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A Garota de Fogo – A tragédia humana!

A Garota de Fogo

Qual é verdadeiro efeito de nossas ações? Será que temos ideia das reais consequências e desdobramentos de nossos atos? Pode uma boa intenção ter efeitos nefastos? Essas são algumas das indagações do forte e surpreendente filme espanhol, com co-produção da França – A Garota de Fogo (Magical Girl), do diretor Carlos Vermut. Com um roteiro inteligente e uma excelente direção, o longa consegue discutir temas profundos com uma narrativa envolvente e impactante.

A história gira em torno de três personagens. Um pai (Luiz Bermejo) lidando com a doença terminal de sua filha e seus últimos desejos. Uma bela mulher (Bárbara Lennie) com um passado misterioso e sombrio,além de distúrbios psicológicos, às voltas com problemas no casamento e uma situação inesperada. Um senhor (José Sacristán) que saiu da prisão e tenta se readaptar à sociedade e se libertar do passado. Mais do que isso seria um erro revelar, pois essa é uma daquelas tramas que quanto menos você souber, melhor. Basta dizer que as histórias se entrelaçam de maneira criativa e poderosa.

A Garota de Fogo

Tudo aqui é muito bem construído e afinado. As atuações estão impecáveis, apropriadamente contidas e minimalistas. Destaque para Bárbara Lennie, com uma personagem difícil, cheia de camadas e sutilezas, que transita entre a crueldade, infantilidade, força, determinação e fragilidade, numa composição magistral. A fotografia, o som e a arte também são muito bem trabalhadas, com enquadramentos e elementos visuais e sonoros muito bem pensados e planejados, que são partes vitais da narrativa e que ligam e amarram as histórias de maneira brilhante. O perspicaz roteiro nos instiga, prende e surpreende a cada passo, com sua forma de contar muito com pouco, escondendo informações e as revelando somente na hora certa, ou mesmo as ocultando até o fim. Isso faz o público preencher as lacunas com sua própria imaginação, o que no caso desse filme, pela forma como sua história é desenvolvida, torna tudo ainda mais forte e perturbador, já que geralmente o que é sugerido tem mais poder do que o que é mostrado, e aqui a sugestão e o mistério são muito bem construídos. Essa é uma das muitas qualidades da direção de Vermut. A habilidade de criar uma atmosfera inquietante, onde cada palavra e cada silêncio são significativos.

A Garota de Fogo

O filme levanta e discute questões interessantes e complexas, como a relação de causa e consequência de nossas ações, ética, obsessão, amor, efeito borboleta, destino e o poder e impacto de nossas escolhas. Tudo isso através de ações e acontecimentos ao invés do discurso, o que é ainda mais impressionante. No fundo, o tema principal aqui é a própria natureza humana, com suas terríveis contradições, e a origem do mal, mostrando que às vezes o pior e o melhor que existe numa pessoa estão muito próximos e o limite entre um e outro é tênue, podendo até mesmo um levar ao outro.

Por ser o segundo longa-metragem de Carlos Vermut, seria fácil dizer que ele é uma grande promessa do cinema espanhol. Porém, apesar de ser apenas o segundo, uma obra tão madura e bem acabada como A Garota de Fogo já faz o cineasta pular esse título e ser considerado um realizador de mão cheia. Afinal, é um filme com um rigor técnico invejável e, sobretudo, com uma história muito bem contada e que merece ser conferida.

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