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Cobertura da coletiva de imprensa com Arnold Schwarzenegger!

Domingo, último dia do mês de maio e o cinema Kinoplex São Luiz, no Rio de Janeiro, tem a honra de exibir trechos da nova pérola de Arnold Schwarzenegger. Enquanto as tradicionais cabines de imprensa não acontecem, alguns jornalistas puderam ter uma ideia melhor do que esperar de O Exterminador do Futuro: Gênesis, que estreia em 02 de julho no BrasilCom muita expectativa para um dos mais esperados lançamentos do ano (ainda que fosse para conferir somente um “aperitivo”), tivemos acesso a quase meia-hora do filme.

A impressão que esta pequena plateia passou, além das risadas que as cenas bem humoradas (colocadas na hora e da maneira certa) provocaram, foi de uma ligeira decepção. Talvez não uma desilusão completa, mas uma certa apatia, como se não tivessem visto nada de novo. Mas é exatamente isso! Se O Exterminador do Futuro 4: A Salvação evocava algo como “esqueça tudo o que você já viu sobre o Terminator!”, cosendo uma trama interessante que remetia a Eu, Robô muito mais do que o pífio filme estrelado por Will Smith, a nova película traz tudo o que você já viu de um jeito que ainda não viu, sendo apresentada quase como uma forma de “transmídia”, já que conta uma nova parte da estória sem perder o caráter independente, ainda que complementar.

Exterminador do Futuro: Gênesis

No dia seguinte, é a vez do hotel Copacabana Palace receber o ex-governador da Califórnia em pessoa para  a coletiva de imprensa. Manhã nublada, que nada tem a ver com a cara da Cidade Maravilhosa, lá estávamos a aguardar o simpático exterminador, que tardava a chegar. A publicidade do evento contava com um pôster holográfico que, como um raio-x, revelava o esqueleto cibernético do modelo T-800.

Exterminador do Futuro: Gênesis

E como ninguém (exceto o Exterminador) é de ferro e a máquina do tempo ainda não foi inventada, contávamos as horas para a sessão de fotos que se iniciaria em instantes. Máquinas fotográficas à mão, credenciais no pescoço, nos despedíamos do cibernético Arnold holográfico para encontrá-lo em carne e osso na sacada do hotel.

Schwarzenegger se dirigindo á sessão de fotos!

Arnold chega com a mesma pose do personagem, e não se faz de rogado; posa para fotos, tira selfies e chega a sentar na sacada, de perfil, para deleite dos fãs – sim, porque não éramos apenas repórteres – que tiravam fotos e mais fotos, filmavam e “dirigiam” o ator para que se posicionasse dessa ou daquela maneira. Se ele seguia as orientações ou não, pouco importava. Era a hora de rumar para a tão aguardada coletiva de imprensa.

Coletiva com Arnold Schwarzenegger

Como na X-Men X-Perience, ano passado, o evento teve como mestre de cerimônias o jornalista e crítico de cinema Roberto Sadovski. Schwarzenegger por sua vez se mostrou muito simpático e otimista em relação ao filme. Segundo o astro (que confessou nunca dar palpites em relação à edição ou qualquer fase do processo de filmagem), ter atuado durante cinco ou seis meses foi ótimo e disse estar orgulhoso da nova equipe. “O (James) Cameron, enquanto ainda estava na primeira montagem, viu e disse que estava maravilhoso.” Mas o que realmente o surpreendeu neste filme foi o fato de que, segundo ele,  os filmes de ação costumam ser, em sua composição, voltados, setenta por cento, para o público masculino, enquanto este possui um conteúdo emocional que o coloca na medida certa tanto para o público masculino quanto para o feminino.

Além disso, o que o roteiro faz com maestria é permitir que o espectador se identifique com um personagem que é uma máquina e o vejam como um protetor. Arnold mencionou ainda que uma questão interessante do personagem é tentar mimetizar a condição humana, já que não é capaz de emular emoções. Quando sorri, por exemplo, ele o faz de forma rígida, artificial mesmo, o que fica evidente em uma das cenas – das mais engraçadas, por sinal – onde o humor fica por conta do  “anti-humor” do personagem.

Coletiva com Arnold Schwarzenegger

Ainda se dando o direito de dar spoilers, Arnold revela que há uma cena em que Sarah Connor abraça o T-800 e ele não entende (processa, segundo o mesmo), dizendo algo como “Não sei porque você segura as pessoas quando elas vão embora” – ao que ela responde – “Você nunca vai aprender”.

Ao ser perguntado sobre como é reviver o personagem atualmente, o ator diz que “É a mesma coisa fazer o personagem hoje ou em 1984”.  Diz ainda que entrar em um personagem é como esquiar ou andar de bicicleta; você nunca esquece. “Passo todo o verão sem esquiar e é assim com o Exterminador. Eu apenas entro no personagem.” Arnold arranca risos da plateia para, logo em seguida, retornar à seriedade. “Você é feito para alguns personagens e para outros não. Eu consegui atuar como uma máquina o tempo todo e estou muito feliz que tenha dado certo.” Contou ainda a real dificuldade em representar o Exterminador: “A única coisa difícil é que, quando atiro, não posso piscar.” De acordo com o astro, uma das coisas mais importantes para vender a ideia de uma máquina é fazer a cara de máquina e que foram necessárias várias sessões de tiro para treinar. “Sarah e os outros personagens podem piscar. O Exterminador não.”

O fato de encarnar uma máquina (se é que isso é possível, semanticamente), suscitou a pergunta de como o ator lida com a tecnologia em sua vida. Mais uma vez, Schwarzenegger leva a plateia às gargalhadas: “É impressionante como, em 1984, quando se fez o primeiro filme, era uma fantasia total conceber que as máquinas tomariam conta e hoje em dia eu não ganho no xadrez do meu iPad… no nível médio.”

Coletiva com Arnold Schwarzenegger

A entrevista vai chegando ao fim e, mais uma vez, o assunto em pauta é a diferença entre filmar agora e em 1984, só que dessa vez, a pergunta se destina ao filme em si e não apenas à atuação. “O primeiro filme teve apenas cinco porcento do orçamento que tivemos hoje. Após as filmagens terem sido terminadas, ainda havia cenas faltando.”, revela Arnold. A seriedade é novamente quebrada pelo momento descontraído: “Eu e o câmera saímos pela rua e e ele disse: ‘Tá vendo aquele carro? Você vai lá e dá um soco no vidro.’ Foi no meio do tráfego no Hollywood Boulevard. Não havia licença. As pessoas observavam e comentavam: ‘Que cara esquisito!’”. Entre as diferenças entre filmar na década de oitenta e atualmente, Arnold mencionou que o tradicional recurso do pano verde ao fundo, onde depois é inserido o cenário, não foi muito utilizado neste novo filme. Sem falsa modéstia, dispara: “Você tem que realmente imaginar a cena, o que pede muito mais subjetividade do ator.”

Para fechar com chave de ouro, o último momento cômico do evento ficou por conta, não da resposta de Arnold, mas de uma pergunta em si, que nada tinha a ver com o filme ou com a carreira do ator, mas com seu passado político como Governador do Estado da Califórnia. A jornalista agraciada com a oportunidade de fazer a última pergunta destila a seguinte pérola: “O que o senhor faria se fosse Governador do Estado do Rio de Janeiro, ou mesmo Presidente do Brasil?”(!).  Com a frieza de uma máquina, o ex-governador do estado mais louco e vanguardista dos Estados Unidos não esboçou um mero cinismo e respondeu com a fleuma  de um gringo entusiasmado com a Cidade Maravilhosa. Disse que é sempre um prazer estar no Rio de Janeiro, elogiou a maneira como a Copa do Mundo foi conduzida no país e aproveitou para afirmar que, apesar do desempenho aquém do esperado da Seleção Brasileira, o mundo todo sabe que o Brasil tem um histórico invejável de campanhas na história do futebol mundial. Disse ainda que um político não pode ser um servente de um partido ou uma marionete do estado, mas servir para o povo. “A Direita não gostava de mim. A Esquerda… também não. Mas o povo sim, e é isso o que importa”.

Arnold Schwarzenegger provou não só atuar bem na política, mas ter tirado boas lições de media training em suas incursões pela vida pública. Pelas palavras de seu alter-ego robótico: “Velho, mas não obsoleto.”

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