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Fuga Para a Vitória – Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé!

Chaves estava certo e você tem que assistir a esses clássicos: El Chanfle e Fuga Para a Vitória

Lembra quando aquele rapazinho que passa um tempão no barril da vila, mas que mora no apartamento oito, foi ao cinema com os amigos e passou o tempo todo reclamando que queria ver o filme do Pelé? Pois é, a tradução, como boa parte da tradução do seriado Chaves, que é sucesso absoluto entre adultos e crianças desde a década de 70, alterou a frase original: de “Preferia ter ido ver o filme El Chanfle para “Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé”, aproveitando a popularidade do astro brasileiro que estrelava, na mesma época, junto com outros jogadores mundialmente famosos e atores consagrados, o agora clássico de John Houston, Fuga Para a Vitória.

fuga para a vitória

Com essa comissão técnica, o México já seria Hepta.

El Chanfle e Fuga Para a Vitória possuem apenas o esporte como pano de fundo e, apesar do mexicano, que foi dirigido pelo próprio Roberto Gomes Bolaños e tem no elenco todo o time – com o perdão do trocadilho – do seriado, nunca ter sido lançado no Brasil, a popularidade do episódio garantiu que o filme aparecesse, inteiro e legendado em português, no YouTube. Você pode assistir aqui.

Agora, você deve se perguntar: porque é importante assistir aos dois clássicos? A resposta é muito simples: Eles divertem! E, acredite, um deles tem um pouco de história também.

Em Fuga Para a Vitória (Escape to Victory, EUA, 1981), um militar nazista, interpretado por Max Von Sydow, organiza um jogo de futebol entre os alemães e um time composto por presos aliados e liderados pelo militar inglês e ex-jogador de futebol John Colby (Michael Caine). Este, então, recruta, entre os colegas de campo de concentração, um time de campeões e, o que começa como uma simples partida, vira um plano de fuga elaborado e liderado pelo goleiro, o militar norte-americano Hatch (Sylvester Stallone).

É aqui que entra a história. O filme é remake de uma produção húngara de 1961, e ambos são adaptações da Partida da Morte, evento real de propaganda nazista que buscava mostrar o domínio alemão sobre a população de Kiev, na Ucrânia, após a tomada de 1941. Com um time formado por jogadores antes pertencentes ao elenco dos times Dínamo e Locomotiva de Kiev, todos, desempregados ou trabalhando em outras áreas após serem liberados dos campos de concentração, os alemães viram uma chance de humilhação da população local.

fuga para a vitória

O F.C. Start, time que inspirou Fuga Para a Vitória e que deu a vida em nome da dignidade e do esporte

Porém, o Start, como o time soviético ficou conhecido, ganhou todas as partidas com placares impressionantes, gerando uma revanche contra o time da Força Aérea Alemã (que havia perdido de 5×1). Nesta partida, os ucranianos se recusaram a fazer a saudação nazista e, durante o jogo, sofreram diversas agressões, nunca registradas pelo juiz (um soldado da SS). Ao final, a vitória soviética por 5×3 irritou os nazistas, que torturaram os membros da equipe. Pesado.

Mas, voltando para o mais leve (ufa!), o filme de John Houston, tem um final mais feliz. Além de cenas divertidíssimas (repare na “empolgação do público” narrada pelos alemães) e um final emocionante (sério, é de sorrir de orelha a orelha), o filme conta com um elenco futebolístico de dar inveja: além de Pelé, que faz o aliado brasileiro Luis Fernandes (o cara que sofre perseguição em campo por ser negro e muito bom de bola), o filme conta com o craque argentino Osvaldo Ardilles (campeão mundial em 1978), o britânico Bobby Moore (zagueiro da seleção inglesa campeã em 1966) e o polonês Kazimierz Denya, considerado o melhor jogador polonês da história e campeão olímpico em 1974.

fuga para a vitória

A escalação titular de Fuga Para a Vitória. O cachorro era reserva de Stallone.

E não podemos deixar de falar, o filme tinha um elenco estrelado também. Michael Caine já havia sido indicado duas vezes ao Oscar (por Alfie, Um Sedutor e Jogo Mortal), Max Von Sydow era internacionalmente reconhecido por seu trabalho com Ingmar Bergman (O Sétimo Selo e Morangos Silvestres) e sua atuação em dois clássicos dos anos 70, O Exorcista, de William Friedkin, e Três Dias do Condor, de Sydney Pollack, e Sylvester Stallone era um dos atores mais populares do mundo, recém saído do sucesso dos dois primeiros filmes da série Rocky, e em vias de lançar aquele filme que o definiria como o Exército de Um Homem Só da década de 80: Rambo: Programado para Matar.

Espero que vocês curtam os filmes. E esse texto também. Se quiser saber mais sobre futebol e cinema, dá uma olhada no nosso Na Tela sobre o assunto! Depois contem para a gente o que acharam 😉

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