta bem interessante, mas se perde – infelizmente – em meio a uma execução pavorosa. Se quer ver filmes mais interessantes sobre a culpa alemã, veja os que comentei no primeiro parágrafo, pois este é realmente um longa esquecível. O nome veio bem a calhar.

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