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Acertando o Passo – Outra comédia sobre a 3ª idade!

Acertando o Passo é uma deliciosa comédia sobre a vida

Desde o lançamento de O Exótico Hotel Marigold, em 2011, tornaram-se comuns as comédias inglesas leves sobre a terceira idade, cuja mensagem é que podemos nos reinventar, mesmo no período crepuscular da vida. Acertando o Passo (Finding Your Feet) não engana o espectador em momento algum sobre sua proposta e moral da história, mas ele faz isso de maneira honesta, leve e encantadora.

Crítica de Acertando o Passo.

A protagonista é Sandra (Imelda Staunton, de Malévola), uma aposentada esnobe que é casada com o bem sucedido Mike (John Sessions) há 35 anos. Durante seu aniversário de casamento, descobre que Mike tem um caso com uma de suas amigas e decide deixá-lo. Sem um lugar para morar, Sandra decide ir para o apartamento da sua irmã mais velha, Biff (Celia Imrie), muito mais humilde e viva que a caçula. Mesmo com o embate de visões de mundo e de estilo, ela perceberá o como sua vida estava presa à coisas fúteis e ao conservadorismo. Descobre isso aos poucos frequentando o grupo de danças que Biff faz parte e na amizade com o humilde e amoroso Charlie (Timothy Spall, de Alice Através do Espelho).

É clichê? Óbvio! O fim da história é previsível? Sem sombra de dúvida, mas o roteiro de Nick Moorcroft e Meg Leonard mostra que. além de ter uma mensagem muito sincera – apesar de ter sido vista em N filmes –, é um texto muito bem resolvido. Mesmo os personagens sendo claros estereótipos, se mostram ricos, bem desenvolvidos e cativantes em uma história redondinha e despretensiosa. O único defeito do texto está no excesso de arcos no terceiro ato, onde o espectador percebe que o objetivo é encher linguiça e o longa se alonga mais do que deveria.

Em geral, a direção do veterano Richard Loncraine é consistente. É uma direção que serve à sua história e que se apoia no trabalho do elenco. Nenhum elemento da composição chama mais atenção do que deveria além de uma boa transição das cenas de comédia – que tem situações bem construídas – para as cenas mais dramáticas. Avaliando o conjunto, um trabalho onde menos é mais.

Crítica de Acertando o Passo

Falando de novo de atores ingleses

Como observado em Somente o Mar Sabe, é difícil achar um cinema tão bem servido de atores quanto o inglês. Por conta de uma forte base teatral, conseguem composições ricas, evoluções bem feitas de sentimentos e têm uma forte presença de tela. Estamos falando de um filme leve, feel good, mas que conta como casal protagonista atores do nível de Imelda Staunton e Timothy Spall, que ficaram conhecidos pelo grande publico pela saga Harry Potter, respectivamente como Dolores Umbridge e Pedro Pettigrew. São dois atores excelentes, que dispensam comentários e que carregam um filme como esse com as mãos amarradas. Staunton consegue fazer uma personagem insuportável evoluir para uma mulher que redescobriu o valor da vida de maneira convincente, enquanto Spall cria um tipo humilde, mas que consegue passar  carinho e sinceridade com o olhar e a cadência da fala.

O grande destaque fica por conta Celia Imrie, que faz com que amemos Biff do começo ao fim. Seu estilo despojado de viver cativa a todos do filme, inclusive o espectador. O trabalho dela é certeiro ao fazer uma personagem que leva tudo de um jeito leve e a sua composição é a mais controlada possível. Biff está sempre falando com calma, com um olhar compreenssivo, mesmo quando perde a paciência com o jeito esnobe da irmã. É uma clássica do personagem que exala vida e a atriz faz jus ao papel.

Acertando o Passo é uma ótima pedida para quem quer um bom feel good movie. É bem feito, sincero, tem uma mensagem bonita e conta com ótimos intérpretes. Para quem quer apenas uma boa diversão despretensiosa, feita com boa vontade, vale a pena.

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